Qual a remuneração justa para um síndico?

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Existem hoje em São Paulo padrões bem distintos de remuneração do síndico, seja o orgânico (morador) ou o profissional.

Para o síndico orgânico, predomina a isenção do rateio, exceto em condomínios de poucas unidades, onde o gestor renuncia a isso para não comprometer o orçamento do prédio. E, nos empreendimentos de centenas de unidades e muitas áreas de lazer, é comum o síndico local receber um pró-labore.

Entre os síndicos profissionais, as remunerações variam de R$ 1,5 mil a R$ 12 mil. Síndicos consultados pela Direcional Condomínios dizem, no entanto, que o valor de R$ 1,5 mil não se sustenta, independente do porte da edificação. “A conta não fecha”, pondera um deles. “O condômino precisa abrir o olho, ou essa remuneração diz respeito a um trabalho bem superficial pelo gestor, ou este tentará uma compensação de uma forma não transparente”. Em um prédio visitado pela revista, um antigo síndico profissional ganhava R$ 1,5 mil para fazer atendimento no local uma vez por semana, no horário do almoço. Ele deixou inúmeras pendências, da manutenção a falhas administrativas e passivos trabalhistas em aberto.

Qual seria então a melhor forma de obter uma r emuneração justa?

Aqui, os critérios mais praticados são: Estabelecer valor por unidade ou metro quadrado; por hora de serviço; pelo tempo que ficará à disposição do prédio durante a semana; pela idade da edificação; pela quantidade de áreas de lazer ou de contratos; sobre um percentual em cima do valor dos contratos etc. Alguns síndicos somam essas variáveis para definir um valor hora para cada tipo de condomínio. Na maior parte das vezes, porém, eles acabam surpreendidos com o tamanho real do trabalho e dos problemas ao assumir a gestão em um novo prédio.

síndica profissional Catia Ventura

TRANSIÇÃO FAZ TODA DIFERENÇA – Ex-comerciante e graduada em Direito, a síndica profissional Catia Ventura (foto) teve um bom tempo de transição para conhecer os meandros da gestão no condomínio onde mora, na Vila Carrão, zona leste de São Paulo. Com duas torres, 274 unidades e área de lazer completa, Catia foi conselheira, subsíndica, assistente do síndico anterior, até assumir o mandato em 2017 e ser reeleita no ano passado. Isso não significa falta de problemas, mas apenas ter um controle maior das situações, com possibilidade de planejar o caixa, as manutenções e as benfeitorias.

A condição acima é bem diferente àquela encontrada em um residencial de Guarulhos, com 23 prédios de cinco andares e 920 unidades, que assumiu no final de 2017. “Foi um susto”, diz. Havia 67% de inadimplência (que já caiu a 14%), dívidas trabalhistas, falta de dinheiro (hoje há uma boa reserva), inexistência de manutenção básica e conflitos. Para ilustrar, Catia observa que na área do estacionamento todas as lâmpadas estavam queimadas. Com o condomínio sem crédito, ela obteve autorização do conselho, em ata, para comprar os itens emergenciais com cartão de crédito próprio e ser reembolsada posteriormente. Outra medida emergencial foi realizar um checklist de todas as pendências e organizar as prioridades. Reeleita para uma nova gestão, Catia já obteve o AVCB e agora irá investir em uma academia de ginástica para os moradores, entre outras conquistas.

Em julho de 2019, ela começou em um terceiro condomínio como síndica profissional, na Mooca, onde se deparou com obras na fachada sem ART nem comprovação de treinamento dos funcionários da prestadora de serviços na NR 35 (norma para trabalho em altura). Aqui, a empresa rescindiu o contrato sem realizar mais de 60% dos serviços, mesmo tendo recebido quase 70% do orçamento aprovado pela assembleia. Ou seja, um imbróglio que herdou da gestão anterior. Muitas vezes, iniciar o trabalho como síndico em um novo prédio é como abrir uma verdadeira “caixa preta” de surpresas e problemas.


Matéria publicada na edição - 254 - março/2020 da Revista Direcional Condomínios

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