Emergências no condomínio, saiba como agir

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Queda de energia, de árvores, falta d’água, alagamentos, pessoas presas nos elevadores, invasões no prédio, mal súbito, falecimentos no apartamento: Ocorrências de natureza diversa devem encontrar profissionais preparados para o seu pronto encaminhamento, conforme plano de contingência a ser adotado pelo condomínio.

Síndico profissional em quinze condomínios, Nilton Savieto costuma separar as ocorrências emergenciais entre aquelas ligadas à manutenção dos sistemas operacionais, de outras relacionadas aos incidentes nos apartamentos e/ou aos serviços públicos.

Para situações de entupimento, vazamento, problemas nas bombas d’água, portões, entre outros, o síndico diz que as ações emergenciais estão atreladas aos Programas de Manutenção Preventiva. “Damos muita atenção a essa manutenção, o que nos possibilita detectar com antecedência sinais de desgaste ao longo do tempo e diminuir as emergências. Mas se houver problemas, nossos contratos de manutenção preveem atendimento 24 horas, durante sete dias na semana, do prestador de serviços. E com tempo de atendimento previamente estabelecido, por exemplo, para o elevador determinamos até 20 minutos para uma resposta às situações fora da normalidade.”

Se esse intervalo não puder ser cumprido, Savieto orienta os funcionários a chamarem os bombeiros caso haja alguém preso no elevador. Para isso, “o intercomunicador da cabina tem que funcionar”. “O zelador precisa fazer um teste diário nesses equipamentos, isso faz parte da manutenção preventiva. Ou seja, para lidar com emergências, você precisa ter as ferramentas funcionando. Nesse sentido, é fundamental ainda que os porteiros tenham acesso às imagens das câmeras dos elevadores. Porque se houver uma parada, o porteiro conversa com a pessoa pelo intercomunicador, orienta que ela fique sentada, que não faça nada, pois o resgate já sendo acionado. O condomínio não deve mexer, em hipótese alguma, nos elevadores, por exemplo, não deve tentar reiniciar o equipamento na tentativa de fazê-lo voltar ao pavimento. E se na volta ele der um tranco e isso provocar algum problema na pessoa que está presa?”, questiona o síndico.

Portanto, para cada tipo de operação e/ou instalação do condomínio há um processo predeterminado, a exemplo, ainda, das bombas de recalque: “Temos um sistema de controle dos reservatórios que nos possibilita agir antes que o morador sinta o problema de falta d’água”.

Prevenção com idosos

Uma das faixas etárias mais vulneráveis às emergências no condomínio são os idosos que vivem sozinho, observa Savieto. Por isso, ele orienta que os porteiros liguem diariamente para esses moradores, pela manhã. “É uma ação preventiva, tenho prédios com muitos idosos que moram sozinhos e não recebem visita ou chamados frequentes da família. O porteiro se torna a única pessoa de contato constante. E nesse momento da pandemia temos auxiliado ainda com a compra de alimentos e remédios.”

Outra ação delicada diz respeito às ocorrências de mal súbito e óbito. “Para mal súbito, temos um plano de emergência com três frentes de ação: Contatar parente próximo (fazemos atualização constante deste cadastro); atuar para controlar a situação interna (temos maca e cadeira de rodas em todo prédio, mas não é feita massagem cardíaca); acionar o socorro (192/Samu; 193/Corpo de Bombeiros).” Savieto destaca que os funcionários recebem treinamento regular de Primeiros Socorros junto com o da Brigada de Incêndio, para saberem lidar mediante pânico no apartamento, foco de incêndio etc. “Eles devem acionar o socorro enquanto atuam para manter a calma no ambiente. O objetivo é controlar a situação, não se deve fazer qualquer ação física. Não convêm, por exemplo, ter desfibrilador no prédio se não houver uma pessoa treinada para o seu uso.”

Quanto a ocorrências de óbito, a primeira ação a ser adotada pelo condomínio é acionar a família e, na sequência, a Polícia Militar, através do 190. “Um familiar deve estar sempre presente. E se tiver que arrombar a porta da unidade chamo o chaveiro, mas sempre com o policial junto, não podemos entrar no apartamento sem uma testemunha. Com a certeza do óbito, a família deve adotar os encaminhamentos necessários e/ou aguardar a remoção do corpo pelo IML quando não tiver ninguém para emitir o atestado ou, ainda, quando for morte suspeita.”

síndico profissional Cristovão Luís Lopes

Uso de trituradores nas pias causa obstrução no esgoto - O síndico profissional Cristovão Luís Lopes (foto) afirma que “a obrigação do síndico é preparar seus funcionários para saber o que fazer e como agir nas emergências”. “Caso eles não saibam agir, o responsável é o síndico, pois faltou orientação e treinamento.” De outro lado, é preciso orientar os condôminos para fazer também a sua parte, como acontece em alguns tipos de entupimentos na rede de esgoto. “O uso de triturador nas pias de cozinhas é um crime nos prédios. Ao sair o detrito do apartamento, acaba o problema do morador e começa o do síndico, porque se forma uma ‘pasta’ que obstrui as instalações e trava bombas. Outro problema é o descarte de papel e objetos como brinquedos e preservativos nos vasos sanitários”, completa. Luís Lopes lembra que a própria Sabesp, concessionária do serviço de saneamento básico na Capital Paulista, desaconselha o uso de trituradores. Em seu site, a companhia alerta que o óleo presente no lixo jogado no ralo da pia atua como aglutinador de outros materiais descartados, prejudicando “ainda mais o fluxo de esgoto”.

Violência no condomínio

No dia 8 de julho passado, o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 2.510/2020, posteriormente encaminhado para análise (em andamento) na Câmara dos Deputados, que determina que síndicos e moradores denunciem casos de violência doméstica. Para o advogado Cristiano De Souza Oliveira, o Brasil dispõe de inúmeros instrumentos legais que já asseguram proteção às pessoas em situação de maior vulnerabilidade à violência. São os estatutos da Criança e do Adolescente, do Idoso, dos Animais e dos Portadores de Deficiência, por exemplo. Além disso, “ao escutar a palavra ‘socorro’, qualquer pessoa no condomínio deve acionar o telefone 190, da polícia, e o atendente, por sua vez, deve responder e dar encaminhamento ao chamado”. “O 190 tem que atender à sociedade, que impõe a todos a tutela da garantia da vida”, diz.

O síndico Nilton Savieto observa que em casos de violência doméstica, orienta os zeladores a avisá-lo assim que tomam conhecimento de algum fato, para que se faça uma primeira tentativa de uma abordagem cuidadosa, oferecendo ajuda. E mediante o insucesso e a persistência de gritos ou pedidos de socorro, a polícia é acionada.


Matéria publicada na edição - 259 - agosto/2020 da Revista Direcional Condomínios

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