Pandemia: Final de ano adaptado nos condomínios

Escrito por 

Os condomínios estão de olho nos planos de flexibilização do governo para definirem como irão comemorar o final do ano. E para aqueles que não conseguiram promover assembleia virtual até o dia 30/10, prazo dado pela Lei Federal 14.010/2020, é possível convocar reuniões nesse formato, esclarece o advogado Cristiano De Souza Oliveira.

Síndica

Síndica Ivana Latanza: Moradores deverão dizer em novembro se querem ou não a reabertura do salão de festas, espaço gourmet e churrasqueira

Para o calendário de 2020, a síndica Ivana Latanza já havia programado uma festa junina e recreação para as crianças no mês de julho, quando veio a pandemia do novo Coronavírus. A sequência da história é a mesma de outros residenciais: Áreas de lazer fechadas, eventos suspensos. Este é o segundo ano de vida do condomínio, o Solar da Saúde, prédio de 64 unidades localizado na região do Sacomã, zona Sudeste de São Paulo. Moradora, Ivana Latanza fez a implantação do condomínio, hoje com cerca de 70% da ocupação, e tem consultado os vizinhos para liberar ou não as áeras.

“Fazemos pesquisa de opinião entre os moradores e, até outubro, a maioria optou pela não reabertura do salão de festas, churrasqueira e espaço gourmet. Faremos nova enquete em novembro propondo abrir esses espaços em dezembro, vamos aguardar, eles são muito procurados pelos condôminos.” A ideia de promover eventos num condomínio tão jovem surgiu da necessidade de fazer com que os moradores se conhecessem e passassem a manter um convívio social, afirma. Assim, Ivana realizou em julho do ano passado uma primeira confraternização, promoveu a festa do dia das crianças e outra de chegada do Papai Noel.

Mas para o final de 2020, o cenário permanece indefinido, à espera dos desdobramentos da pandemia.

Luzes de Natal: Inauguração sem aglomerar

Para a síndica profissional Jailma A. Brito, os condomínios têm procurado seguir a programação do governo (Plano São Paulo) para avançar na flexibilização da quarentena. A atual fase verde está valendo desde o dia 10 de outubro; é a segunda menos restritiva. “Mas sempre que reabro um espaço, espero um período de quarentena de 15 dias para liberar outros, para ver como se comporta o condomínio.” Na verdade, é preciso ainda evitar aglomerações. No condomínio-clube Residencial Verde Morumbi, na zona Sul de São Paulo, Jailma deverá promover o show de um quarteto de cordas para marcar a inauguração das luzes do Natal na fachada dos prédios e “resgatar a sensação de paz e calmaria que esse período nos traz, pois tivemos um ano muito difícil”.

Com 400 apartamentos, três torres e área de 12 mil m2, o Verde Morumbi costumava ter grandes festas antes da pandemia, como o halloween e o festival de food-truck, que chegou a reunir 500 pessoas nas noites de sextas-feiras. Esses eventos foram cancelados e substituídos pela ida pontual de um delivery por vez, para retirada do alimento pelo morador. Já as feiras-livres das quartas-feiras foram retomadas depois de 15 dias de suspensão; e as barracas do pastel, chope, hamburguer e churrasquinho voltaram após dois meses sob os mesmos protocolos válidos para os restaurantes da cidade.

Também a síndica profissional Roseane de Barros Fernandes vai aguardar o desfecho do processo de flexibilização do governo para organizar a agenda do final de ano. Em outubro, ela sentia “as pessoas tímidas e inseguras” em alguns condomínios. Em um deles, em Taboão da Serra, a insegurança aumentou depois que um prédio vizinho teve vistoria da Vigilância Sanitária após denúncia; o órgão teria interditado áreas e aplicado multa ao condomínio por falta de uso de máscara (A reportagem da Direcional entrou em contato com a Prefeitura da cidade, que não retornou a um pedido de informação até o fechamento desta edição). Já em outro residencial que a empresa de Roseane administra, um condomínio-clube no Tamboré, Região Metropolitana de São Paulo, o movimento de flexibilização foi antecipado em relação a muitos outros prédios, “pois eles têm um clube separado”. Ali, churrasqueiras e salões gourmet começaram a ser liberados na segunda quinzena de agosto, com protocolos.

Síndico

ESPAÇO OFFICE FACILITA VIDA DE MORADORES – O síndico Marco Antonio Marcondes (foto no espaço office) foi o primeiro morador do Condomínio Link Cambuci, residencial com 133 apartamentos (de estúdio a 1 e 2 dormitórios) implantado há cinco anos na área central de São Paulo. O condomínio nasceu dentro do conceito de serviços, por isso, há um espaço office para uso dos moradores (com bancadas, mesa e internet). O ambiente esteve fechado no auge da quarentena, até julho passado. A partir de agosto, o condomínio começou a liberar gradualmente os seus espaços, mediante protocolo e número limitado de pessoas. Já a churrasqueira, o forno de pizza e salão de festas permaneciam fechados até o final de outubro. Segundo Marco, a liberação desses ambientes dependerá do avanço no controle da pandemia, pois eles envolvem abrir as portas para visitantes.


Matéria publicada na edição - 262 - nov-dez/2020 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.