Crianças: Como lidar com os pequenos condôminos?

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As regras são fundamentais para o bom andamento da vida em comunidade, mas tão importante quanto elas é o respeito à natureza infantil e às suas necessidades de entretenimento

A permanência de crianças nos espaços comuns de um edifício pode ser motivo de conflitos entre condôminos e isso representa um importante desafio sobre a capacidade de gestão e negociação dos síndicos. Para a especialista em gestão predial Rosely Schwartz, autora do livro "Revolucionando o Condomínio" (Editora Saraiva, 13ª edição), muitas vezes este profissional esquece de atender aos desejos das crianças pelo fato de não mais se lembrar das brincadeiras que fazia quando pequeno.

"O síndico deve vê-las como minicondôminos e tratá-las com repeito, porque são elas quem mais utilizam as áreas ao ar livre", indica Rosely Schwartz, que também ministra aulas no curso de Administração de Condomínios da Escola Paulista de Direito (EPD). A especialista sugere ainda que sejam realizadas assembleias junto às crianças para apresentação de problemas e soluções e também para ouvir as sugestões que tenham para melhorar o condomínio. Mas é necessário tomar cuidado com os excessos. "É importante que o síndico se posicione. Entretanto, ele não pode impor educação às crianças porque elas têm pais", observa.

De acordo com Rosely, funcionários de limpeza e portaria não têm a obrigação de cuidar das crianças, por isso, ela recomenda a contratação de profissionais de recreação para este fim. "No caso de os custos serem arcados pelo grupo de pais, um deles deve ficar encarregado da contratação para que não haja vínculos empregatícios com o condomínio", orienta. Porém, já existem conjuntos residenciais que incluem o serviço na mensalidade. "O pagamento é incluso no condomínio e todos os moradores podem usufruir das atividades", conta Sueli Ribeiro, personal trainer e proprietária de uma empresa que presta serviços de consultoria e qualidade de vida em condomínios. "Além dos adultos, também oferecemos atividades para o público infaltil, como balé, judô, futebol, recreação, entre outros", diz.

DIVERSÃO PARA TODOS

Outra opção é contratar profissionais somente para atividades pontuais, como fez Ana Josefa Severino, síndica do Condomínio Piazza Di Toscana, localizado na Vila Alpina, zona Leste de São Paulo. Os condôminos não aprovaram contratar monitores para recreação em tempo integral, então, Ana Josefa afirma que costuma contratar empresas para eventos esporádicos ou para o período de férias. A divulgação é feita por meio de avisos afixados nos elevadores, diz. "Quem tiver interesse pode pagar e participar", completa. Uma alternativa mais barata é combinar um rodízio de pais para supervisionar as brincadeiras dos pequenos. "O revezamento é positivo porque não sobrecarrega ninguém. Podem ser realizadas atividades com bola, leituras, lanches e passeios", ensina a especialista Rosely Schwartz.

De qualquer forma, as atividades programadas especialmente para as crianças propiciam maior socialização entre os moradores, ampliando o conhecimento e a intimidade entre eles. "Como consequência, o convívio pode se tornar mais prazeroso, inclusive entre os pais destas crianças que, por meio das brincadeiras realizadas com os filhos, acabam se conhecendo também", analisa a psicóloga Patrícia Spada, professora e pesquisadora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Segundo a especialista, o ideal é que um profissional da área de pedagogia desenvolva as atividades privilegiando os melhores horários e o espaço físico, tendo em mente o bom aproveitamento. Para ela, a questão do silêncio, por exemplo, no horário de uso de quadras, de piscinas, ou de parquinhos, deve ser discutida em reunião de Conselho para que haja um consenso e a decisão comunicada posteriormente a todos, para que nenhum condômino venha a se sentir prejudicado. Desta forma, tanto os possíveis monitores quanto as crianças e jovens poderão se divertir e os moradores poderão contar com os limites estabelecidos previamente e em comum acordo, evitando eventuais conflitos. A psicóloga diz ainda que se deve tomar o cuidado de separar as crianças por idade na hora de promover jogos e brincadeiras no espaço do condomínio. "Essa diferença é fator determinante tanto psíquica quanto fisicamente, pois define a capacidade motora, bem como suas habilidades e, portanto, devem ser respeitadas em prol das crianças e para maior aproveitamento das atividades desenvolvidas", conclui Patrícia.

Matéria publicada na Edição 172 - set/12 da Revista Direcional Condomínios.