Individualização de Água: Os síndicos de olho na medição e nas contas

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A individualização caminha para a consolidação, com empresas oferecendo hoje soluções para prédios de múltiplas prumadas, mas a gestão das contas ainda deixa dúvidas.

O administrador de condomínios Márcio Bagnato faz a gestão de 230 empreendimentos e 30% deles já contam com a individualização da água. Pagar pelo que se consome é uma questão de justiça, considera Márcio, lembrando que a individualização surgiu há cerca de dez anos nos grandes centros urbanos do País e hoje segue para a consolidação. Mesmo as dificuldades técnicas de adaptação da individualização a prédios com mais de uma prumada de água vêm sendo superadas nos anos recentes, avalia o administrador. A dúvida que fica, segundo ele, é quanto aos critérios de medição e cobrança. Como garantir um sistema bem aferido?, questiona.

O síndico José Lopes Pinto, do Condomínio Conjunto Residencial Sul, situado no bairro de Jordanópolis, zona Sul de São Paulo, conviveu com problemas de aferição após a individualização. Ele acabou desenvolvendo um método próprio de lançamento dos valores finais que cabem a cada condômino, fechados de acordo com a quantidade de metros cúbicos consumida no mês. Não é uma conta simples, pois a Sabesp pratica uma tabela progressiva, separando os consumos por faixas de m3 e atribuindo-lhes preços maiores conforme o usuário gaste mais água.

O condomínio de José Lopes não estava satisfeito com a leitura que vinha sendo feita pela empresa de individualização tampouco com a forma de lançamento dos valores individuais. O serviço foi dispensado e o zelador passou a fazer uma leitura visual de cada hidrômetro dos 156 apartamentos distribuídos nas sete torres do empreendimento. "A Sabesp registra 100% do consumo e manda fatura única. Assim, o condomínio deve ser dividido em cotas de economia para a atribuição dos valores", explica o síndico José Lopes. É preciso considerar ainda o consumo da água da área comum, diz, ressalvando que o programa que desenvolveu reproduz a tabela progressiva da Sabesp.

Segundo José Lopes, entre a somatória dos valores recolhidos junto dos condôminos e o valor único emitido pela Sabesp, não há diferenças no Residencial Sul. O síndico comenta que eventualmente recebe alguma queixa de moradores que estejam pagando por um consumo elevado. Neste caso, eles são orientados a verificar vazamentos e/ou a fechar um pouco o registro dos apartamentos, de maneira a diminuir a pressão com que a água chega, e portanto, a vazão e o consumo final. "O síndico e o zelador têm que estar bem preparados para oferecer ao condômino toda orientação e informação que precisa", arremata José Lopes. Desde a individualização, o condomínio conseguiu uma economia de cerca de 40% sobre a conta mensal, afirma o síndico.

ORIGEM DAS DÚVIDAS NAS AFERIÇÕES

Eduardo Lacerda, gerente de operações de uma empresa de individualização de água e gás, aponta que algumas tecnologias de aferição do consumo e algumas metodologias de fechamento das contas individuais podem gerar diferenças em relação aos valores únicos emitidos pela Sabesp para cada condomínio. A concessionária de abastecimento de água que opera em São Paulo somente emite contas individualizadas às unidades que fazem parte de seu programa ProAcqua.

Nos demais casos, quando a empresa de individualização lança valores em separado para cada usuário, suas respectivas faixas tarifárias dão diferença com o valor médio praticado pela Sabesp. Como resultado, a somatória dos valores pode dar diferenças entre o que o condomínio recolheu e o que a Sabesp emitiu. Eduardo Lacerda comenta que sua empresa faz uma compensação na planilha de cada apartamento, de forma a evitar diferenças e a não onerar o usuário.

Para evitar prejuízos aos condôminos, Lacerda recomenda aos síndicos verificar sempre se os números captados pelos medidores estão iguais aos lançados nas contas; se há vazamentos nas unidades; e se a somatória das contas individuais confere com o valor único lançado pela Sabesp. Se houver diferença a mais com o pagamento recolhido do condômino, esta deverá ser revertida ao caixa do condomínio, orienta Lacerda.

Quanto aos medidores, mudanças podem chegar em breve ao mercado brasileiro, já que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) constituiu uma comissão de estudos para revisar e unificar a normatização dos sistemas prediais de água fria e quente. De acordo com o engenheiro civil Sérgio Gnipper, secretário da comissão, o trabalho deve atender "a paradigmas emergentes, como o uso racional da água nas edificações".

 

Matéria publicada na Edição 172 - set/12 da Revista Direcional Condomínios.