Edifícios saudáveis promovem bem-estar físico e mental

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A qualidade do ambiente impacta diretamente sobre a saúde física e mental, afirma a arquiteta Eleonora Zioni, graduada e pós-graduada pela Universidade de São Paulo, especializada em Cultura de Saúde e Edifícios Saudáveis pela Harvard T. H. Chan School Of Public Health, nos Estados Unidos.

Arquiteta Eleonora Zioni

Arquiteta Eleonora Zioni, que atua com foco na sustentabilidade e saúde

Profissional da área de certificação LEED (selo mundial de sustentabilidade), autora de livros e docente na pós-graduação da Faculdade Israelita Albert Einstein, em São Paulo, Eleonora observa que é possível levar uma perspectiva integrativa à gestão do condomínio residencial, baseada na sustentabilidade, saúde e neurociência, favorecendo o convívio harmonioso.

“O conceito de saúde da OMS (Organização Mundial de Saúde) envolve o bem-estar físico, mental e social. Com iniciativas ligadas a esses três flancos, o síndico poderá ajudar na saúde do condomínio como um todo. Poderá exercer uma liderança que mobilize as pessoas para a integração social, além de desenvolver ações que criem uma percepção individual de bem-estar”, observa. Do ponto de vista da área edificada, esta sensação deriva do conforto térmico, acústico, lumínico, ergonômico, olfativo e visual. Também resulta da vegetação, “que é importante para nos lembrar que somos parte da natureza, quanto mais próximos dela, melhor nos sentimos”, acrescenta.

Desta forma, ao proporcionar experiências que mobilizem “boas memórias, percepções e sensações”, o condomínio colhe bem-estar (fenômeno que pode ser explicado pela neurociência). De outro modo, a especialista sugere que os síndicos incentivem os condôminos a também fazer a sua parte na melhora do conforto, como instalar revestimento acústico sob o piso e no forro do teto, minimizando o impacto dos ruídos que emite e recebe. “É importante formar uma rede saudável, perceber que os ambientes moldam nosso comportamento. O conforto faz parte da saúde humana”, encerra Eleonora.

Complexo Júlio Prestes

DIVERSIDADE FAVORECE TOLERÂNCIA – Na região da antiga Rodoviária de São Paulo, no bairro da Luz, destacam-se sete novos prédios residenciais do Complexo Júlio Prestes, voltados a famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. As áreas comuns e os apartamentos exibem instalações modernas, como a medição individual do consumo d’água e elevadores de última geração, além de plantas funcionais de dois dormitórios. E a convivência entre os moradores tem sido tranquila, mesmo na quarentena e a despeito do grande desafio que enfrentam pela vizinhança com a Cracolândia, um problema social delicado e de elevado potencial conflitivo.

De acordo com os síndicos profissionais Sérgio Fernandes (à dir. na imagem) e Rubens dos Santos Filho (foto), há menos reclamações e conflitos entre vizinhos no interior dos prédios quando comparados a condomínios que administram em regiões mais abastadas da Capital. Sérgio Fernandes e Rubens são síndicos das torres Campos Elíseos e Cleveland, respectivamente com 158 e 60 unidades.

Ambos elegem duas principais razões para a relativa calmaria observada no Campos Elíseos e no Cleveland: A parceria público-privada responsável pelo empreendimento desenvolve um trabalho contínuo de assistência social com os moradores, explicando-lhes as particularidades da vida em condomínio, como a necessidade de haver horários restritivos de obras e mudanças para evitar barulho, por exemplo; de outro lado, são pessoas que já moravam na área central da cidade e estão “mais acostumadas à diversidade”. “Essa vivência cultural favorece a tolerância”, afirmam. “São pessoas muito tranquilas e receptivas, elas nos procuram mais para tirar dúvidas”, completam os síndicos.


Matéria publicada na edição - 261 - outubro/2020 da Revista Direcional Condomínios

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