Como escolher produtos socioeficientes para seu condomínio

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O síndico, ao decidir trocar ou modernizar equipamentos e materiais do prédio que administra, deve considerar a ecoeficiência dos produtos, como vida útil, eficácia, procedência, gasto de energia e possibilidade de reciclagem, entre outros. A recomendação é de Emiliano Graziano, gerente de Gestão para a Sustentabilidade da Fundação Espaço ECO, ligada à BASF e à agência alemã GIZ, órgão de cooperação técnica internacional do governo alemão. Na entrevista abaixo, Emiliano destaca muitas outras ações sustentáveis que os síndicos e condôminos podem adotar em prol da sustentabilidade e aborda a ecoeficiência das lâmpadas disponíveis no mercado.

Direcional Condomínios – De que maneira  síndicos e condôminos podem contribuir para a sustentabilidade? Seria uma combinação entre mudança de hábitos de consumo, troca e modernização das instalações e reciclagem?

Emiliano Graziano – O conceito de sócioecoeficiência e o pensamento baseado no ciclo de vida dos produtos e processos deve ser o principal condutor das ações de troca e modernização de equipamentos e materiais e também para direcionar a mudança de hábitos e reciclagem de produtos.

De uma forma simples, isso significa que ao se promover uma troca ou modernização de equipamentos e materiais, um síndico de condomínio residencial ou comercial deve levar em conta alguns aspectos como a origem do substituto (seu local de fabricação), dando preferência a equipamentos produzidos, ou pelo menos montados o mais próximo possível do seu condomínio. Também deve ser pensado pelo síndico, se para esta mesma função desempenhada, há alguma outra possibilidade de utilização de outros equipamentos/produtos, ou seja, se é possível inovar de alguma maneira e encontrar alternativa para desempenhar a mesma função.

Para as mudanças de hábitos ou reciclagem de produtos, o pensamento de ciclo de vida deve ser o principal guia e apoiador da decisão do síndico. Deve ser levado em consideração se há algum uso alternativo para os produtos antes da sua reciclagem. Os processos de reciclagem são mais custosos em termos de energia e consumo de recursos naturais (água, produtos químicos para lavagem e limpeza, combustível para transporte até o local de reciclagem para a nova utilização etc.) do que a simples reutilização destes produtos em usos secundários ou alternativos. Isto significa que, quanto mais reutilizarmos produtos, mais socioecoeficientes estaremos sendo, pois estaremos evitando o gasto de energia e materiais nos processos de reciclagem, além de evitarmos outros custos (ambientais, econômicos e sociais) da produção daquele produto/material que está sendo evitado com a reutilização.

Direcional Condomínios – A Fundação Espaço Ecoo realizou  estudo de Análise de Ecoeficiência das lâmpadas. Quais são mais adequadas para uso nos condomínios, como em garagens, escadarias (que costumam ter temporizadores), halls internos nos pavimentos, halls sociais, quadras poliesportivas etc.?

Emiliano Graziano – Nosso estudo foi elaborado considerando o cenário de uma sala de 9 metros quadrados durante 20 anos. O escopo do estudo foi comparar o desempenho econômico-ambiental das fases de produção, uso e descarte de lâmpadas incandescentes, fluorescentes e LEDs para gerar um fluxo luminoso de 6.480 lúmens. Segundo o estudo, nesse cenário, pode-se afirmar que os principais impactos ambientais e econômicos do estudo estão relacionados à fase de uso, que reflete a  energia consumida durante a vida da lâmpada, deste modo a ecoeficiência de uma alternativa é diretamente proporcional à eficiência da lâmpada utilizada.

Para o escopo definido a utilização da lâmpada fluorescente tubular é a alternativa mais ecoeficiente. Vale destacar que o resultado deste estudo traduz a realidade do Brasil para a época do estudo, e o mesmo apresentaria resultados diferentes para outras matrizes energéticas.

Para a decisão atual de escolha de lâmpadas para uso em espaços nos condomínios, a escolha deve ser baseada na vida útil da lâmpada, sua classificação de eficiência energética segundo selo da Aneel, e sua capacidade de iluminação adequada ao requisito legal para o ambiente em questão.

Direcional Condomínios – Em relação ao consumo de água, produção e destinação do lixo, óleo de cozinha etc., que outras sugestões podem ser deixadas aos síndicos?

Emiliano Graziano – Todo tipo de decisão que visa a sustentabilidade de determinada ação é bem-vinda. O que fica como sugestão é a importância de se analisar qual é a melhor opção para o condomínio. Se considerarmos apenas uma ação, como o consumo de água, se este item não for o principal problema do condomínio, a decisão pode ter sido ineficiente para as necessidades do local. Daí a importância de se pensar no todo e não apenas em parte do cenário analisado.

Toda e qualquer iniciativa com o objetivo de reduzir o consumo de água, dar destino correto ao lixo gerado e óleo de cozinha consumido pelos moradores e estimular a reciclagem são positivas para obtermos melhor gestão do condomínio.


Matéria publicada na Edição 180 - jun/2013 da Revista Direcional Condomínios


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