Mão de obra nos condomínios: organizando funções, tarefas e benefícios

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Gestão de escalas, horas extras, benefícios, necessidade de treinamento e alta rotatividade são os principais desafios que os síndicos encontram para uma boa política de recursos humanos. Esta pode começar por uma melhor organização das funções e tarefas e avançar com estratégias de fidelização dos bons profissionais.

Uma das novidades da atual Convenção Coletiva que rege os contratos de trabalho dos funcionários dos condomínios da cidade de São Paulo foi a introdução do vale-refeição no valor de R$ 5. O benefício não só impôs uma mudança na contabilidade mensal da folha de pagamentos, quanto desobrigou os condomínios a fornecerem ambiente específico para a alimentação dos trabalhadores. Este item dá uma boa medida de como os síndicos e administradores condominiais devem ficar atentos à gestão da mão de obra, área que demanda atenção diária.

Omar Anauate, diretor de Condomínios da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), observa que não há outro caminho senão cuidar da qualificação e reciclagem constante dos profissionais, além de administrar, no dia a dia, estratégias para estabilizar, orientar e fidelizar o funcionário. Existe ainda, é claro, toda uma legislação trabalhista a ser cumprida, bem como dispositivos da Convenção e normas relativas à segurança e saúde no ambiente profissional, entre outras.

Segundo ele, face à escassez de mão de obra em alguns setores, especialmente em momentos de aquecimento das atividades na construção civil, uma boa alternativa para os síndicos reterem bons profissionais é ampliar a carteira de benefícios, incluindo, por exemplo, a assistência médica. Ele reconhece, porém, que o atual dissídio já está "bem generoso", o que aumentou um pouco mais o custo da mão de obra no rateio das taxas condominiais (um percentual que varia entre 50% e 60% dos gastos mensais, calcula Omar). Também o vice-presidente de administração imobiliária e condomínios do Secovi em São Paulo, Hubert Gebara, acredita que a concessão de "seguro saúde" ou serviços similares configure boa alternativa de política de mão de obra nos condomínios.

LIÇÃO BEM FEITA

Para a síndica Maria Virgínia Santos, há quase duas décadas à frente do Condomínio Conjunto Residencial Interlagos, na zona Sul de São Paulo, a cultura organizacional do empreendimento tem dado certo. Atualmente com 57 funcionários diretos, entre zelador, equipe administrativa, porteiros, pessoal de limpeza e manutenção, Virgínia comemora o fato de que em todo o período de sua gestão, o condomínio jamais tenha sido condenado a pagar qualquer reclamação trabalhista pleiteada por ex-funcionários. Na verdade, foram no máximo cinco demandas judiciais, emenda Virgínia, que dá expediente em tempo integral na administração, conduzida em sistema de autogestão. Ainda assim, o condomínio conta com os serviços de uma administradora, que cuida, por exemplo, do processamento da folha de pagamentos.

"Isso aqui é uma empresa, fazemos reuniões constantes com os funcionários, promovemos ajustes, setorizamos as atividades, oferecemos convênio médico, café da manhã e da noite, além do ticket para compras no mercado e do vale-refeição", enumera. Não à toa, o índice de rotatividade é baixo e os funcionários da manutenção acabam fazendo benfeitorias no condomínio, como a construção em andamento de uma pista de caminhada no entorno da área comum. "É uma equipe que me deixa gratificada", reconhece Virgínia, uma portuguesa que veio ainda criança para o Brasil e se mostra incansável para gerir as sete torres com 728 apartamentos, espalhadas nos 44 mil metros quadrados do bonito Residencial Interlagos.

 

Matéria publicada na Edição 182 da Revista Direcional Condomínios.