Prevenção contra incêndio nos condomínios: Equipamentos

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Para qualquer serviço realizado no condomínio, o procedimento usual tomado pelos síndicos é pesquisar no mínimo três empresas e escolher aquela com o menor preço. Porém, quase sempre essa é a conduta menos indicada. Especialmente se o serviço pesquisado refere-se à manutenção dos equipamentos contra incêndio.

Para o administrador de condomínios Marcelo Mahtuk, é essencial investigar a idoneidade da empresa contratada. “No caso de equipamentos de prevenção contra incêndio, o síndico só se certificará da qualidade do serviço se precisar utilizar qualquer um deles. E não se pode arriscar quando se trata de combater um incêndio e até mesmo salvar vidas”, constata. Pesquisar o tempo de mercado e se há reclamações da empresa em órgãos competentes são algumas das orientações de Mahtuk.

É indicado especialmente conhecer as instalações da empresa. Segundo o engenheiro Nelson Reple Neto, que atua na área de engenharia de proteção contra incêndio e segurança, os condomínios deveriam ter o mesmo cuidado que as indústrias no caso da contratação desse tipo de serviço. No caso das indústrias, primeiro o provável fornecedor recebe a visita de um técnico ou engenheiro de segurança, que verifica as condições técnicas e físicas da empresa. “É gerado um parecer e a partir daí, se houver a homologação, serão iniciadas as solicitações de cotação”, afirma.

Os riscos de entregar extintores e mangueiras do condomínio a uma empresa sem idoneidade são inúmeros: podem ir desde a não execução da recarga até a chamada “flanelada” (quando não há a troca do agente extintor, ou seja, água, pó químico seco ou CO2, mas somente a troca do selo). “O condomínio fica sujeito a não indenização pelo seguro em caso de um sinistro, se a empresa que tenha sido contratada para executar a recarga utilizar selo falso, o que é muito comum, ou não estiver certificada”, orienta o engenheiro Reple. No site do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) podem ser pesquisadas as empresas certificadas: www.inmetro.gov.br/registros.

Mas, mais do que simplesmente enviar os equipamentos para manutenção anualmente, o condomínio deve estar sempre atento às condições de extintores e mangueiras. “O próprio síndico e o zelador podem realizar uma simples inspeção visual periodicamente para localizar problemas”, aponta Paulo Magri, engenheiro civil com pós-graduação em engenharia de segurança. Deve ser checado, por exemplo, se as portas corta-fogo possuem selo do Inmetro. Uma rápida vistoria nos extintores pode achar vazamentos. “Os cilindros são de ferro e furam, ou de fora para dentro, ou de dentro para fora. Dificilmente um extintor não terá problemas em cinco anos, seja no corpo ou nas válvulas”, diz Magri. As mangueiras são de malha, revestidas internamente de borracha, material que resseca com o tempo, trincando e perdendo a eficiência. “Temos leis de primeiro mundo, e no caso do estado de São Paulo, um decreto muito bem feito do ponto de vista técnico, o n. 46.076, de 2001. Falta-nos, porém, a conscientização. É comum pensarmos que os incêndios acontecem apenas nos edifícios comerciais, o que infelizmente não é verdade”, finaliza.

Matéria publicada na Edição 170 - jul/12 da Revista Direcional Condomínios.