Novos paradigmas no controle de acesso dos prédios residenciais

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O condomínio Residencial Villa Mariana, empreendimento com duas torres erguido há 17 anos no coração do bairro que o batizou, possuía muros e grades baixas, além de uma portaria recuada junto ao corpo de um dos seus prédios.

guarita blindada

Na imagem à dir., a nova fachada da frente do Condomínio Residencial Villa Mariana, com guarita blindada, eclusa na área de pedestres, vidros e gradil renovados. Na imagem à esq., na visão de dentro, destacam-se acessos segmentados para moradores e prestadores de serviços

De acordo com a síndica Taís Suemi Nambu, o residencial acabou invadido, o que serviu de gatilho para que os condôminos decidissem investir na implantação de um sistema de segurança robusto, não apenas na parte de equipamentos quanto arquitetônico. Novos acessos, dispositivos eletrônicos e guarita blindada entraram em operação neste ano, em plena pandemia. O condomínio possui 128 apartamentos.

“Era uma portaria afastada e não havia separação entre entrada social e de serviços. Além disso, temos grande rotatividade de moradores, metade é locatária, o que dificultava sua identificação pelo porteiro. Individualizamos a entrada de pedestres e implantamos biometria para os moradores. O volume de acessos é muito grande, então, para o porteiro ficou melhor, pois ele fica praticamente no controle dos visitantes”, afirma a síndica. De acordo com Taís, o desenho do novo sistema atendeu às sugestões dos próprios funcionários. “Conversei muito com os porteiros e o zelador, pois a construção da guarita foi para atender também às necessidades deles, que apontavam vulnerabilidades, problemas de visualização etc. Sou muito parceira de meus funcionários, valorizo o feedback deles, é muito importante para obtermos um alinhamento.”

Comportamento de segurança (I)

O condomínio também investiu no reforço dos equipamentos, a exemplo das câmeras, iluminação, proteção perimetral e biometria. “Faço monitoramento das imagens das câmeras pelo celular, mas ainda precisamos instalar mais. Optamos pelo comodato desses equipamentos, de forma que eles possam estar sempre atualizados.” Entretanto, Taís ressalta que “o principal, seja em portaria presencial ou remota, é o morador colaborar com a segurança, esperar sua vez de entrar, de colocar a biometria, não pegar carona na entrada do prédio. O que adianta instalar clausura e biometria se o condômino deixa um ‘carona’ entrar achando que é morador? Assim ele fragiliza e derruba todo sistema”, alerta a síndica, que reside no condomínio.

Portaria virtual (Remota)

Em outro condomínio residencial que administra, como síndica profissional, no bairro da Aclimação, em São Paulo, Taís Suemi faz um balanço positivo de um ano de implantação da portaria remota. Ela assumiu a gestão em junho de 2018, em mandato tampão. Hoje está no segundo mandato, para o qual foi reeleita em assembleia híbrida realizada no dia 14 de outubro passado. Com 68 unidades, o condomínio optou pela portaria remota visando, num primeiro momento, baixar os custos, já que toda sua equipe de controle de acesso era formada por vigilantes, categoria profissional com piso salarial mais elevado que os porteiros.

“Na assembleia do dia 14, apresentamos as contas já com uma grande economia na parte ordinária. Viramos o jogo com a portaria remota, estávamos com um déficit gigantesco. No começo houve muita crítica e medo pelo fato de não haver pessoas no atendimento presencial, mas hoje os moradores têm outra percepção”, relata a síndica. Segundo ela, os moradores perderam “algumas comodidades”, mas ganharam dois benefícios. “Do ponto de vista financeiro foi muito bom, antes não sobrava dinheiro para manutenção básica.” Já do ponto de vista da segurança, a síndica percebeu uma melhora. “É uma experiência excelente, recomendo para condomínios pequenos.

A empresa instalou câmeras robustas em pontos mais vulneráveis do prédio. Investimos em infraestrutura e serralheria, como na clausura. Instalamos nova central de interfone. Nesses tempos de pandemia não tive preocupação com falta de funcionários. Os moradores estavam muito desconfortáveis na hora de implantar, mas hoje não tenho queixa”, reitera a síndica.

Comportamento de segurança (II)

No entanto, eles precisam “aprender a cuidar da própria segurança” para que o sistema tenha eficácia. Taís exemplifica: “Não pode ficar conversando com portões ou portas abertas [como as dos halls]; precisa aprender a usar os equipamentos [biometria]; é preciso descer para pegar encomenda”. Aqui está uma das comodidades que o condômino perde com a portaria virtual: Nem sempre o zelador (funcionário orgânico do prédio) está disponível para receber uma mercadoria, “ele não pode deixar de fazer o seu serviço”, explica.

Cuidados para implantar a portaria remota

Com o caixa no azul em pleno ano da pandemia, a síndica profissional observa que os condôminos estão animados para fazer os investimentos de manutenção e recuperação que o prédio precisa, como na fachada, além da aquisição de um gerador. A assembleia de 14 de outubro decidiu pela criação de uma comissão de moradores que irá discutir os próximos investimentos. Também aprovou um rateio extra para a fachada e decidiu que o dinheiro economizado com a portaria remota irá “para outras melhorias”.

Para os síndicos interessados em implantar o sistema, em que um funcionário remoto, estabelecido em uma central de operações, faz, via internet ou rádio, o atendimento do visitante, Taís deixa algumas dicas “essenciais”:

- Pesquisar e visitar empresas do segmento, para conhecer o seu QG e verificar “a real capacidade técnica que possui para prestar o serviço”;

- Conversar com a equipe técnica para tirar as dúvidas operacionais, sobre o dia a dia do sistema;

- Observar como é feito o tratamento das informações;

- “Prestar atenção de onde virão os recursos necessários à implantação";

- “Compartilhar muito as informações com os moradores, momento em que surgem as dúvidas práticas, concretas”; e,

- Planejar o processo com o apoio de uma comissão de condôminos.

“O assunto é muito sério, todos precisam estar seguros, deve ser apresentada uma proposta bem estruturada, sem furos, pois é um sistema que no começo gera insegurança e ansiedade”, diz.

De acordo com a síndica, “a portaria remota é mais segura que a humana, os atendentes da central não caem na enrolação dos golpes, eles são muito rígidos com o atendimento do protocolo”.

Configuração mínima do ambiente interno da guarita

As mudanças recentes no paradigma do controle de acesso incluem a redefinição do interior das guaritas. De acordo com a arquiteta Geórgia E. Z. Gadea, “uma guarita não pode ser só bonita, seu ambiente interno deve ser funcional e preparado para receber toda a tecnologia envolvida com o sistema de segurança e oferecer ao porteiro condições ideais para o desempenho das suas tarefas”. Desta forma, o projeto arquitetônico precisa garantir a ele:

- Ampla visão de todo o perímetro frontal e acessos;

- Área para recebimento e guarda de encomendas.

- Banheiro e copa interna;

- Blindagem arquitetônica (quando a guarita estiver exposta à rua);

- Climatização.

- Infraestrutura elétrica, hidráulica etc. para instalação de todos os sistemas de segurança;

- Bancada de trabalho e botoeiras adequadas


Matéria publicada na edição - 262 - nov-dez/2020 da Revista Direcional Condomínios

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