Chuvas reforçam importância da impermeabilização nos condomínios

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O condomínio Edifício Tahiti se preparou ao longo do ano passado para enfrentar sem vazamentos e com segurança o atual período de chuvas em São Paulo.

Síndica Ana Tereza F. Simone

Síndica Ana Tereza F. Simone diz que, antes das obras, ficou “assustada” com degradação em lajes e demais estruturas, “mas confiante em nossa capacidade de enfrentar isso e resolver”

Residencial de mais de 30 anos localizado no bairro da Aclimação, zona central da cidade, o Tahiti contratou a instalação de cerca de 850 m2 de manta asfáltica em superfícies térreas (nos fundos, na frente e nas laterais) e na cobertura dos reservatórios superiores, além da troca dos telhados (sob os quais se instalou manta de alumínio).

Os serviços iniciaram no mês de junho de 2019, na cobertura das caixas d’água, depois desceram para o térreo, com substituição generalizada da manta e do piso na superfície e em uma rampa da garagem. Houve necessidade de remover jardins. A única área sem intervenção foi a da piscina, que já havia passado por obras em gestões anteriores.

A situação do prédio não permitia mais o adiamento de uma intervenção desse vulto, afirma a síndica orgânica Ana Tereza Falcão Simone, que assumiu a gestão em maio de 2018. De posse de um laudo de inspeção de mais de 649 páginas que contratou ainda naquele ano, a síndica soube que a situação dos dois subsolos da garagem e do ático pedia solução urgente. De acordo com o relatório, o sistema no térreo teria que ser “totalmente revisto e restaurado”, face às manifestações patológicas severas que despontavam em cortinas e lajes, com desplacamento, armadura exposta com corrosão, infiltrações, estalactites, eflorescência, percolação de água e calhas provisórias instaladas no teto para proteger os veículos.

Já no ático da torre, era possível visualizar a manta esfarelando, trincas, fissuras, ausência de juntas de dilatação e “proliferação de vegetação nas aberturas da proteção mecânica”. Dois dos apartamentos do último ano sofriam infiltrações recorrentes. Nos reservatórios também havia infiltração, além de outras manifestações patológicas, com risco de contaminar a água distribuída aos moradores.

Ana Tereza diz que, juntamente com a subsíndica e o conselho, e com apoio do engenheiro civil Gustavo Maluf Cury, o corpo diretivo estabeleceu a impermeabilização como obra prioritária no condomínio, apresentando em assembleia extraordinária um orçamento de mais de R$ 400 mil para os serviços, aprovado sob rateio extra em 30 parcelas. Uma segunda assembleia foi realizada para deliberar sobre a contratação das obras.

“Fiquei assustada quando vi o laudo da inspeção predial, sabíamos que o prédio tinha problemas, mas não desse jeito. De qualquer forma, ficamos confiantes em nossa capacidade de enfrentar isso e resolver. Agora, no começo de 2020, vamos fazer a obra de acessibilidade na frente e, na sequência, a modernização elétrica”, anuncia Ana Tereza. Segundo ela, apesar do custo e dos transtornos com a quebradeira na superfície térrea e nos jardins, não houve resistência entre os condôminos. “Eles estavam preocupados com a falta de manutenção e a perda de valor dos imóveis”, destaca.

Fundos do Condomínio Tahiti

Nos fundos do Condomínio Tahiti, todo o sistema teve que ser refeito (na imagem a situação anterior). Na próxima pág, após a obra. O acabamento ficou para este começo de 2020


Obra do Condomínio Tahiti

No momento, a obra se encontra em nova fase, iniciada em 14 de janeiro deste ano, com a implantação da rampa de acessibilidade. “Com toda a chuva que já caiu em São Paulo neste verão, não houve qualquer registro de infiltração, a obra passou no teste”, observa o engenheiro Gustavo Cury. De acordo com o profissional, as mantas substituídas eram originais do prédio e estavam se decompondo.


Quadra Condomínio
Tahiti

Imagens mostram a situação da quadra antes (abaixo) e depois das obras (ao lado) no Condomínio Tahiti. Observe a marca nas paredes, a manta deve subir pelo menos 30 cm

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Matéria publicada na edição - 253 - fevereiro/2020 da Revista Direcional Condomínios

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