“Porque decidimos pintar a monocapa”

Escrito por 

Um condomínio entregue há cerca de oito anos em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, com seis torres e 840 apartamentos, começou em março passado as obras de recuperação da fachada, depois de assegurar que não haja prejuízos para a ação judicial que move contra a construtora.

A superfície foi projetada em monocapa, uma argamassa mineral aplicada já na pigmentação a ser dada à fachada. Em reportagem publicada na revista Direcional Condomínios em maio de 2019, o engenheiro Jorge Aranda González explicou que a tecnologia requer “aplicação técnica inicial criteriosa [na fase construtiva], atendendo-se ao padrão de espessuras recomendadas pelo fabricante”.

Neste condomínio, porém, laudos de engenharia identificaram manifestações patológicas decorrentes da construção. De acordo com o síndico profissional Celso de Souza Lima, as principais são: “Muita ocorrência de condensação, que gera bolor dentro das unidades; calafetação malfeita ou ausente nas janelas, e; trincas que provocam infiltração”. “São três fontes de umidade atuando dentro dos apartamentos, nessa ordem de importância”, completa.

O condomínio move ação contra a construtora e, para que pudesse iniciar as obras de recuperação da fachada, realizou “um processo de produção antecipada de provas para podermos nos resguardar em relação ao final das garantias”. “Contratamos antes um laudo e, baseado nesta demanda, o juiz nomeou um perito judicial, que realizou seu trabalho no condomínio em 2019, analisando in loco a procedência ou não o laudo da perícia do condomínio.” O processo está em andamento, na fase de manifestação das posições do condomínio e da construtora.

A obra

Mesmo que haja a orientação de fabricantes para que a monocapa não seja pintada, e sim que passe por lavagem a cada três anos, Celso Lima observa que a assembleia de condôminos deliberou pela pintura depois do tratamento das trincas e calafetação das três mil janelas de todas as torres. Segundo o gestor, a decisão foi tomada porque “pintar ou não a fachada não irá interferir no problema da condensação da fachada”. Além disso, a recomposição da monocapa nos pontos de tratamento de trincas precisa envolver grande área, de maneira a obter uma certa homogeneidade. “Nos muros do estacionamento, por exemplo, onde havia muita monocapa oca identificada pelo teste de percussão, retiramos a argamassa e refizemos uma grande área, senão, esteticamente ficaria complicado”. Por isso a decisão de pintar, “pela questão estética e porque, do contrário, teríamos que lavar a cada três anos”. “Todos esses fatores foram discutidos em assembleia e os moradores chegaram à conclusão de que será mais benéfico fazer a pintura.”

Com previsão de 14 meses de obra, o condomínio espera que até maio do próximo ano possa proporcionar salubridade e conforto estético e ambiental aos seus moradores.

Recuperação da fachada prossegue na quarentena – As obras de recomposição da argamassa na fachada central de uma das duas torres do Condomínio Spazio Vernice, na zona Oeste de São Paulo, acontecem de forma ininterrupta desde o mês de fevereiro. De acordo com a síndica orgânica Erika Koepke, o serviço emergencial foi contratado pois, no final do ano passado, alguns condôminos começaram a perceber que havia partes soltas do reboco entre as varandas das salas das unidades e no balcão abaixo delas. “Foi tudo muito rápido. Contratamos uma perícia de engenharia e no teste de percussão constatou-se que havia muita argamassa oca, não podíamos nos arriscar e parar a obra na pandemia”, observa a gestora. Erika afirma que “os moradores foram bem compreensivos pela urgência do trabalho”. “Eles sugeriram, inclusive, que interditássemos a área de circulação onde a obra está sendo realizada.”

A síndica prevê pelo menos um ano de serviço, já que o trabalho é praticamente artesanal. Ele implica na retirada das redes e do envidraçamento das varandas, uma a uma. Após a conclusão da primeira torre, será feito o teste de percussão na outra para dimensionamento da obra e novo contrato. Uma terceira etapa envolve a realização de testes de percussão nas faces laterais, onde ficam as varandas das suítes. Por fim, as áreas tratadas receberão textura e pintura (tom de areia no setor das varandas das salas e camurça no restante da fachada).


Matéria publicada na edição - 258 - julho/2020 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.