Pandemia: novas rotinas e impacto no calendário do condomínio

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Enquanto adaptam as regras de uso das áreas comuns para evitar o contágio do novo Coronavírus, os síndicos buscam viabilizar assembleias para aprovar obras e retomar neste final de 2020 o plano de manutenção que estava previsto para o 1º semestre do ano. E novas rotinas se incorporam à vida condominial.

síndico André Giffoni
higienização no acesso de
pedestres

O síndico André Giffoni e o conselheiro Feliciano Amaral; acima, área de higienização no acesso de pedestres, com caixa de máscaras descartáveis (na mesa, à esq. da imagem) confeccionadas pelos moradores

Desde o final de março passado cerca de 15 moradores do Condomínio Jardins de Geneve atuam voluntariamente numa espécie de linha de produção para confeccionar máscaras descartáveis de TNT duplo, seguindo a norma técnica ABNT NBR 15.052/2004. Na fase inicial da quarentena chegaram a ser produzidas e doadas 1 mil máscaras por semana, número que pôde ser baixado a 100 atualmente. Condôminos também têm se revezado para auxiliar na jardinagem, plantaram 600 mudas neste período e ajudaram na revitalização do espaço zen. Composto por duas torres e 148 unidades, o condomínio localizado na região do Jabaquara, zona Sul de São Paulo, reforçou nos últimos meses a ênfase social de sua gestão, com vistas a minimizar o impacto da Covid-19 sobre a coletividade.

“Temos muitos idosos, 55% dos moradores têm mais de 60 anos, sempre buscamos desenvolver uma programação de eventos sociais e, com a quarentena, realizamos assembleia para definir novas regras, criando atividades de jardinagem que viessem a compensar o isolamento”, relata o conselheiro Feliciano Amaral Souza. “Isso gerou atividade física, estimulou as pessoas a descerem e a interagirem com os demais." O condomínio adotou protocolos de prevenção e já no final de março disponibilizava na área da portaria: pia com torneira, sabonete líquido, toalheiro, álcool gel, tapetes sanitizantes, lixeiras e uma caixa das máscaras descartáveis para doação. Na época, o síndico André Giffoni Albuquerque conseguiu comprar 14 galões de álcool gel 70%.

jardineira

Detalhe de jardineira cujos cuidados têm o apoio de condôminos

Feliciano é o responsável pelos cortes do TNT para a produção das máscaras, pelas ações na jardinagem e coordenador da Comissão de Obras. No entanto, todo o corpo diretivo do condomínio se reveza em diferentes funções administrativas e faz a gestão interna das obras, observa o síndico André. No momento, está em andamento a recuperação dos subsolos de garagem, serviço iniciado em julho de 2020. A obra, que faz parte de um plano de 32 intervenções definido em princípios de 2018, já estava aprovada em assembleia, mas houve uma breve parada nesse processo no pico da quarentena, até que em uma consulta aos condôminos, eles ratificaram o começo da obra. Paralelamente, o condomínio promove a revitalização de uma área externa de 300 m2, transformada em pet place e que recebeu parte das mudas plantadas pelos moradores. São atividades que tiveram cronograma e procedimentos readequados em função da pandemia, mantendo-se o foco nos interesses coletivos e na valorização patrimonial.

recuperação de vigas e colunas

Obra de recuperação de vigas e colunas do 1º subsolo de garagem, iniciada em julho. Revitalização envolve ainda tratamento do piso e pintura dos dois subsolos do prédio

“Mudou a realidade da gestão em 2020”

Síndica Nilvea Alcalai

Síndica Nilvea Alcalai, do Condomínio Chácara Alto da Boa Vista: “A pandemia mudou totalmente a realidade da gestão em 2020” (na foto à esq., faixa orienta sobre o uso obrigatório de máscara no local)

 

Já a síndica profissional Nilvea Ito Ricardo Alcalai precisou rever toda a programação de 2020 do condomínio- -clube que administra, o Chácara Alto da Boa Vista, em Santo Amaro, zona Sul de São Paulo. Com 11 torres e 920 apartamentos, o condomínio teve que se reinventar com a quarentena. “De repente nos vimos com 3.500 moradores dentro de casa, recebendo cerca de 200 motoboys por dia, precisando tomar decisões sem muitas orientações das autoridades. Conforme o governo decidia suas ações, procurávamos adaptá-las à realidade do condomínio”, descreve Nilvea, moradora que assumiu a gestão do empreendimento em janeiro de 2019.

Com área total de 100 mil m2, o condomínio fechou, num primeiro momento, todas as áreas de lazer (incluindo os equipamentos de um clube interno, com piscinas, restaurante, academia e salão de beleza). Esses espaços começaram a ser liberados gradualmente após a adoção de um Código de Conduta de prevenção à Covid-19, no mês de junho. Já para o uso da academia foi customizado um aplicativo da administradora para reservas de horários a um número limitado de pessoas. A escala de parte dos 150 funcionários mudou para 12X36, enquanto alguns trabalhadores do grupo de risco tiveram contratos modificados com base na MP 936/2020. Quanto aos fornecedores, “90% dos contratos foram renegociados por pelo menos 3 meses, pois estamos trabalhando com a previsão orçamentária de 2019”, justifica Nilvea.

A síndica teve ainda que adaptar o planejamento de obras, já que preferiu deixar para este mês outubro, após testes na plataforma da administradora, a assembleia ordinária de 2020, visando à deliberação sobre as contas de 2019, a previsão orçamentária do ano e contratações. Na sua programação, estão previstas a implantação da fase 2 do novo sistema de segurança; a reestruturação organizacional; a recuperação do piso das calçadas internas; a reforma das quadras poliesportiva, society e de squash (piso); e a reforma elétrica do clube. “Isso tudo demanda deliberação de assembleia, são melhorias que dependem de rateio. A pandemia mudou totalmente a realidade da gestão em 2020”, arremata Nilvea.


Matéria publicada na edição - 261 - outubro/2020 da Revista Direcional Condomínios

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