Investimentos dos condomínios em segurança vão do interfone à portaria virtual

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A segurança demanda investimentos contínuos na atualização tecnológica dos equipamentos e/ou na reorganização completa do sistema no condomínio.

A síndica Agnes da Silva
André

A síndica Agnes da Silva André acaba de implantar a portaria virtual, atendendo à deliberação da maioria dos condôminos

Nesta edição, a Direcional Condomínios reporta essas situações em três diferentes casos: De um prédio que acaba de implantar a portaria virtual; de condomínio que apresenta bons resultados após dois anos de exclusão do modelo presencial; e de residenciais que ainda precisam investir numa estrutura mínima de controle de acesso.

No primeiro caso, o condomínio administrado pela síndica orgânica Agnes da Silva André opera, desde o mês passado, com a portaria virtual. Prédio de mais de 40 anos e 48 unidades, localizado na região central de Santana, zona Norte de São Paulo, seus condôminos optaram pelo sistema depois de algumas ocorrências, como a invasão a um apartamento durante o dia, a despeito da presença dos porteiros. A decisão ocorreu em assembleia extraordinária realizada no começo deste ano.

Para a implantação do modelo, a síndica vem acompanhando diariamente os ajustes ainda necessários nos equipamentos e procedimentos. A mudança demandou investimentos na modernização tecnológica, atualização da ficha cadastral dos moradores e contratação de dois funcionários terceirizados para a limpeza do prédio e o recebimento de correspondências e encomendas, entre outros.

Portaria virtual, dois anos depois

Já o síndico orgânico Pedro Nagahama assumiu a gestão do prédio onde mora, na região do Tatuapé, zona Leste de São Paulo, para dar sequência à implantação da portaria virtual, ideia que vinha sendo defendida por muitos condôminos. Isso foi em 2017 e, em julho daquele ano, o sistema estava operando. O residencial possui apenas 22 unidades e, de acordo com o gestor, quatro porteiros foram dispensados, permanecendo somente o gerente predial e a funcionária da limpeza. Nesse período, houve alguns contratempos com queda da rede de internet, mas ajustes foram realizados e hoje a aprovação é unânime, afirma. “Houve redução de custo, mas o principal benefício foi o aumento da segurança, não só em termos de percepção das pessoas, mas algo sentido efetivamente”, avalia.

Começando do zero

Auditor Ivo Cairrão

Portaria virtual em condomínio no Alto do Ipiranga, zona Sudeste de São Paulo

Existem, porém, condomínios que passam ao largo desta discussão, porque precisam antes providenciar estruturas mínimas de controle de acesso, cadastro de moradores, sistema de interfone, CFTV com câmeras digitais e proteção perimetral. A síndica profissional Claudia Mercadante tem passado por essa experiência nos residenciais que administra na zona Leste de São Paulo. No Residencial Jardim dos Ipês, em Guaianazes, ela teve, em 2015, que construir uma nova portaria, regularizar o uso do estacionamento (para um veículo por unidade), com cadastro dos proprietários e identificação via sistema, instalar central de interfone (então inexistente nas 600 unidades dos seus 30 prédios), câmeras etc. O mesmo porte de investimentos terá que ser feito agora em outro residencial, o Parque dos Ávilas, com quatro prédios e 240 apartamentos.

Quando assumiu a gestão neste local, em setembro de 2018, a síndica providenciou, de imediato, uma organização básica do controle de acesso, como o cadastro e a adoção de chaveirinhos com tag para a entrada e saída dos moradores. Já em proposta levada a uma assembleia, aprovou a construção de nova portaria, além de investimentos na iluminação, em sistema para controle de acesso de veículos, interfone, câmeras (62 equipamentos) e reforço na equipe de funcionários (ronda). Num terceiro residencial, com 200 unidades, Claudia se vê hoje mediante a necessidade de focar principalmente na manutenção dos equipamentos, como nos interfones, que estavam com parte dos dutos obstruídos quando ela assumiu a gestão como síndica profissional. Segundo ela, a experiência inicial no Jardim dos Ipês tem ajudado a repensar a infraestrutura de segurança dos demais condomínios.

Dúvida: vidros da portaria devem ter películas?

Alguns síndicos têm optado por manter os vidros das guaritas sem qualquer película de escurecimento e proteção. “Ninguém irá ver se a portaria for rendida caso tenha a película”, justificam. Alegam ainda que a proteção irá atrapalhar o campo de visão do porteiro. O consultor de segurança Marcos Moreno recomenda, no entanto, que a película seja instalada.

“A película é um fator de proteção para a equipe no interior da guarita, possibilita que o operador veja quem está do lado de fora, sem expor quem está dentro”, observa. O especialista ressalva, porém, que no período noturno, se a luz interna for acesa, a situação de visibilidade se inverterá, por isso, ele orienta “a utilização de um dispositivo pontual, iluminando apenas onde o operador de serviços tiver que fazer alguma anotação ou identificação de documento”. Quanto ao risco de uma eventual rendição da portaria não ser visualizada, ele recomenda instalar uma câmera no ambiente, com monitoramento externo.

Veja também:

Matéria complementar: 

- Balanço da experiência com portaria virtual em condomínio de SP
Depoimento do síndico Pedro Nagahama  

Matéria publicada na edição - 250 - outubro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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