Gestão orçamentária, o principal desafio dos síndicos em 2021

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O síndico profissional Wolfram Werther ilustra que os condomínios residenciais estão “a 200 km/h desde o início da pandemia”, por causa das incontáveis novas demandas que caem sobre a mesa dos gestores, em função, principalmente, do home office.

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Síndico Wolfram Werther: “O estado de pandemia permanece, como fechar essa equação?”

Segundo ele, tem havido sobrecarga sobre funcionários, maiores quebras de elevadores e bombas, aumento do consumo de água e energia. “O estado de pandemia permanece, como fechar essa equação?”, questiona. Wolfram acredita que o ano apresenta desafios notadamente orçamentários: “Haverá pressão do IGPM sobre contratos com prestadores de serviços, assim como das tarifas de água, gás e energia elétrica”. Com isso, sua expectativa é que sejam convocadas mais assembleias extraordinárias para votar rateios extras necessários aos investimentos.

Preparando o caixa

O administrador Omar Anauate, diretor de Condomínio da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), observa que as previsões orçamentárias a serem deliberadas em 2021 terão que buscar alguma margem para reajuste. “Vamos propor o mínimo possível, mas sempre caso a caso, pois há condomínios com pouca gordura na previsão. Não adianta, por outro lado, aprovar um índice abaixo do necessário, pois, neste caso, a previsão atenderia apenas às contas dos primeiros meses deste ano.”

Em 2020, a maioria dos condomínios aprovou a previsão orçamentária sem majorações, afirma. “Só houve aumento do estritamente necessário, como o dissídio dos funcionários, em prédio que não tinha como absorver isso.” Por outro lado, o dirigente da Aabic recomenda cautela na hora de se negociar novos valores nos contratos, lembrando que o percentual cheio do IGPM de 2020 não reflete necessariamente o aumento dos custos de determinados setores. “O fornecedor não pode contar com o IGPM para repor os descontos anteriores”, alerta.

Veio para ficar

Nesta contabilidade, os custos com limpeza e demais protocolos preventivos à Covid-19 devem continuar a absorver um percentual inédito da conta ordinária. “De duas limpezas diárias que fazíamos antes na academia, passamos a realizar a cada três horas ao longo do dia. Isso impacta no custo”, destaca a síndica Nilvea Alcalai, que está gastando mais com insumos e precisou readequar a distribuição de tarefas de sua equipe. Também a promoção de assembleias presenciais, híbridas ou virtuais demanda mais verba e suporte dos condomínios, situação que deverá permanecer em 2021.

Como ficam os protocolos contra a Covid-19?

A síndica profissional Ana Josefa Severino se deparou no início do ano com o recrudescimento do número de casos de Covid-19 em condomínio. A síndica teve que fechar novamente áreas comuns de um residencial que administra em São Caetano do Sul, na Região Metropolitana de São Paulo, durante uma semana em janeiro passado. Motivo: 14 moradores das 64 unidades do prédio estavam com diagnóstico confirmado da doença. O fechamento foi uma tentativa de evitar novas contaminações, ujstifica Ana Josefa.

A gestora prevê que protocolos como o agendamento prévio para o uso de espaços como academias, a diminuição da taxa de ocupação ou o veto às churrasqueiras e salões de festas, entre outros, deverão permanecer pelos próximos meses dentro dos condomínios. Já a síndica orgânica Christiane Riginik Castanheira, enfermeira-chefe do centro cirúrgico de um grande hospital de São Paulo, observa que é preciso continuar com a higienização constante de equipamentos e áreas comuns, além do uso obrigatório de máscaras e distanciamento. Não à toa, até a metade de janeiro passado a síndica Nilvea Alcalai tinha o registro de que 40% do total de casos de Covid-19 no condomínio-clube que administra haviam sido notificados entre os meses de dezembro e começo de janeiro; “foram 14 somente nos primeiros dias do ano”, arremata.

A orientação da Aabic é que os condomínios continuem a utilizar os critérios do governo do Estado (de maior fechamento ou flexibilização) e as orientações das autoridades de saúde para definirem as normas internas. “Eles devem permanecer atentos ao cenário e adaptá-lo às especificidades de cada um” [tamanho, frequência de uso etc.], pontua Omar Anauate.


Matéria publicada na edição - 264 - fev/2021 da Revista Direcional Condomínios

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