Pisos de playgrounds: para uma escolha certa entre os síndicos

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Muito além de espaços destinados a acolher brinquedos, os playgrounds nos condomínios ocupam um lugar privilegiado no imaginário da criança e nas etapas do seu desenvolvimento. Afinal, é nesse território do brincar que ela dá os primeiros passos para se tornar ativa e curiosa e onde, mais tarde, terá a oportunidade de explorar livremente as habilidades físicas e mentais, a autoestima e a capacidade de relacionar-se com os outros.

Por isso, garantir a segurança de quem utiliza esses espaços é fundamental. De acordo com Mara Cabral, arquiteta especializada em revestimentos, todo brinquedo que oferece um risco de queda livre superior a 60 cm de altura deve ter sob ele uma superfície amortecedora de impacto. A arquiteta destaca ainda a necessidade de se garantir a segurança química dos materiais, a resistência à abrasão, durabilidade, praticidade na higienização e uma baixa demanda por manutenção.

Esses foram alguns dos critérios que a síndica Ana Josefa Severino avaliou quando decidiu reformar o playground do Condomínio Piazza Di Toscana, na Vila Alpina, zona Leste da cidade. "Tínhamos um balanço e um escorregador de madeira, com grama natural", conta. "Mas quando chovia, era impossível usar o espaço porque se formavam poças d'água onde a grama tinha mais dificuldade para crescer, que era justamente nos lugares onde as crianças impulsionavam para balançar." Há três anos, ela optou pelo piso emborrachado, com placas de encaixe amarelas e azuis. "Minha maior preocupação era proteger nossos filhos no caso de eventuais quedas."

ABSORÇÃO DE IMPACTO

A nova norma da ABNT para playgrounds (a NBR 16.071/2012) recomenda que se faça teste de atenuação de impacto nos pisos, por meio do qual se consiga indicar a partir de que altura uma queda possa causar, por exemplo, traumatismo craniano em uma criança. A partir desse indicador, os técnicos observam se determinada superfície está apta a evitar maiores riscos às crianças, considerando-se a altura dos brinquedos. Ou seja, se possuem boa performance de absorção de impacto. "Um piso certificado nesse requisito é uma garantia de segurança", sentencia Cabral. "Por sua vez, o consumidor deve exigir isso do fabricante, que tem obrigação de informar o desempenho do piso, a altura de queda que o produto é capaz de absorver, sua durabilidade, entre outras características". A especialista recomenda ainda que o síndico guarde consigo uma cópia da certificação.

Mara Cabral ressalta também que a toxicidade dos materiais usados na fabricação de brinquedos de playground representa outro quesito importante de segurança. "O piso representa uma área significativa do espaço de lazer. Portanto, alguns cuidados são fundamentais na hora de escolhê-lo, como a migração de elementos químicos prejudiciais à saúde dos usuários e ao meio ambiente", adverte a arquiteta, lembrando que a NBR 16.071/2012 cita esses produtos, já proibidos inclusive em diversos países.

OPÇÕES DE MERCADO

Os síndicos encontram no mercado muitas opções de superfícies para playground que atendem às normas de segurança recomendadas pela ABNT. Elas variam em termos de preço, durabilidade e condições de manutenção. Mara Cabral, no entanto, alerta para os erros mais comuns quando o assunto é revestimento para playgrounds internos. "Alguns apresentam altos valores de emissão de 'compostos orgânicos voláteis', que expõem as crianças a odores que prejudicam a saúde e chegam a provocar alergias", comenta. Outra falha recorrente é a instalação de pisos frios, que causam desconforto térmico. Para os ambientes internos, o ideal é optar por pisos de borracha, E.V.A, vinílico ou madeira, recomenda a arquiteta. Vale lembrar, porém, que os três últimos só podem ser usados caso não haja brinquedos que apresentem risco de queda com altura superior a 60 cm.

Já para playgrounds externos a arquiteta indica requisitos como resistência a intempéries e amortecimento aos impactos causados por eventuais quedas. "Escolher pela estética e não pela função costuma ser um deslize frequente", diz. A seguir, conheça algumas alternativas de revestimento para playground, seus principais atributos, e veja qual se adequa à realidade do seu condomínio. (Reportagem Lara Silbiger)

VARIEDADES DE PISOS EXTERNOS

EMBORRACHADO: antiderrapante, resistente à abrasão, alto desempenho na absorção de impacto, fácil manutenção e estabilidade química dos materiais. A opção mais cara é a de borracha prensada à alta temperatura, cuja vida útil é de dez anos.

GRAMA NATURAL: apresenta boa absorção de impacto para quedas, mas deve ser reparada sempre que houver desgastes. Demanda manutenção constante e sistema de drenagem.

GRAMA SINTÉTICA: depende de uma camada amortecedora sob ela para absorção de impacto, em geral comercializada pelas empresas junto com a grama. Estão disponíveis, em geral, em versões densas para playground, de 12 mm a 20 mm de espessura.

MATERIAL SOLTO, como areia, lasca de madeira ou borracha granulada desagregada: demanda manutenção constante porque esse tipo de superfície tem seus agregados espalhados facilmente e os mesmos precisam ser repostos para manter o desempenho da superfície.

No caso específico da AREIA, esta deve ter, pelo menos, 30 cm de profundidade para amortecer o impacto de eventuais quedas. Além disso, a manutenção deve zelar pela higiene, evitando que animais utilizem o local como sanitário.

Em se tratando do PISO DE LASCAS DE MADEIRA OU BORRACHA GRANULADA, deve-se cuidar para que crianças não ingiram inadvertidamente esses materiais.

Matéria publicada na Edição 180 - jun/2013 da Revista Direcional Condomínios