Condomínios sustentáveis: economia em benefício da vida

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5 de junho foi celebrado pela ONU como Dia Mundial do Meio Ambiente, data importante para lembrar e valorizar iniciativas dos condomínios em favor da sustentabilidade. Além de diminuir gastos ao final do mês, algumas medidas ajudam, por exemplo, a atenuar a emissão de carbono, que segundo a ONU terá efeitos drásticos sobre o clima em no máximo 20 anos.

São Paulo acaba de ganhar o primeiro edifício residencial sustentável, uma torre de 80 apartamentos de dois dormitórios construída na Chácara Klabin, zona Sudeste da cidade. Para receber a Certificação Aqua (de origem francesa), o empreendimento teve que cumprir com 14 critérios ecológicos, o que incluiu desde o uso de um tipo de cimento menos poluente e de madeira controlada, à concepção arquitetônica que favorece maior luminosidade e ventilação natural, contém uma pequena estação de tratamento de água para reúso nas caixas de descarga, e possui sistema de energia solar.

Segundo a construtora, a economia de energia e água poderá chegar, respectivamente, a 40% e a 27% sobre um residencial convencional. No entanto, mesmo entre esses edifícios, já consolidados, é possível racionalizar o consumo dos insumos, conforme revela a iniciativa de muitos síndicos e síndicas. Eles têm se mobilizado para reduzir a produção de lixo e o gasto com água e energia; reciclar e reaproveitar materiais; manter áreas verdes permeáveis; aproveitar melhor a iluminação e ventilação naturais; controlar ruídos; cuidar das calçadas nos passeios públicos; diminuir a emissão de gases e poeira; e instalar equipamentos e lâmpadas mais modernas e eficazes.

PIONEIRISMO NO REÚSO E COLETA SELETIVA

A síndica Nelza Gava de Huerta, à frente do Condomínio Edifício Maison Du Rhone há mais de 15 anos e membro do Conselho de Síndicos do Secovi-SP, notabilizou-se entre seus pares em 2007 ao implantar um sistema de captação da água da chuva e reaproveitamento dos descartes das máquinas de lavar roupa e da lavagem dos pisos das áreas comuns. Foram construídos cinco tanques, que armazenam 33 mil litros. No prédio de Nelza, uma torre de mais de 30 anos e 35 apartamentos, as sete prumadas de água impediram a individualização do consumo, o que levou a síndica a optar pelo abastecimento via poço artesiano, o qual recebe manutenção anual. E quando há necessidade, recorre-se aos tanques do reúso, principalmente para lavar as áreas externas, água que é novamente captada, tratada e disponibilizada.

Os condôminos pagam hoje à Sabesp apenas a taxa mínima de esgoto, comemora Nelza. Mas ela defende que o benefício maior recai sobre o meio ambiente, preocupação constante no Maison Du Rhone, que também foi um dos pioneiros em coleta seletiva. Localizado no Campo Belo, zona Sul da cidade, o condomínio se uniu aos vizinhos no final dos anos 90 e chamou uma empresa de São Bernardo do Campo para levar o material reciclável, antes mesmo que a prefeitura da Capital implantasse o programa de coleta seletiva e começasse a fazer a retirada em sua rua.

Também a área de energia recebeu atenção especial do condomínio, com a instalação de lâmpadas econômicas nas áreas comuns e jardins, além de sensores de presença e temporizadores nas partes internas. De qualquer maneira, o prédio é beneficiado por um projeto arquitetônico que disponibiliza luz natural a todos os halls internos e escadarias, de cada um dos pavimentos. Finalmente, a síndica providenciou a instalação de filtro no gerador cabinado, solução que ajuda a diminuir ruídos, e implantou um rico parque arbóreo com floreiras e árvores ornamentais e frutíferas. Ali, a vegetação é composta por bromélias, catleias, orquídeas, tipuanas, pinheiros e pés de romã, laranja, limão, caqui, banana, pitanga e amora, entre outros, parte contendo placas de identificação.

AFINAL, O QUE É SER SUSTENTÁVEL?

Muitas das soluções adotadas pelos síndicos resultam de determinação legal. Por exemplo, São Paulo tem legislação que obriga à manutenção de área mínima permeável nas edificações, impede o corte de árvores sem autorização, obriga à instalação de filtros nos geradores, disciplina o horário da coleta urbana do lixo e impõe multas pesadas aos condomínios com calçadas mal conservadas. Segundo o advogado Michel Rosenthal Wagner, o País oferece amplo escopo de leis federais, estaduais e municipais que procuram disciplinar a ocupação do solo, o uso dos recursos naturais e o equilíbrio urbano (incluindo leis do silêncio e de limpeza e pintura das fachadas, entre muitas outras). O próprio Código Civil impõe práticas aos síndicos e condôminos favoráveis à sustentabilidade, especialmente o Artigo 1.336, que preza a salubridade, saúde, segurança e sossego no ambiente.

"A sustentabilidade envolve o desenvolvimento urbano e os benefícios que ele pode trazer à qualidade de vida em cinco aspectos: econômico (com racionalização do uso de energia, água, mudança de comportamento etc.); social (leis que protegem o solo e a vegetação contra o aquecimento global); ambiental (tratando-se de um ecossistema mais equilibrado); político; e histórico-cultural." "Um reverbera sobre o outro", observa Michel, explicando, por exemplo, que no âmbito político, entram a disposição e dedicação dos síndicos em realizar uma boa gestão de todos esses recursos. E o lado cultural ganha com a preservação das edificações e de toda a história que as envolve.

A ideia é "gerir a propriedade em função do coletivo", defende Michel, já que a sustentabilidade pressupõe o compromisso das gerações atuais em garantir a vida para as gerações futuras. Relatório divulgado em 2007 pela ONU, no caso, ratificou que os efeitos prejudiciais da emissão de carbono sobre a mudança climática estão cientificamente comprovados. Isso significa o risco real da intensificação de secas, ventos, chuvas e ondas de calor em no máximo 20 anos.

Matéria publicada na Edição 180 - jun/2013 da Revista Direcional Condomínios