Controle de acesso no condomínio entra em nova era

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Investimentos na integração tecnológica ocorrem em condomínios com presença física do porteiro, que são ainda maioria, e na automatização. Condomínio de 185 unidades acaba de quebrar paradigma e implantar portaria virtual.

A síndica Gizelle da Costa Silva e o gerente predial Lucas Braz da Silva

A síndica Gizelle da Costa Silva e o gerente predial Lucas Braz da Silva: Portaria virtual com reforço dos equipamentos e equipe interna própria; torniquete à dir. no acesso social garante a passagem de uma pessoa por vez

O condomínio administrado pela síndica em exercício Gizelle da Costa Silva acaba de quebrar dois paradigmas na área do controle de acesso: 1º) Implantou a portaria virtual em um condomínio de 185 unidades, com atendimento feito de maneira remota por atendentes (à distância, via internet), mesmo com o elevado fluxo de entradas e saídas do local (de cerca de 600 moradores); e, 2º) Propôs esse formato para melhorar a segurança, e não para cortar custos. A portaria virtual é uma modalidade que cresceu nos últimos cinco anos em prédios de poucos apartamentos, o que facilita o controle, com foco na redução da folha de pagamentos dos funcionários próprios ou dos contratos de terceirização.

Neste condomínio, a ideia da portaria virtual surgiu para reforçar a segurança depois que dois adolescentes invadiram o local, em novembro do ano passado, em falha de um porteiro. Situado no bairro do Bom Retiro, zona Oeste de São Paulo, o empreendimento foi implantado em 2014 com inúmeros recursos de lazer e possui muitos moradores estrangeiros (as placas de comunicação no local dispõem de informações em quatro idiomas – português, inglês, mandarim e coreano).

De acordo com a síndica, que na época acabara de assumir a gestão, o condomínio tinha promovido até então algumas mudanças para a melhoria da segurança, mas elas se mostraram ineficientes. “Ainda é forte o comportamento cultural de os porteiros deixarem as pessoas entrar sem conferir a identificação. Mesmo com treinamentos, com o tempo eles se acomodam. Por isso começamos a estudar a portaria virtual, consultamos inúmeras empresas, visitamos suas sedes e condomínios”, relata.

A ideia foi amadurecida através de várias reuniões com o conselho, abertas aos moradores, além de ter sido apresentada e aprovada em duas assembleias extraordinárias. Gizelle destaca o apoio do gerente predial Lucas Braz da Silva no processo e o fato de o condomínio ter mantido uma equipe própria de funcionários de apoio. Além de Lucas, permaneceram 6 trabalhadores (ronda, manutenção e limpeza).

“Temos sempre alguém aqui, sete dias na semana, 24 horas por dia”, pontua. Pois, se houver alguma falha no sistema, o funcionário dará atendimento aos moradores. De qualquer maneira, os equipamentos têm redundância e o contrato com a empresa que faz o atendimento virtual prevê também monitoramento contínuo através de uma equipe própria, preparada para atuar com contingências. Apesar de todo esse aparato, os custos mensais diminuíram, diz.

Projeto customizado

De acordo com a síndica, o projeto teve que ser customizado pela empresa contratada em função das dimensões envolvidas, com contrato diferenciado e aprimoramento no tempo de atendimento. Também exigiu que o próprio condomínio reforçasse os equipamentos e o suporte interno: Biometria para entrar nos halls das duas torres, no salão de festas e academia; CFTV com 132 câmeras, incluindo todos os halls dos andares; funcionários 24hs no local; proteção e iluminação perimetral; sensores; alarmes; torniquete no acesso principal; automatização de uma portaria secundária (utilizada em caso de inundação na rua principal); redundância no sinal de internet e na energia (além de nobreaks exclusivos para algumas instalações, há “um banco de baterias estacionárias”). Procedimentos foram alterados (os moradores devem descer para abrir os acessos das torres aos visitantes ou prestadores de serviços) e a administração está implantando armários internos de serviço dos Correios para receber correspondências e encomendas.

A portaria virtual está em operação desde o começo deste semestre e, segundo Gizelle, no princípio houve estranhamento entre alguns moradores ao não encontrarem ninguém na portaria. “Isso dá uma falsa sensação de segurança”, pondera. De outro lado, a síndica ressalta que o perfil dos condôminos favorece o sistema, pois eles são bem “intuitivos com a tecnologia”. Hoje, o condomínio vem se sentindo mais protegido, completa a síndica.

A portaria como central de operações

Em um ambiente tecnológico em que as expressões-chave são Internet das Coisas (IoT em inglês) e a integração dos equipamentos, o papel da portaria dos condomínios vai além hoje da atividade de controlar o acesso de pedestres e veículos; envolve, por exemplo, também a recepção de encomendas e o monitoramento das instalações do prédio (bombas d’água, alarmes, iluminação etc.).

“A portaria precisa ser funcional, um centro de controle e operações”, afirma o arquiteto e síndico Marcus Vinícius Abrantes, que está modernizando toda a área de segurança do prédio onde mora e que administra, na Vila Nova Conceição, na zona Sul de São Paulo. Nos últimos anos, o condomínio de 80 unidades já havia investido no CFTV. Agora, está construindo uma nova guarita e alterando o padrão de fechamento do perímetro (o gradil da frente dará lugar a um projeto de muro de vidro diferenciado e reforçado). Novas instalações e serviços tecnológicos serão agregados, como o acesso biométrico e o monitoramento.

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- No condomínio, “se pegar pessoal despreparado, a casa cai”
Entrevista com o especialista José Elias de Godoy

 - Matéria complementar:  

Segurança: Com ações em conjunto, o condomínio extrapola os seus limites
Por Geórgia Ellen Zorzella Gadea (Arquiteta)

Matéria publicada na edição - 249 - setembro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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