Oriente os condôminos contra maus tratos e riscos à saúde dos animais

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A médica veterinária da prefeitura, Simone Zahary Pires Brandão, se emociona quando fala dos animais domésticos. Ela observa certo modismo entre algumas pessoas, que ao adotá-los se esquecem de colocar na balança os compromissos que terão com eles por toda uma vida. "É preciso lembrar que eles sentem fome, frio, medo e têm sentimentos, criam vínculos. É outra vida que está do outro lado." Simone recomenda aos síndicos orientar os moradores, deixando-lhes algumas dicas.

PASSEIO

A primeira delas é lembrá-los que o passeio não deve ser visto como momento de os pets fazerem suas necessidades. A saída diária de casa é essencial para que tomem sol, se exercitem e se socializem com outros animais, explica a médica. Mas atenção: a lei municipal obriga o uso de coleira.

DEJETOS

Quanto à urina e fezes, é preciso habituá-los a fazer dentro da unidade, em um canto reservado para isso, de preferência utilizando-se tapetes higiênicos descartáveis, produzidos com um gel que mantém o lugar seco e sem cheiro. E uma dica é fundamental: os bichos não gostam que sua comida fique próxima desses locais, que devem ser limpos constantemente. Simone Zahary esclarece que é instintivo os animais urinarem nos espaços abertos, pois assim marcam sua "dominância" (território). De qualquer maneira, é necessário estimulá-los a fazer em casa, o que diminui bastante a incidência de urina nas calçadas. E quando saem para passear, os donos devem carregar uma garrafinha com água e desinfetante para jogar sobre o xixi, defende Simone. Já no caso das fezes, a médica reitera a obrigatoriedade legal de coleta dos dejetos pelos donos dos animais.

CASTRAÇÃO

Outra forma de inibir a urina é providenciar a castração do animal antes que entre em fase de procriação. Os machos podem ser castrados já a partir dos dois meses, diz Simone (O serviço é oferecido gratuitamente pela prefeitura de São Paulo, confira abaixo).

Mas outro hábito comum em relação aos animais acaba de ser proibido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CMFV). É a chamada caudectomia, amputação ou corte da cauda de cães para fins estéticos. A medida foi baixada através da Resolução 1.027, de 18 de junho de 2013.

DOENÇAS

Além dos transtornos causados aos pedestres pela sujeira na calçada e o mau cheiro, os dejetos podem causar doenças aos adultos, crianças e aos próprios animais, destaca Simone. Suas fezes em ambiente aberto favorecem o ciclo de vida de agentes causadores de doenças, como as verminoses. Há riscos ainda de contaminação com o bicho geográfico, toxoplasmose etc. E mesmo que eles estejam devidamente tratados e vacinados, podem ser infectados em um simples passeio, assim como seus donos e as demais pessoas.

ABANDONO

Deixar o animal sozinho por muito tempo gera não apenas barulho e incômodo aos vizinhos, como causa estresse ao próprio bichinho. "Ele pode desenvolver dermatite para chamar atenção", exemplifica a médica veterinária. Além disso, Simone diz que é um mito achar que os gatos, por serem mais independentes, não se importem com a solidão. "Eles se adaptam bem dentro de casa, mas também sentem falta dos donos, gostam de andar no ambiente externo e podem desenvolver estresse e dermatite face o abandono."

SERVIÇO GRATUITO

O Programa de Controle Reprodutivo de Cães e Gatos, ligado à Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, realiza cirurgias de esterilização (castração) gratuitas, por meio de entidades conveniadas e clínicas veterinárias contratadas pela prefeitura, informa a Coordenação Especial de Comunicação da pasta. As entidades realizam as cirurgias através de mutirões mensais, em várias regiões da cidade. É necessário fazer um cadastro prévio com orientação para a cirurgia. Para mais informações, o interessado deve contatar o Centro de Controle de Zoonoses no início de cada mês, pelo telefone (11) 3397-8900. Já as clínicas veterinárias contratadas estão localizadas em vários bairros das quatro macros regiões de São Paulo. Confira os procedimentos e locais de castração gratuita de cães e gatos no município de São Paulo.

Por Rosali Figueiredo, em entrevista com Simone Zahary, médica veterinária da Prefeitura de São Paulo, coordenadora do Programa de Proteção e Bem-Estar de Cães e Gatos do Município de São Paulo (Probem), vinculado à Secretaria Municipal da Saúde.

 

Matéria publicada na Edição 181 - jul/2013 da Revista Direcional Condomínios