Obras com pastilhas envolvem recuperação artesanal e retrofit

Escrito por 

Saiba ainda quais os procedimentos adotados em condomínio com monocapa na fachada.

áreas com pastilhas

Nas imagens à esq., áreas com pastilhas retiradas para recuperação. Acima, setor finalizado. Obras prosseguem na quarentena

O grande volume de chuvas que caiu em São Paulo no começo de 2020, aliado a uma parada de 15 dias da obra por causa da pandemia do novo Coronavírus, acabou prolongando um pouco mais o tempo de recuperação artesanal da fachada de um condomínio localizado em Moema, na zona Sul de São Paulo. Com 44 unidades, duas por andar, e 32 anos de construção, a edificação se encontra às voltas com a intervenção na fachada desde o final de 2017. É um exemplo de que uma fachada com pastilhas requer serviço meticuloso e especializado.

De acordo com a engenheira civil Kelly Ramos de Lima, contratada pelo condomínio para acompanhar os trabalhos a partir de 2019, na primeira medição da obra, em 2017, o prestador de serviços então contratado havia dimensionado em 30 m2 a área de pastilhas soltas, a ser recuperada. Em maio de 2018 a empresa propôs um aditamento, aumentando a superfície para 400 m2. Diante disso, o condomínio suspendeu os trabalhos e, no final daquele ano, teve aprovada em assembleia a contratação de um laudo de engenharia, com teste de percussão, para um levantamento mais preciso. Este elevou para 1 mil m2 a superfície com problemas de aderência da pastilha.

Com o aumento do escopo, o condomínio foi orientado a promover um retrofit da fachada, retirando-se todo o material original e dando novo perfil de acabamento à superfície, com pintura ou textura ou, ainda, outro tipo de revestimento cerâmico. Mas os custos com a obra ficariam, respectivamente, entre R$ 1,4 milhão a R$ 3 milhões, o que levou os condôminos a rejeitarem a ideia. Muitos deles também não queriam modificar a concepção arquitetônica do prédio, lembra a síndica moradora, que preferiu não se identificar.

A alternativa foi contratar uma empresa especializada em pastilhas, para retirá-las e mandá-las para novo empastelamento, de forma que pudessem ser reaproveitadas, já que o material original não está mais disponível no mercado. Ou seja, é um trabalho artesanal e demorado, diz a engenheira Kelly Ramos. Por isso, o condomínio decidiu retomar as obras na quarentena, revendo as etapas do trabalho, de forma a adiar o serviço no setor onde ficam as janelas dos dormitórios, e adotando-se critérios de proteção dos trabalhadores. São seis no total, que se deslocam com veículo próprio, passam pela medição da temperatura sempre que chegam ao prédio, usam EPI, assim como áreas exclusivas (banheiro e local para refeição).

A recuperação da fachada no prédio envolve o tratamento de fissuras e recomposição pontual do emboço. Segundo a engenheira, para executar esse tipo de serviço artesanal, é preciso contratar um andaime (plataforma/balancim) para evitar que a pastilha caia e quebre. Mas é impraticável recuperar 100% delas, afirma, por isso, o condomínio tem retirado o material dos muros para complementar a fachada.

Eng. Civil Kelly Ramos

A Eng. Civil Kelly Ramos em plataforma montada para trabalho artesanal de recuperação das pastilhas (foto); na foto abaixo, pastilhas retiradas (no balde) e, ao lado, recuperadas para a sua reinstalação


Prédio no Paraíso

Face da fachada em recuperação no condomínio do bairro do Paraíso (à esq. da imagem, trecho com textura, novo sistema de acabamento

Prédio no Paraíso

Na foto, lateral do prédio quase concluída. A parte da frente da fachada é de concreto aparente, que será revitalizado


Matéria publicada na edição - 257 - junho/2020 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.