Retrofit e os desafios na gestão da obra

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A pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) levou o síndico Helio Gomes Junior a suspender temporariamente as obras de retrofit da fachada do Condomínio Cervantes, no bairro da Consolação, zona central de São Paulo.

Condomínio Cervantes

Obras em andamento nas fachadas da frente (imagem abaixo) e dos fundos do Condomínio Cervantes. Nas imagens, é possível observar três diferentes estágios dos trabalhos: O antes, durante e depois (à esq. das imagens, percebe-se setor já concluído)

Os trabalhos seriam finalizados entre os meses de maio e junho deste ano, mas a quarentena reteve boa parte dos moradores dentro das 198 unidades de um dormitório ou quitinetes, muitos deles trabalhando em home office. A continuidade dos serviços os obrigaria a ficar de janelas fechadas, pondera Helio. Por isso, a decisão de somente retomá-los quando as pessoas puderem circular com mais segurança.

O condomínio de torre única, entregue nos anos 70, passa por ampla renovação da fachada, com troca da pastilha original por revestimento cerâmico na parte da frente e recuperação da alvenaria nos fundos. As obras foram iniciadas em abril de 2019, depois de cerca de dois anos de rateio extra. De acordo com a arquiteta Georgia E. Z. Gadea, que acompanha o processo desde a fase de escolha da empresa responsável pelo trabalho, uma obra desse vulto envolve importantes desafios que antecedem sua realização.

Eles se encontram, principalmente, na fase de planejamento da obra, em que é indispensável desenvolver um “projeto para a fachada, com suas diretrizes, para que a empresa que venha executar os serviços possa entendê-las”. Com base neste projeto, é possível ainda organizar uma concorrência equalizada em torno dos mesmos parâmetros, facilitando o processo de escolha da empresa que tenha “a melhor técnica, produto e melhor viabilidade financeira”.

Outro benefício do projeto é possibilitar “respeitar ao máximo a fachada” original. “As soluções devem ser as mais neutras possíveis, que valorizem a estética inicial”, explica. Segundo Geórgia, antes da contratação da obra no Cervantes, foram realizadas inúmeras assembleias com os condôminos para que se expusesse a necessidade da intervenção na fachada, bem como seus benefícios. Tudo foi votado em assembleia: “Tipo de cor, de revestimento, o projeto, a concorrência; todos participaram”. A arquiteta defende que quanto maior a participação e conscientização dos moradores nesta fase, mais “linear se torna a execução” depois.

Em quase doze meses de serviços, poucas foram as reclamações relativas à parte técnica, prontamente atendidas e corrigidas, aponta. “A obra foi muito bem planejada, com previsão dos equipamentos que deveriam ser instalados e cronograma mensal dos setores de janelas que teriam que permanecer fechadas, sem tela de proteção.” Entretanto, o período excessivamente chuvoso do início deste ano e, a partir da segunda quinzena de março, a quarentena, impactaram sobre o cronograma. A arquiteta observa que ajustar o cronograma da obra e informá-lo para o morador é o aspecto mais delicado durante a fase de execução dos serviços. “Às vezes ficamos tão preocupados com a questão técnica e da obra em si que não nos atentamos para o dia a dia do morador. Seu problema imediato não é a estrutura do pilar que está sendo recuperada, mas sim como conviver com a falta da tela quando há crianças e animais de estimação”, exemplifica.


Matéria publicada na edição - 256 - maio/2020 da Revista Direcional Condomínios

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