Retrofit: nova realidade de valor, uso e manutenção

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Nos edifícios residenciais mais antigos, técnica favorece novos usos, moderniza sistemas, atende à acessibilidade, promove a sustentabilidade ambiental, valoriza os imóveis e facilita manutenção.

Tudo que se renova atualmente nas edificações procura conferir maior desempenho aos espaços ou equipamentos, economia no consumo de recursos como água e energia e melhor aproveitamento dos usos. No caso do retrofit, além de todos esses ganhos, as edificações são favorecidas ainda nas manutenções futuras. Segundo o engenheiro civil Elorci de Lima, apesar de a origem de seu termo em inglês estar ligado à “reforma”, o retrofit vai muito além; ele visa a “revitalizar, atualizar e modernizar as edificações através da incorporação de materiais e de novas tecnologias”. E envolve, inclusive, equipamentos (elevadores, sistemas de ar-condicionado etc.) e áreas urbanas, como a remodelação da Praça Roosevelt, em São Paulo, concluída há pouco tempo.

No caso dos edifícios residenciais, o retrofit tem sido aplicado, sobretudo, na transformação de vãos em áreas comuns de lazer (brinquedoteca, fitness, espaço gourmet, de convivência etc.); na adaptação para a acessibilidade; nas garagens; e em novo tratamento estético e de conservação das fachadas, enumeram os engenheiros Elorci de Lima e Henrique Salia. Na primeira situação, os ambientes de lazer “agregam valor ao apartamento e determinam uma nova dinâmica de utilização a espaços antes ociosos ou mal distribuídos”; no segundo, “contribuem para determinar a diferença de preço entre duas unidades com a mesma metragem, localização e idade”, explica Henrique Salia.

Um dos cases recentes em que o engenheiro atuou, no Condomínio Personal Home Alto da Lapa, localizado na zona Oeste de São Paulo, a mudança é visível. Lançadas de forma padronizada ao lado de outros prédios pela mesma incorporadora, há cerca de uma década, suas duas torres pareciam fazer parte de um único conjunto, mudando apenas o tamanho das unidades. Para diferenciá-las e se criar um perfil de acabamento adequado para um imóvel de quatro dormitórios e duas vagas de garagem, houve uma renovação completa da fachada, com troca da cor (o que exigiu aprovação unânime dos condôminos) e aplicação de detalhes em pastilhas e pintura texturizada. O Personal Home ganhou outra aparência e se destaca hoje entre os edifícios vizinhos, em um projeto que consumiu dez meses de trabalho, entre sua concepção, aprovação em assembleia e execução da obra.

Como uma obra de retrofit necessita “de minuciosos estudos técnicos e elaboração de projetos nas mais diversas especialidades, a conservação é facilitada, não apenas pelo maior volume de informações documentadas e arquivadas corretamente, como pela busca de soluções técnicas que facilitem a manutenção futura”, arremata Elorci de Lima. Para Henrique Salia, “retrofitar, ao invés de dispêndio de dinheiro, de despesa, significa investimento e sua motivação principal é revitalizar os edifícios”, finaliza.

Matéria publicada na edição - 184 de out/2013 da Revista Direcional Condomínios