Brinquedoteca: Soltando a imaginação

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No condomínio em que a bibliotecária Elani Tabosa do Nascimento reside no bairro da Penha, na zona Leste de São Paulo, há poucas crianças, apenas 28 apartamentos e nenhum espaço estruturado para as brincadeiras infanto-juvenis.

Elani Tabosa do Nascimento

Elani Tabosa do Nascimento, bibliotecária com pós-graduação em contação de histórias, há 20 anos atua em projetos que articulam brincadeiras e leituras

O cenário contrasta com a atual expansão das áreas de recreação nos prédios residenciais, assim como com a principal atividade profissional que ela desenvolveu nos últimos anos: Coordenar projetos socioeducativos para essa faixa etária baseados no brincar e na leitura; um “brincar livre ou em grupo, com circuitos de brincadeiras, inclusive no resgate das mais antigas”, diz.

Pós-graduada em contação de histórias, Elani Tabosa observa grande potencial entre os condomínios para levaram esse tipo de experiência para as áreas destinadas à recreação. Nessa perspectiva, ela propõe que as brinquedotecas formem ambientes que “encantem a criança”, como:

- A “casa na árvore”, favorecendo a imaginação, em um espaço em que os pequenos recriem seu próprio mundo e reelaborem suas experiências;

- Espaços para jogos lúdicos, sensoriais e de tabuleiro, que as façam exercitar a mente. Entre os lúdicos, Elani destaca os jogos de palito, o “sete marias”. Nos sensoriais, saquinhos com diferentes tipos de sementes de forma que as crianças tentem identificá-las. Ela propõe ainda que haja uma espécie de “mancebo” (cabide), disponibilizando fantasias, perucas, lenços e chapéus para que elas soltem a imaginação;

- E um ambiente de leitura.

“Em uma brinquedoteca, você pode simular esses espaços, utilizando, por exemplo, protótipos de árvore. Ou a própria casa da árvore, servindo de ambiente de leitura. Mas as regras de sua utilização devem estar bem definidas e claras, orientando os pequenos a guardarem os livros e os materiais lúdicos”, pontua a especialista.

Elani acrescenta que outras experiências podem ser oferecidas, com brinquedos e jogos que estimulem o exercício físico e desenvolvimento motor (a exemplo do balanço, amarelinha, pular corda, corrida de saco e a queima) e/ou atividades monitoradas, como pintura facial e a contação de histórias.

Claro que cada faixa etária exige propostas diferenciadas e algumas delas demandariam a presença de um monitor ou contador de histórias.

Já para os pequeninos, bebês ainda, o ideal é proporcionar um espaço separado para a sua proteção, com brinquedos de encaixe e argola (que estimulam a coordenação motora e visual), cavalinhos de madeira, fantoches e livros plásticos. Conforme as crianças crescem, os livros podem ser interativos e divertidos.

Muitas das diversões com os moradores mirins do condomínio se desenvolverão em espaço aberto e, aqui, Elani Tabosa propõe até mesmo a implantação de uma horta, em que cada um fique responsável pelo plantio e cuidado de uma muda. “São iniciativas que permitem às crianças terem uma qualidade de vida melhor na cidade”, completa a educadora.

Imagens da brinquedoteca de condomínio no empreendimento Jardins do Brasil, em Osasco

Veja também:

- A missão de ocupar bem e preservar os espaços de recreação no condomínio  

Matérias complementares:

- Entidades lançam campanha “Quero meu parquinho seguro”
Por Rosali Figueiredo (Com informações da ONG Criança Segura)
- Brinquedos: A escolha certa por faixa etária para o playground do condomínio
Por Rosali Figueiredo (Com a psicóloga Sirlândia Reis de O. Teixeira, vice-presidente da Associação Brasileira de Brinquedotecas)

Matéria publicada na edição - 250 - outubro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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