Condomínios investem em playground e brinquedoteca para garantir a recreação

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Nesta revista de setembro, em que o foco das principais matérias recai sobre a tendência de se ampliar os serviços ofertados aos condôminos, não poderia ser esquecida a parte relativa à recreação das crianças até doze anos de idade.

O Condomínio Residencial Jardim dos Ipês, localizado em Guaianazes, zona Leste de São Paulo, implantou há um ano três áreas de playground para os menores, opção até então inexistente. “Fizemos junto com a reforma da quadra, que estava bem precária”, afirma a síndica Claudia Mercadante, que está em sua terceira gestão como orgânica no residencial. O empreendimento de mais de 20 anos possui 30 prédios com unidades no térreo e quatro andares, totalizando 600 imóveis. Se encontrava em estado de abandono quando Claudia iniciou os trabalhos no local, em 2015. Desde então, ela implantou portaria, sistema de controle de acesso, equipamentos de segurança, promoveu a limpeza de toda área, das caixas d’água, construiu acessos, lixeiras, entre muitos outros. Até que chegou o momento de atender à área recreativa.

A quadra pôde ser transformada em duas (uma menor, para crianças) e três espaços ociosos de área comum, previstos para o lazer na planta original do empreendimento, foram destinados aos playgrounds. No momento, dois deles estão recebendo equipamentos anexos para ginástica ao ar livre de adultos, uma maneira que a síndica encontrou para que estes vigiem as crianças durante a utilização dos playgrounds. Já em 2020, Claudia pretende implantar a brinquedoteca, cujo projeto foi desenvolvido e prevê a construção de uma sala independente. Antes disso, entretanto, ela pretende contratar obras de recuperação da fachada dos 30 prédios e terá que finalizar a implantação do gás natural canalizado em todas as unidades, bem como dos equipamentos de incêndio, dentro do processo de obtenção do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros).

Os investimentos na recreação foram aprovados em assembleia, observa Claudia, lembrando que a falta desses espaços criava um problema de segurança para as crianças; elas acabavam brincando nas áreas de circulação e estacionamento de veículos. “Temos aqui entre 350 a 400 crianças e havia muita reclamação de moradores sobre danos nos carros.” A preocupação com a segurança foi marcante até na hora de executar os projetos, dando-se prioridade a um fornecedor que atendesse às normas da ABNT para o setor, além de serem incluídas regras de uso no Regulamento Interno. Segundo Claudia, o maior desafio agora é fazer com que pais ou demais responsáveis fiquem junto das crianças quando estiverem brincando nos playgrounds.

Playground: a segurança dos brinquedos, ambiente & uso

A norma ABNT relativa aos playgrounds, a NBR 16.071/2012, permanece como principal guia para que os síndicos observem se os brinquedos e pisos fornecidos pelo mercado atendem aos requisitos mínimos de segurança e desempenho. Este conjunto de referências pode ajudar ainda a orientar a manutenção do ambiente e dos equipamentos.

Nessa parte relativa à manutenção, a Direcional Condomínios relembra aqui dicas deixadas pelo consultor de riscos, Carlos Alberto dos Santos, observadas em vistorias que realiza nas edificações. Também o engenheiro civil Marcus Vinícius Fernandes Grossi disponibiliza no site da revista artigos documentados, mostrando, através de imagens, acertos e desacertos nas instalações dos playgrounds dos condomínios.

Segundo essas vistorias, os principais problemas de manutenção encontrados são:

Quanto ao ambiente

- Falta da sinalização correta do brinquedo, que deve ter a indicação da faixa etária para uso, bem como da capacidade de carga do equipamento;

- Inexistência de proteções (guarda-corpo) contra muros, aclives ou declives. Além disso, conforme a norma, os brinquedos devem ter distância mínima entre si para evitar acidentes;

- Pisos sem atenuação de impacto segundo parâmetros definidos em norma;

- Falta de acessibilidade nas rotas e ausência de instalações que atendam aos portadores de deficiência.

Dos equipamentos

- Guarda-corpos de brinquedos com distanciamento inadequado entre as barras, seja com risco de aprisionamento da criança ou com folga que possibilite a sua queda;

- Guarda-corpos danificados e rampas de escalada com pontos de apoio arrancados;

- Parafusos sem proteção, oxidados e/ou soltos;

- Madeira apodrecida em degraus e em pontos de apoio, com farpas e presença de fungo “orelha de pau”;

- Pinturas descascadas formando “lâminas” em pontos de apoio do brinquedo;

- Metais de fixação enferrujados;

- Correntes e tubulações fora de especificação, que geram riscos de aprisionamento de partes do corpo; gangorras sem proteção no solo contra risco de aprisionamento (que pode ocorrer na queda da criança).

Regras básicas de uso

- Definir faixa etária;

- Determinar obrigatoriedade de acompanhamento dos menores por um adulto;

- Estabelecer horários para uso de acordo com o Regulamento Interno;

- Vetar a presença de animais.


Matéria publicada na edição - 249 - setembro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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