Edificações antigas, uma “pós-graduação” aos síndicos

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A contratação e a execução de obras sempre trazem surpresas, mas em prédios muito antigos, como o Edifício São Nicolau, na Praça da República, Centro de São Paulo, o inesperado faz parte do pacote e traz um aprendizado extra.

síndico Marco Aurélio Braga

O síndico Marco Aurélio Braga promove há quatro anos modernização de segurança nas instalações do Edifício São Nicolau. A ideia é restaurar o que for possível, mas neste ano ele foi surpreendido pela Prefeitura, que arrancou o mosaico português da calçada

Com 70 anos e tombado pelo Patrimônio Histórico, o edifício se encontra em processo de recuperação estrutural desde 2016, quando o condômino Marco Aurelio Braga Marco assumiu a sindicatura. Com ela, veio a urgência de investir em instalações mais seguras, sem que pudesse, no entanto, contar com uma documentação prévia da estrutura local, contexto agravado por adaptações mal feitas ao longo do tempo.

“Tínhamos sete ou oito gambiarras puxando energia de um lugar para outro”, exemplifica o gestor, acrescentando que inexistia quadro de distribuição da rede elétrica para as áreas comuns. Os 26 apartamentos eram abastecidos por botijões de gás, vetados assim que Marco implantou o sistema de canalização. Os dois elevadores foram modernizados e, no momento, o condomínio espera um serviço da concessionária de energia para finalizar o retrofit elétrico.

“Há muitos problemas nos prédios mais antigos relacionados ao fato de não termos as plantas hidráulicas, elétricas, das unidades, entre outras. Gastamos bastante tempo prospectando as instalações”, diz. O tempo é gasto também com o inesperado: Um dos projetos do condomínio era restaurar sua calçada em pedras portuguesas, padrão de todo o quarteirão entre a Avenida Ipiranga e a Rua Araújo. Entretanto, dentro do processo de “requalificação das calçadas públicas”, a Prefeitura surpreendeu o gestor no meio deste ano ao arrancar tudo, descartar as pedras e cimentar o pavimento.

“Não nos consultaram. Jogaram quatro anos de trabalho fora em relação à calçada, vamos recuperar, mas isso nos obrigará a refazer todo o planejamento”, destaca o síndico, que é advogado e preside a Associação PraCidade, criada em dezembro de 2019 para justamente discutir ações junto ao Poder Público e iniciativa privada, de forma a revitalizar os prédios tombados da Capital Paulista.


Matéria publicada na edição - 262 - nov-dez/2020 da Revista Direcional Condomínios

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