Garagem: A valorização do fator humano

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Conforto ambiental, acessibilidade, segurança e, claro, boa solução de espaço para estacionar e manobrar os veículos são itens indispensáveis às garagens nos condomínios.

Sempre que questionada sobre porque os síndicos e condôminos devem dar mais valor às garagens dos prédios residenciais, a arquiteta Fadva Ghobar costuma ser bem objetiva: "É por ela que entra o morador!", enfatiza. Ora, isso todos sabem, certo? Mas parece que em muitos condomínios as coisas não têm funcionado de maneira coerente com essa realidade. Mesmo que seja diariamente utilizada e que uma garagem bem cuidada contribua para a valorização do imóvel, problemas como a falta de acessibilidade, de sinalização e ventilação, o mau acabamento e iluminação precária se somam à falta de espaço para estacionar e manobrar e marcam a paisagem desses espaços "esquecidos" pelos condomínios. Nesse contexto, o ambiente causa desconforto, dificulta o cotidiano dos moradores e ainda pode ser motivo de muita discussão nas assembleias, comenta a arquiteta Fadva.

Segundo Fadva Ghobar, que realiza projetos especiais para garagens dos condomínios de São Paulo há vinte anos, o conforto ambiental resulta de uma quantidade significativa de itens e intervenções, mas o básico consiste em limpeza, iluminação, pintura e eliminação ou tratamento de patologias, como infiltrações e fissuras. "A limpeza, por exemplo, garante o bem-estar visual. Já a iluminação proporciona mais percepção visual do usuário em relação ao espaço e ao ambiente", explica. "Boa parte das patologias demanda a contratação de profissionais especializados, visto que as soluções demandam técnicas elaboradas. Porém, este investimento é bastante minimizado quando comparado à recuperação – quando possível – do mesmo problema em estados mais avançados." Não raro, as garagens subterrâneas costumam ser tomadas por problemas de infiltração e acabam recebendo calhas penduradas nos tetos para a proteção dos veículos (Veja matéria sobre impermeabilização nesta edição, na página 32).

Se o síndico quiser realizar manutenções na garagem, o ideal é primeiramente contratar um profissional habilitado para avaliar de forma criteriosa as prioridades de intervenção, tudo com planejamento sistemático, para não afetar de maneira brusca a rotina dos condôminos. Fadva diz que se o local apresentar fissuras e trincas, torna-se indispensável descobrir antes as causas do processo. A partir daí, muitas vezes é possível tratá-las com polímeros ou resinas que, segundo ela, garantem excelentes resultados. Já as infiltrações podem ser causadas por problemas em tubulação, falhas, vazamento em espelhos d'água e piscinas etc.

Já no caso dos pavimentos, "de pisos esfarelados", por exemplo, "que podem estar relacionados a problemas de execução ou mesmo ao desgaste natural promovido pelo tráfego de veículos, existem soluções de baixo custo, como a proteção de resinas ou mesmo tintas específicas para essas superfícies", pontua Fadva. Esse é o caso do Condomínio Ilhas do Sul, localizado no Alto de Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo. O empreendimento, de 480 apartamentos, possui cerca de mil vagas cobertas, distribuídas em dois subsolos. As alamedas internas das garagens estão sendo revestidas com tinta epóxi e acabamento em poliuretano. "Como a área a ser recoberta é grande, este trabalho está dividido em vários exercícios orçamentários", afirma o síndico Antonio Roberto Muller.

Outro aspecto que deve ser observado nos cuidados com a garagem está relacionado ao mau uso. Muitas vezes, os síndicos agem com certa permissividade em relação à indisciplina dos condôminos, o que, segundo Fadva, representa um dos problemas mais comuns e graves observados em boa parte dos condomínios. "Lembramos que uma garagem é, por princípio, um grande quebra-cabeças, que só existe de forma eficiente quando respeitadas a ordem e a sequência das peças envolvidas (pedestres, carros, circulações etc.)", diz. Também não vale ser negligente em relação a aspectos de segurança do pedestre, especialmente quando se trata do respeito ao tráfego de bicicletas, skates e patins.

Para encerrar, a arquiteta afirma que os síndicos devem estar atentos para que a rota de fuga das escadas e as portas de emergência das garagens não sejam obstruídas pelos veículos ou carrinhos de compras. Faixas e placas de sinalização também são importantes, e apesar de não haver obrigatoriedade legal, devem ser cuidadosamente planejados, recomenda.

 

Matéria publicada na Edição 172 - set/12 da Revista Direcional Condomínios.