Como viver bem em condomínio

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Confraternizações, cerimônias de boas-vindas aos novos moradores e muita disponibilidade para conversar e aparar arestas: essas são algumas das estratégias que os síndicos dispõem para atrair o interesse do morador para os assuntos do condomínio, além de criar um ambiente saudável, diminuir conflitos e conquistar o respeito às normas.

Confraternizações, cerimônias de boas-vindas aos novos moradores e muita disponibilidade para conversar e aparar arestas: essas são algumas das estratégias que os síndicos dispõem para atrair o interesse do morador para os assuntos do condomínio, além de criar um ambiente saudável, diminuir conflitos e conquistar o respeito às normas.

Fazer com que a população ocupe mais os espaços urbanos é uma das fórmulas que grandes cidades ao redor do mundo têm adotado para combater o isolamento entre os vizinhos e a falta de segurança desses lugares. Em uma minicidade como os condomínios, também há síndicos promovendo atividades para que os moradores usufruam com mais frequência das áreas comuns, se aproximem e desenvolvam uma relação de pertencimento, paz e cuidado com o ambiente.

Isso envolve desde festas de confraternização de final de ano, como no Condomínio La Dolce Vita, que no dia 8 de dezembro passado realizou uma feijoada para mais de 300 moradores e convidados, embalada ao som da bateria da Escola de Samba Rosas de Ouro; ou a revitalização de churrasqueiras, pista de caminhada e a introdução do kit boas-vindas aos novos moradores, caso do Condomínio Residencial Maresias, localizado em Perdizes, São Paulo.

"Com as confraternizações e a ocupação das áreas comuns, as pessoas deixam algo de si no ambiente e criam vínculos com os espaços, sentimentos, situação em que dificilmente irão negligenciar. Pelo contrário, passarão a cuidar daquilo e não agirão de forma exacerbada ou desproporcional diante de uma situação, mas com carinho", analisa o psicólogo Hernán Maximilian de Villar, consultor de relações humanas em empresas privadas.

ClIma de paz e prosperidade

No Condomínio La Dolce Vita, composto por três edifícios, 132 apartamentos de alto padrão e área de sete mil metros quadrados na Vila Romana, zona Oeste de São Paulo, uma das estratégias escolhidas foi justamente intensificar a ocupação dos espaços comuns, através das festas coletivas e da contratação de professores para as atividades esportivas. Com perfil de gestão participativa, o síndico e empresário Harry Mihalescu implantou ainda dois grupos atuantes de síndicos- -mirins, divididos por faixa etária.

Na confraternização do final de 2012, ele contratou parte da bateria da Rosas de Ouro, Papai Noel e monitores para a garotada, equipamentos e mobiliário para a festa (como coberturas, mesas, cadeiras), além do buffet que preparou e serviu o almoço. Cada morador (exceto crianças até dez anos) pagou R$ 50,00 pelo evento, que animou o condomínio entre 12h e 18h. E neste ano, as comemorações retornarão no primeiro semestre, com a Festa Junina.

Eleito em março do ano passado, Harry elenca algumas medidas que considera importantes para incrementar o convívio saudável entre os condôminos:

  • 1 – "É preciso administrar para todos." Ou seja, o síndico deve sempre ponderar em cima do interesse coletivo e se respaldar na legislação, na Convenção e no Regimento Interno, diz;
  • 2 -"O síndico deve ouvir muito e falar pouco."
  • 3 – "Tomar atitudes quando acionado."
  • 4 – "Estimular o uso das áreas de lazer", ponto forte do La Dolce Vita;
  • 5 – "Abrir os canais de comunicação."
  • 6 – "Instruir novos moradores", recebendo-os pessoalmente para uma conversa e para fornecer a Convenção e o Regimento Interno; e,
  • 7 – "Ser presença constante no local e demonstrar muita disponibilidade."

Dentro desse rol de estratégias, a "cereja do bolo" fica por conta dos cursos que oferece aos moradores, sem ônus extra, de natação (infantil e para a terceira idade), dança, kumba, ioga, judô, ginástica aeróbica, pilates, capoeira e futsal, uma forma de ampliar o uso dos equipamentos. E no período de férias escolares, entre janeiro e fevereiro, disponibiliza monitores para as crianças. Entretanto, há um aspecto essencial para que esse perfil de gestão tome corpo: o síndico deve circular sempre pelo ambiente, caso de Harry, que chegou a ter que dar expediente na portaria em uma tarde de domingo.

Ambientes Funcionais

Às vésperas de iniciar novo mandato à frente do Residencial Maresias, onde atua como síndica há quase dez anos, Ângela Merici Grzybowski também aposta na disponibilidade pessoal como a receita-chave para melhorar as relações no condomínio. Remunerada por um pequeno pró-labore e com isenção da taxa condominial, Ângela dá expediente quase em tempo integral no escritório do condomínio, montado na antiga casa do zelador. Segundo ela, o Residencial Maresias "mudou de cara" nesses últimos anos, fruto de uma conjugação de fatores. "Além de minha disponibilidade para trabalhar, mobilizar e melhorar, tornamos os ambientes realmente funcionais às necessidades dos condôminos", afirma Ângela.

Ou seja, além de ter trabalhado muito pela recuperação estrutural de alguns sistemas construtivos dos dois edifícios, totalizando 104 apartamentos, Ângela deu prioridade também à melhoria aos espaços de convívio: desde áreas fechadas, como salão de festas, jogos, academia, sala de tevê e escritório com computador e internet disponibilizado aos moradores; aos espaços abertos, a exemplo do playground, churrasqueiras e pista de caminhada. E não só: recuperou também os jardins e o parque arbóreo localizado nos fundos do condomínio, onde se localizam a churrasqueira e a pista, proporcionando um cenário agradável aos usuários.

Atualmente, pelo menos 30 moradores usam com frequência os equipamentos da academia e alguns deles contrataram uma professora de ioga, para aulas regulares. Isso favorece a integração, melhora a relação entre os condôminos, ajuda na conservação dos equipamentos, contribui para diminuir a inadimplência e, no caso do Maresias, criou mesmo uma rede de solidariedade entre alguns moradores, que cuidam dos animais dos vizinhos durante ausências prolongadas.

Duas outras medidas adotadas pela síndica também merecem registro: a festa de confraternização de final de ano para os funcionários, realizada com participação de alguns moradores e prestadores de serviços, que patrocinam o evento; e a introdução do kit boas-vindas aos novos moradores, que são recebidos pela síndica com toda a documentação e explicação necessária à ambientação no local. "É preciso, sobretudo, que se estabeleça uma relação de confiança entre síndicos e condôminos, com o suporte das normas inseridas na Convenção e Regimento Interno", finaliza Ângela.

 

Matéria publicada na Edição 177 - mar/2013 da Revista Direcional Condomínios