Na portaria presencial, condomínios optam pelo reforço dos sistemas (CFTV, guarita blindada etc.)

Escrito por 

Especialistas em segurança de condomínios têm afirmado, com base nos registros da polícia, que furtos qualificados, mediante arrombamento, predominam nas ocorrências verificadas em São Paulo, Capital.

Síndico Luiz Leitão da Cunha

Síndico Luiz Leitão da Cunha: Condomínio não abre mão da portaria presencial e decidiu promover o retrofit de todos os acessos, com blindagem da guarita

Os arrastões representam hoje de 2% a 3% das invasões, afirmaram consultores durante painel sobre segurança promovido pelo 4º Congresso de Síndicos e Administradores. O evento foi realizado no último dia 19 de outubro pela Gábor RH e reuniu, durante o painel, os especialistas Fernando José Luiz, José Elias de Godoy, Nilton Migdal e Wlauber Robson, sob a mediação de Ricardo Karpat.

Quanto mais o condomínio adotar medidas preventivas e treinar sua equipe, mais dificuldades criará contra uma invasão, disseram. O prédio deve estar preparado contra armadilhas, que se reciclam, por exemplo, ladrões têm se disfarçado de compradores de imóveis para conseguirem furar o controle de acesso. Ou seja, é preciso ficar atento para reforçar os sistemas e procedimentos, especialmente se o condomínio tiver moradores estrangeiros que guardem bens dentro dos apartamentos.

Desta forma, cada condomínio investe na tecnologia e no modelo que melhor atende ao seu perfil. Enquanto alguns prédios, mesmo com um número maior de unidades, optam pela eliminação do porteiro físico, substituindo-o pela automatização controlada pelos moradores ou pela portaria remota, outros, ao contrário, apostam justamente na modernização e reforço do controle de acesso presencial. É o caso do Condomínio Fernão Dias, localizado em Cerqueira César, bairro da área central de São Paulo, que está finalizando o retrofit de toda sua entrada, com uma nova guarita (blindada), troca do gradil e dos portões, incremento do número de câmeras, entre outros.

Nova entrada do Condomínio Fernão Dias

Nova entrada do Condomínio Fernão Dias; portão acessível fica do lado direito da guarita, assim como os da garagem

Os condôminos do prédio de 60 apartamentos, entregue no início dos anos 70, não quiserem abrir mão da portaria presencial, afirma o síndico profissional Luiz Leitão da Cunha. O edifício está integrado ao grupo do Vizinhança Solidária da região e, conforme orientações da PM local, realizou um upgrade que quebra alguns dos paradigmas da atualidade. É o caso da eclusa ou “gaiola”, que foi eliminada na portaria de pedestres (com o desenho do novo gradil), pois a segunda barreira para acesso à torre acabou transferida para os halls (social e de serviços), que ganharam fechamento eletromagnético. Também a biometria acabou descartada, de forma a evitar o risco de “caronas” na entrada dos moradores, uma vez que o bairro apresenta alto fluxo de pedestres e veículos, com inúmeros pontos comerciais.

De acordo com o síndico, o fato de haver moradores e funcionários antigos, em um número de unidades relativamente baixo, possibilitou tomar a decisão. Mas a guarita é integralmente blindada (vidros e alvenaria), e antes de sua construção o condomínio contratou um laudo estrutural de engenharia, já que ela foi reposicionada e fica sobre a laje da garagem.

Esta é a segunda vez que o condomínio reforça o sistema de segurança, agora radicalmente. Em 2016, quando iniciou o trabalho de síndico, Luiz Leitão encontrou 16 câmeras analógicas no prédio, posteriormente substituídas para 16 digitais com infravermelho. Na atual modernização, duplicou o número de câmeras, com modelos de melhor resolução, um HDR mais potente e tela de 32 polegadas para monitoramento (o síndico tem acesso às imagens através do celular). Toda fiação foi embutida e o padrão de iluminação melhorado, mas ainda não é o ideal, ressalva. O motor do portão externo da garagem foi substituído por um mais veloz. Entre obras civis, serralheria e equipamentos, os investimentos do condomínio chegaram a quase R$ 250 mil, diz. Com a guarita blindada (dotada de banheiro, lavatório e ar condicionado), o desafio será “mudar a cultura dos moradores, que costumavam conversar com os porteiros”. “Tudo foi feito para que eles não precisem mais deixar o posto.”

Síndica aposta em equipamentos de última geração

Síndico Wolfram Werther

A síndica Débora Ravani acompanha modernização em residencial que está implantando biometria com sensor de aproximação

A síndica profissional Débora Ravani está entregando “um novo sistema de segurança” num empreendimento de duas torres e 240 unidades, incluindo equipamentos de última geração, como um sensor de identificação biométrica para acesso em movimento de moradores cadastrados, o qual dispensa o contato físico.

“Será o segundo residencial no País a implantar esse tipo de leitor, instalaremos no segundo portão de acesso à garagem. Depois que o morador passar pelo primeiro portão, liberado via tag, em vez de o porteiro ter que abrir o segundo, o condutor do veículo o fará por meio dessa identificação biométrica por aproximação”, descreve a síndica. Este empreendimento possuía uma infraestrutura básica de CFTV (somente perimetral), clausura de pedestres e veículos, biometria e cartões, diz. No entanto, os procedimentos e a tecnologia de controle de acesso estão sendo incrementados por decisão da assembleia, depois de o projeto ter sido desenhado por uma comissão interna de segurança. Isso implicará ainda no upgrade do CFTV, que passará a ter 150 câmeras (cinco vezes a mais que o número inicial), abrangendo halls dos pavimentos e garagem. Débora destaca que o condomínio recorreu a duas consultorias diferenciadas para definir o escopo dos investimentos, uma específica para o CFTV, outra para o controle de acesso. Aqui, entrou também a mudança do padrão tecnológico dos motores dos dois portões da eclusa da garagem. “Eram dois motores por portão, agora ficou um só, de porte industrial, com fechamento mais rápido.”

Mas Débora pondera que “a parte eletrônica não funcionará se não houver colaboradores bem treinados e moradores conscientes e colaborativos”. “Tecnologia sem procedimento não funciona. Se o condomínio não for rígido na cobrança dos procedimentos, o investimento cairá por terra.” No residencial onde mora e atua como síndica profissional, de torre única e 58 unidades, é preciso, por exemplo, fazer cadastro do prestador de serviços e registrar seu horário de entrada e saída. “Às 17hs a portaria faz um checklist para observar se alguém ainda está no prédio”, explica.

Neste edifício houve grande incremento na segurança, pois o empreendimento foi entregue pela construtora apenas com interfone para as unidades e portaria, além da abertura automática do portão da garagem e de pedestre. “Não havia eclusa, nem entrada separada de moradores e prestadores de serviços. Tivemos que reforçar o gradil da frente do prédio e fazer as clausuras.” Débora implantou ainda biometria para acesso do morador, com catraca, o cadastro prévio do prestador de serviço e empregados regulares das unidades, tag para veículos e 23 câmeras, equipamentos que serão ampliados e levados para os halls dos andares.

Interfones: comunicação é essencial

A modernização do sistema de interfone do Condomínio Edifício Tropical era obrigatória. “Tivemos uma pane na antiga central, ficamos sem interfones durante três dias”, afirma a síndica Eliane Bezerra Martins, que neste ano substituiu o aparato antigo, que ocupava boa parte da mesa do porteiro. O prédio de 94 apartamentos, localizado na Barra Funda, em São Paulo, optou por um modelo digital, com tela touch. Além da central, Eliane teve que providenciar ainda a troca dos conduítes, já que os anteriores não comportariam o recebimento de uma nova fiação. “Agora está tudo em conformidade com a norma do Corpo de Bombeiros”, celebra a síndica, que conseguiu aprovar o investimento em assembleia depois da interrupção de três dias, mas não sem enfrentar a resistência de um condômino. De acordo com a Eliane, uma central de interfone operante é fundamental para a segurança do prédio, não apenas durante eventual sinistro de incêndio, mas também para coibir invasões.


Matéria publicada na edição - 251 - novembro-dezembro/2019 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.