Proximidade do verão exige maior atenção no controle de pragas nos condomínios

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As pragas urbanas podem gerar sérios danos ao patrimônio, atingindo a edificação, o mobiliário, os aparelhos eletroeletrônicos ou mesmo jardins e plantas ornamentais, alerta Francisco José Zorzenon, biólogo e diretor Técnico da Unidade Laboratorial Referência em Pragas Urbanas do Instituto Biológico de São Paulo. O especialista defende que o síndico invista sistematicamente em soluções adequadas para o controle de pragas e não apenas quando identifica sua presença ou infestação. Algumas espécies de insetos, como as formigas e os cupins, são ativas durante o ano todo, ressalta.

Os imóveis próximos aos locais de risco (rios, córregos, construções, terrenos baldios, centros de cidades e locais de comércio do setor alimentício) devem ser monitorados, no mínimo, a cada três meses. Os pernilongos ganham evidência nas épocas mais quentes e chuvosas do ano. O tratamento contra baratas e roedores, por exemplo, deve ocorrer a cada 90 dias. Já os cupins, principalmente os subterrâneos, requerem atenção pelo menos uma vez ao ano. "Em locais arborizados o intervalo de tempo reduz para seis meses", revela o especialista.

CUPIM, O GRANDE VILÃO

Os cupins subterrâneos não atacam diretamente o concreto, mas abrem caminho em fissuras da edificação, à procura de alimento (madeira, derivados celulósicos etc.), o que pode catalisar o processo degenerativo de uma estrutura. Além disso, eles também utilizam os eletrodutos ou conduítes, o que provoca curtos circuitos ao construir passagens para seus "túneis" de acesso.

Tanto para a prevenção quanto para o controle desta praga, pode-se lançar mão da química convencional e do método de iscas. Outro procedimento mais recente e tecnicamente superior ao controle químico, além de ser ecologicamente correto, é o Sistema Sentricon – Sistema de Eliminação de Cupins Subterrâneos. "Qualquer um dos métodos envolve técnica e conhecimento sobre a Biologia e hábitos da espécie de cupim infestante ou que se queira prevenir, devendo, impreterivelmente, ser aplicado por empresa especializada, até para garantir a integridade das pessoas e dos animais", pontua Zorzenon.

É importante observar que as empresas de controle de pragas somente podem atuar depois de licenciadas junto às autoridades sanitárias e ambientais competentes, conforme determina a Resolução 52/2009 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). "As licenças deverão ser renovadas anualmente, ou por determinação da Vigilância Sanitária", reforça Zorzenon.

PREVENÇÃO É TUDO

Há cerca de três anos, a síndica Lurdes Affonso levou um susto. Um condômino denunciou as visitas noturnas de uma ratazana nos jardins próximos à piscina do prédio. "Descobri que esses roedores têm uma sociedade organizada, cheia de códigos. Então, era preciso conhecimento e técnica para combatê-los", afirma. A síndica defende a adoção do trabalho preventivo e de manutenção contra as pragas urbanas, sempre por meio de empresas especializadas. "Não conseguiremos extingui-las, até porque são um mal urbano, por isso a importância do combate contínuo", sustenta.

Matéria publicada na Edição 174 - nov/12 da Revista Direcional Condomínios.