Integração e manutenção, chaves de um bom sistema de incêndio nos condomínios

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Uma das primeiras normas técnicas lançadas neste ano pela ABNT trata das condições de operação das saídas de emergência em caso de incêndio. É a NBR 14.880/2014, que traz diretrizes para que se mantenham as escadas de segurança livres da fumaça, através dos sistemas de pressurização. O item compõe a lista de dezenas de equipamentos de um sistema de incêndio de um prédio, que passam por atualização periódica e precisam operar de forma integrada.

Um dos responsáveis pelo estudo e edição da norma, Carlos Cotta Rodrigues, engenheiro civil e de segurança do trabalho, alerta que 90% das mortes em incêndio decorrem da intoxicação pela fumaça. E no caso da pressurização, seu funcionamento depende do trabalho das centrais de detecção de fumaça e alarme (que estejam com a bateria carregada) e também dos geradores em dia, pois, na falta de energia e sem geradores, o sistema de controle da fumaça não funciona.

Carlos Rodrigues reconhece que a área é de “responsabilidade muito grande para o síndico e o gestor”, por isso, há necessidade de se garantir que os sistemas “conversem” e os equipamentos funcionem. Não adianta instalá-los de forma estanque. “Com três a quatro testes se consegue checar a integração disso tudo, pois as normas são interligadas”, ensina. O especialista é coordenador de Comissão de Estudos ligada ao Comitê Brasileiro de Segurança Contra Incêndio, da ABNT (ABNT/CB-24), além de Coronel da reserva do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Ele avalia que as ocorrências estão aumentando no Brasil, fruto de uma conjugação de fatores: falta de qualidade dos equipamentos, de integração e manutenção; insuficiência na formação de profissionais especializados em projetos; pelo envelhecimento das edificações; pelo aumento do consumo de energia, com a incorporação de novos aparelhos eletroeletrônicos no cotidiano; e pela ausência de testes mais frequentes nos sistemas das edificações.

E deixa um alerta: os síndicos devem se certificar da qualidade e idoneidade dos fornecedores de equipamentos. Há casos, segundo ele, de fontes que se especializaram em “fornecer produtos que enganem a vistoria”. Nesse sentido, o engenheiro finaliza com uma dica simples, mas valiosa aos síndicos: adquirir uma balança e pesar os extintores sempre que retornarem da recarga.

Matéria publicada na edição - 188 de mar/2014 da Revista Direcional Condomínios