Apesar dos riscos, condôminos resistem a investir nas adequações elétricas

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Parece enredo de novela o percurso que o corpo diretivo do Condomínio Hyde Park enfrentou nos últimos seis anos para aprovar as obras de regularização e modernização elétrica da edificação entregue em 1979.

Síndica Cinthia Zaratini
e o conselheiro Luiz
Antonio Quartim Barbosa

Síndica Cinthia Zaratini e o conselheiro Luiz Antonio Quartim Barbosa: Enredo de novela para conseguiram a aprovação da modernização elétrica

Localizado no Brooklin, na zona Sul de São Paulo, com 18 pavimentos e 72 apartamentos, o residencial precisa não apenas corrigir intervenções ilegais e irregulares feitas ao longo do tempo no centro de medição pelos próprios moradores, sob autorização ou omissão da administração, como substituir componentes que já perderam sua vida útil, além de redesenhar o sistema para aumento da capacidade de carga. Com isso, poderá atender à demanda crescente pelo uso de ar condicionado nas unidades e, finalmente, viabilizar a expedição do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

Em processo conduzido pelo conselheiro e engenheiro elétrico Luiz Antonio Quartim Barbosa e pela síndica Cinthia Zaratini, os serviços de modernização elétrica do prédio deverão começar, finalmente, até o próximo mês de maio. As obras, a contratação da empresa e o rateio extra de 30 meses, necessário para os investimentos, estão aprovados em assembleia realizada no encerramento de 2019.

O enredo da “novela” enfrentou reviravoltas, afirmam Luiz Barbosa e Cinthia. Na última delas, em outubro do ano passado, uma assembleia extraordinária quis cancelar a deliberação de assembleia de um ano antes que aprovara as obras e o investimento correspondente. Isso depois de ter havido dezenas de reuniões do corpo diretivo para análise de alternativas técnicas e de orçamentos, de palestra realizada para os condôminos e de o projeto estar aprovado desde 2015 junto à concessionária pública de energia.

Luiz e Cinthia são moradores antigos e estavam atentos ao assunto desde que começaram a aumentar as instalações de ar condicionado nas unidades. A Convenção do prédio liberava o aparelho somente para o salão de festas. “Perguntávamos se a rede elétrica comportaria a sua instalação nos apartamentos”, afirma Luiz Barbosa, que é engenheiro elétrico. Quando Cinthia assumiu a sindicatura, em 2014, foi contratado um diagnóstico técnico do centro de medição, o qual apontou que, além de haver insuficiência de carga para as unidades agregarem esse tipo de equipamento, existiam adaptações ilegais e irregulares no local, promovidos por algumas unidades.

“Neste caso, o perigo é que o projeto da edificação prevê uma capacidade por unidade que esteja dentro da margem de segurança e em conformidade com as normas da concessionária”, observa Luiz. Segundo ele, o projeto executado pela construtora já estava no limite e, desde então, com novos usos e/ou as adaptações irregulares, o risco de sobrecarga se tornou uma constante.

Depois de tantas idas e vindas, um novo projeto está sendo reapresentado à concessionária de energia, que então poderá liberar o início dos trabalhos. A modernização será total, com mudança do sistema bifásico para o trifásico e elevação de carga de 40 ampères para 63 ampères para as unidades; reforma do setor de entrada de energia e do centro de medição; e introdução de novas prumadas (cabeamento), aproveitando-se o antigo duto das lixeiras.

Adequações de emergência marcam começo de gestão de síndica

Ao iniciar no meio do ano passado seu trabalho como síndica profissional em condomínio na Zona Norte de São Paulo, a economista Rosana Nichio precisou contratar uma vistoria de segurança e realizar, ato contínuo, uma espécie de “mutirão” em algumas instalações que havia anos se encontravam sem manutenção adequada; não só na elétrica, como na hidráulica e no gás. No caso da elétrica, a condição era precária nos quadros de distribuição de energia para os mais diferentes tipos de equipamentos da área comum, da portaria e iluminação às bombas de recalque. Tudo demandava intervenção imediata.

“Precisávamos promover atualizações urgentes não apenas pela segurança, como também para renovarmos o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), o que nunca foi feito”, afirma a síndica. No prédio, construído em 1993 e com vinte apartamentos de alto padrão, os serviços foram executados no mês passado, envolvendo readequações nos quadros das áreas comuns, no geral da administração, nos dos dois subsolos e no da portaria. Além disso, precisará ser feito um novo quadro para a bomba de incêndio.

Cada quadro passou por um diagnóstico prévio para o dimensionamento dos serviços necessários e do custo. Entre as intervenções feitas, alguns demandaram a implantação de novo fundo de placa metálica (a estrutura era de madeira chapeada); instalação de disjuntores termomagnéticos tipo DIN, “dimensionados conforme a seção dos ramais presentes nos circuitos”; identificação desses circuitos; instalação de novas chaves seccionadoras (quando o caso); de placa de policarbonato sobre os barramentos das fases, “para evitar contatos acidentais com partes vivas”; limpeza e organização da fiação etc.

“Na parte elétrica, tudo estava precário, as fiações, ligações e extensões, com riscos de curto circuito”, destaca Rosana. Agora, com a casa em ordem (o que inclui serviços nas instalações de gás e novo sistema de para-raios), a síndica dará início ao processo de renovação do AVCB.

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Imagens de quadros elétricos de condomínio na Zona Norte em São Paulo antes de sua adequação. Pela ordem, a partir da imagem do alto: Detalhe do antigo quadro de distribuição no hall térreo com fios desencapados; situação da instalação do aparelho de ar condicionado sobre a portaria; quadro anterior da portaria, com chave elétrica antiga e precariedade nos botões dos disjuntores; quadro de bombas anterior. Para exemplificar as intervenções realizadas, este quadro recebeu novos disjuntores termomagnéticos tipo DIN; novo comando com revezamento automático das bombas; identificação dos circuitos e do diagrama unifilar; sinalização de alerta (fotoluminescente) sobre a porta do quadro; além da limpeza e organização da fiação através de abraçadeiras de nylon e canaletas plásticas, entre outros.


Matéria publicada na edição - 254 - março/2020 da Revista Direcional Condomínios

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