Elétrica: Aumento do consumo de energia requer ajuste do sistema

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A expansão do uso dos equipamentos eletroeletrônicos torna insuficiente a atual carga de energia elétrica recebida por muitos condomínios residenciais dos grandes centros urbanos.

A instalação de saunas, piscinas aquecidas, ar-condicionado, equipamentos de segurança, aparelhos de ginástica, de hidromassagem e a aquisição de novos eletrodomésticos pelos moradores, como fornos e secadores, obrigam os condomínios residenciais a solicitarem cada vez mais o aumento da carga elétrica fornecida pela concessionária local. "Os conjuntos de prédios viraram pequenos clubes e a carga elétrica enviada não é mais suficiente para atender às necessidades de um condomínio. Neste caso, o melhor é chamar um técnico para providenciar a reforma", orienta Rogério Pereira Jorge, gerente comercial da AES Eletropaulo. O consumo de energia elétrica na classe residencial somou 9.912 GWh em abril de 2012 no Brasil, 7,3% acima do valor registrado há um ano, durante o mesmo período, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

O sinal de que a carga originalmente fornecida pela concessionária está insuficiente para atender a tamanha demanda pode ser percebido quando os disjuntores passam a não mais comportá- la, levando a apagões momentâneos no edifício. O disjuntor funciona contra sobrecargas elétricas ou curtos-circuitos, e tem a função de cortar a passagem de corrente caso a intensidade ultrapasse o limite estabelecido. Os fusíveis têm a mesma função, mas ficam inutilizados quando realizam a interrupção do sistema de fornecimento de energia. "Com o aumento do número de aparelhos, a rede não suporta e o fornecimento é interrompido. É necessário fazer uma adequação à nova realidade do prédio", observa Edson Martinho, engenheiro eletricista e diretor executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel).

COMO MUDAR

A partir daí, deve-se realizar um estudo detalhado para determinar as causas, conhecer o novo consumo e definir a mudança do perfil da edificação. O diagnóstico deve conter ainda as condições físicas e de funcionamento dos cabos e dutos de distribuição, dos transformadores, dispositivos de acionamento e dos disjuntores. "Cada caso é um caso, mas pode ser necessária a substituição de quadros inteiros dos apartamentos, condutores e sistemas de proteção", diz o engenheiro Martinho.

No entanto, o diretor executivo da Abracopel ressalva que o projeto, sua execução, a verificação e a manutenção das instalações elétricas devem ser confiados a pessoas qualificadas e credenciadas. Os trabalhos devem ser concebidos e executados conforme a NBR 5.410 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), norma que se destina a instalações de baixa tensão e se aplica a residências, comércio, indústria e serviços agropecuários, entre outros.

"É imprescindível a contratação de um profissional habilitado", ressalta Pereira Jorge, da AES Eletropaulo. "É ele quem responderá pelo plano e pelo dimensionamento da rede. É ele quem encaminhará todas as guias de solicitação e croquis de instalações para a distribuidora de energia", explica o gerente. Os projetos encaminhados à AES Eletropaulo devem estar acompanhados de original e cópia da carteira de registro do CREA do profissional responsável, além das ART (Anotações de Responsabilidade Técnica). As empresas prestadoras de serviço devem também apresentar registro no CREA. Quando os serviços forem executados por profissionais diferentes daquele que assinou o projeto, o executante deve apresentar as mesmas documentações.

Os condutores do ramal de ligação, além dos equipamentos de medição (medidores, transformadores de corrente e bloco de aferição), são fornecidos e instalados pela concessionária de energia. Já as caixas de medição, eletrodutos, condutores do ramal de entrada, aterramento, poste particular, dispositivo de proteção e isoladores, são de responsabilidade do condomínio. De acordo com o engenheiro Martinho, o trabalho de planejamento e execução da obra de adaptação ao aumento de carga leva até 60 dias. "Mas há casos que demandam mais tempo. Assim também como o valor pode variar de alguns milhares até dezenas de milhares de reais," diz Martinho. Quanto à ART, ele explica que o documento define, para efeitos legais, os responsáveis pela obra. Assim, desde uma simples consulta até uma grande obra, o profissional deverá registrar uma ART, mencionando com clareza sua atividade técnica.

 

Matéria publicada na Edição 172 - set/12 da Revista Direcional Condomínios.