Condomínios se adaptam ao impacto da pandemia do Coronavírus (Covid-19)

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Grande parte dos síndicos deu respostas imediatas, atendendo às medidas governamentais.

Síndico Wolfram Werther

Iniciativa divulgada pelo síndico profissional Ricardo Modesto em condomínio da Zona Sul de São Paulo

Na transição da 1ª para a 2ª quinzena deste mês de março, assim que o governo Federal, do Estado de São Paulo e do município lançaram decretos de estado de calamidade pública e portarias da saúde com o objetivo de conter o avanço do Coronavírus (Covid-19), os condomínios agiram prontamente. Os síndicos foram rápidos em adotar medidas para evitar a aglomeração de condôminos nas áreas comuns; de higienização; e alguns anteciparam ainda campanhas de vacinação contra vírus influenza, H1N1 e H3N2.

O fechamento provisório de playgrounds, espaços fitness, salão de festas e churrasqueiras, piscinas, entre outros, bem como o adiamento de assembleias, tornou-se quase um consenso. A maior parte dos moradores aderiu. E quando enfrentaram resistência, a administração usou da criatividade associada à firmeza das medidas. Os síndicos profissionais Leandro Massari e Renato Alves Sant'Anna contrataram um serviço de som para rodar um condomínio de 17 torres em Guarulhos e alertar que a quarentena não representa férias. Portanto, todos têm que se recolher às suas unidades pelo bem da saúde coletiva.

No tocante às assembleias, as principais dúvidas surgiram sobre aquelas que tinham na pauta a eleição do síndico. "Sem um representante legal, o condomínio é impedido de renovar os certificados digitais e, portanto, estão impossibilitados de providenciar pagamentos dos salários, fazer movimentação de contas bancárias e cumprir os compromissos de gestão do dia a dia", disse José Roberto Graiche Junior, presidente da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo). A entidade fez um apelo ao Governo e à Receita Federal para flexibilizar regras e/ou prazos.

Solidariedade

Por outro lado, os síndicos e condôminos protagonizaram iniciativas de solidariedade que ganharam as redes sociais. A síndica orgânica Christiane Riginik Castanheira, enfermeira-chefe do centro cirúrgico de um dos mais tradicionais hospitais de São Paulo, contou à Direcional Condomínios que os moradores se organizaram para fazer a limpeza do hall dos andares e elevadores a cada três horas, com água sanitária e desinfetante, em sistema de rodízio. Cuidados foram adotados na limpeza, como o uso de luvas (e máscaras caso a limpeza seguinte viesse três horas depois da anterior), bem como para a higienização posterior do rodo, panos e das próprias luvas. Com torre única, 56 unidades e quatro apartamentos por andar, o condomínio está localizado na zona Norte de São Paulo.

A síndica profissional Ana Josefa Severino também mudou a organização da limpeza do condomínio onde mora, em São Caetano do Sul, para diminuir a escala das funcionárias e, ao mesmo tempo, dar conta do aumento da quantidade de lixo descartado pelos moradores.

De diferentes lugares de São Paulo vieram notícias da mobilização de síndicos e condôminos mais jovens para ajudar as pessoas isoladas, pertencentes aos grupos de risco, para lhes fazer compras de alimentos, entre outros. A Direcional Condomínios publicou no site um cartaz para otimizar esse tipo de campanha, criado pela enfermeira Eli Ikuta, da área de Saúde Pública e Psicologia da Saúde, e do designer Philip Shimizu (https://www.direcionalcondominios.com.br/pdf/como-ajudar-coronavirus.pdf).

Por fim, em um condomínio de seis torres e 840 unidades de Osasco, o tenor Allan Vilches fez uma apresentação da sacada de seu apartamento na noite do dia 21 de março, iniciativa que teve o apoio do síndico Celso de Souza Lima e resposta emocionada dos vizinhos.


Matéria complementar da edição - 255 - abril/2020 da Revista Direcional Condomínios

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