O diálogo possível com a família e os jovens no condomínio

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A conversa dos síndicos com os jovens necessita de um terceiro elemento, a família, pontua o psicólogo Daniel Stephan Wajss.

Psicólogo Daniel Wajss
Psicólogo Daniel Wajss: “Sem esse apoio [da família], a ação do gestor se torna unilateral. Pois o exercício da liderança não é algo solitário, depende da coparticipação de outros membros também importantes nessa relação, para que ela seja mais construtiva e menos destrutiva”

Ele acredita na possibilidade de se estabelecer uma interlocução, negociar espaços, mas sem abrir mão de trabalhar os limites com a garotada, parte em que há necessidade do suporte dos pais. Além disso, se os jovens demandam um determinado espaço na área comum, o síndico pode propor alguma contrapartida, como a participação deles em uma campanha de coleta seletiva no prédio. Analista com mestrado em Neurociência Comportamental pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Daniel expõe a seguir iniciativas que podem ajudar os síndicos a acessar os jovens e adolescentes e a estabelecer uma conexão:

- Criar canais próprios de comunicação. “A garotada é muito conectada ao eletrônico, a forma como se comunica hoje é diferente da nossa, temos que transitar do analógico para o digital, rever nossos canais e linguagem para chamá-los ao diálogo. A forma de estabelecer o contato é importante”, afirma;

- Ao propor o diálogo, a iniciativa, por si só, já abre caminho para que ele ocorra. Mas o gestor deve manter a postura de autoridade, pois “os jovens hoje têm uma permissividade maior e se encontram na defensiva, já que estão acostumados a uma abordagem mais inquisidora que acolhedora”. “É se colocar como liderança, mas sem desrespeitá-los”, resume;

- Procurar formar vínculo a partir desse canal de escuta do que querem, colocando que o espaço é também deles, por isso, devem assumir responsabilidades diante dos demais, por exemplo, em relação à segurança e aos horários de descanso. “Está faltando que assumam responsabilidades de um espaço que é deles, mas também do outro”, completa;

- Por fim, insistir na conversa presencial, “eles andam muito esquivos disso”. O analista reforça que “a família tem papel relevante no processo, é muito mais difícil acessar os jovens se dentro de casa os pais não cumprem com o seu papel, de gradativamente explicar e ensinar as regras”. “Sem esse apoio, a ação do gestor se torna unilateral. Pois o exercício da liderança não é algo solitário, depende da coparticipação de outros membros também importantes nessa relação, para que ela seja mais construtiva e menos destrutiva.”


Matéria publicada na edição - 250 - outubro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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