Síndicos inovam em eventos para conter aglomerações

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Grandes condomínios costumam trazer uma agenda anual de festas para integrar moradores e usufruir de sua infraestrutura. Mas sem poder aglomerar, por causa da pandemia da Covid-19, síndicos têm apostado em lives e eventos gastronômicos tipo delivery, garantindo, assim, a diversão e renda extra para condôminos e entidades.

Síndico

Conselheiro e guitarrista, Robert Chiaparim Ugolini ajudou a criar a banda Quarentena Plaza para animar o condomínio; grupo levou apresentações para outros residenciais

A Banda Quarentena Plaza vem repercutindo nas redes sociais e na mídia tradicional com as apresentações que tem promovido em condomínios de São Paulo e Osasco desde abril passado. Formada por sete moradores do Condomínio Plaza Maior Vila Leopoldina para oferecer uma alternativa de entretenimento aos vizinhos, a banda cativou os empreendimentos do entorno, avançou para novas regiões e começou a transmitir os shows. Também ampliou seus propósitos, ao iniciar uma campanha para levantar recursos para a Casa de Repouso Nova Esperança, de Embu das Artes, onde também se apresentou. Até o mês de agosto, o grupo havia arrecadado R$ 35 mil para ajudar na reforma do asilo, afirma o guitarrista Robert Chiaparim Ugolini, conselheiro do Plaza Maior, localizado na zona Oeste de São Paulo. Foram treze apresentações em cinco meses, embaladas por um repertório predominantemente pop (nacional e internacional).

Condomínio-clube com cinco torres e 350 apartamentos, o Plaza Maior teve sua grade de eventos esportivos e sociais interrompida pela pandemia. A banda ajudou a quebrar a tensão inicial da quarentena, em um bairro que se tornou surpreendentemente silencioso e vazio logo após o distanciamento social determinado pela Prefeitura e o Governo do Estado, no final de março.

“Na parte do evento estávamos parados até que esses moradores, na pegada de ajudarem os vizinhos, montaram a banda. Depois criamos um formato de ‘evento boteco’, toda sexta-feira, no happy hour, com fornecedores de chope, churrasco e churros”, relata o síndico profissional Roger Prospero. Os moradores fazem os pedidos pelo celular, descem para retirá-los, “respeitando protocolo, uso de máscaras, sem consumo no local” e “vão embora”. O condomínio retomou a feira livre semanal e realizou a festa junina anual no mesmo formato.

Roger acredita que a agenda tradicional permanecerá suspensa até pelo menos o final de 2020, mesmo que a cidade de São Paulo entre na fase verde do plano de controle da pandemia do novo Coronavírus, pois os eventos com aglomeração não estarão liberados. Em relação ao Halloween e Natal, o síndico pretende decorar as áreas comuns. Já a banda deve repensar o modelo dos shows “para evitar aglomerações”, pontua Robert, argumentando que as pessoas estão circulando mais pelos condomínios com a liberação gradual das áreas comuns. De qualquer maneira, o grupo permanecerá ativo e se coloca à disposição de outros condomínios para novas apresentações, sempre voluntárias (contatos através do Instagram, pelo endereço @bandaquarentenaplaza).

“As pessoas estão conscientes”

O síndico profissional Demilson Bellezi Guilhem também administra condomínios- clube que possuem uma agenda anual de eventos direcionados aos moradores. “Mas até agora não tive demanda, as pessoas estão conscientes dos eventuais riscos que isso possa gerar. Tenho contratado dois instrumentistas para lives nas áreas comuns, um violinista e um saxofonista, que fazem a apresentação de repertório pop, pop-rock, MPB e sertanejo. Os moradores podem interagir por meio do Instagram, pedir músicas e mandar mensagens.” No sábado véspera do Dia dos Pais, em 8 de agosto, o show aconteceu no Condomínio Quality House Lapa, zona Oeste de São Paulo. Já em Osasco, no Condomínio Jardins do Brasil, a Banda da Polícia Militar do Estado fez uma exibição percorrendo as áreas comuns, evento que teve arrecadação de brinquedos para serem doados a entidades sociais.

No início das apresentações, o síndico obteve um patrocínio da construtora dos empreendimentos. Na sequência, começou a remanejar recursos de manutenções suspensas no período (pelo fechamento de áreas comuns) para pagar os músicos. Demilson pretende seguir nessa linha, pois não vê, por ora, possibilidade de retomar a agenda convencional.


Matéria publicada na edição - 260 - setembro/2020 da Revista Direcional Condomínios

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