Reforma elétrica em condomínios e implantação da medição eletrônica do consumo da energia

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As novas edificações dos grandes centros urbanos têm sido preparadas para operar com medição eletrônica centralizada do consumo de energia elétrica, em que a leitura do consumo mensal de cada unidade condominial, em comércio ou residência, seja feita de maneira remota, através da transmissão de dados via cabo, radiofrequência, bluetooth etc. Entretanto, prédios com cerca de 30 anos têm aproveitado momentos de reforma e atualização de suas instalações elétricas para aderir ao novo sistema, que permite leituras em tempo real.

Não é uma transição fácil. Ela envolve, por exemplo, substituição das prumadas elétricas por um único barramento blindado (Bus Way), o que requer espaço físico. “No sistema de Bus Way é necessário criar um shaft, compartilhado ou não, para o sistema elétrico, como é feito nos novos edifícios. Também podem ser criados espaços onde as caixas de medidores fiquem com a face aparente necessitando apenas de uma sobre porta”, aponta o técnico Igor Flammarion.

Entretanto, Igor avalia que os prédios mais antigos apresentam “arquitetura ampla, o que disponibiliza espaço para a adaptação do sistema. Geralmente podem ser aproveitadas antigas lixeiras, vãos entre as escadarias e os corredores, entre muitos outros, mas para isso é necessário avaliar cada caso”, pondera. Igor Flammarion ressalva que também no sistema convencional pode haver necessidade de obra de alvenaria quando um eventual aumento de carga vier a “pedir cabos mais grossos (maior bitola), o que ocorre na maioria dos casos, necessitando substituição das tubulações embutidas nas paredes”. Os custos entre um sistema e outro são muito próximos, diz, é preciso, no caso, confirmar se a estrutura do edifício permite o barramento blindado.

Segundo Flammarion, um profissional especializado deve ainda realizar “um estudo sobre a carga atual e futura, além da análise da qualidade de energia para identificar ‘possíveis problemas na rede elétrica, como perturbações e/ou distorções’, as quais podem ser corrigidas através do dimensionamento correto dos condutores elétricos e infraestrutura necessária para iniciar os desenhos técnicos, os cálculos da demanda e encaminhar para apreciação da concessionária”. Igor destaca que as empresas contratadas pelos condomínios devem emitir Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do projeto e da execução dos serviços elétricos e civis.

EM BUSCA DE SEGURANÇA E ECONOMIA

Solange dos Reis, síndica de um edifício do Conjunto Habitacional das Avencas, implantado há cerca de 30 anos no bairro Barro Branco, zona Norte de São Paulo, aproveitou a necessidade de substituição de um poste deteriorado na entrada do condomínio para contratar um projeto para renovar as instalações elétricas, incluindo pedido de aumento de carga junto à AES Eletropaulo. Conseguiu aprovar o orçamento, de pouco mais de R$ 86 mil, em assembleia dos condôminos. Mesmo com o vulto das intervenções, o condomínio não precisará fazer rateio extra; os recursos virão da locação da cobertura para a antena de uma operadora de telefonia móvel e da cobrança dos inadimplentes.

“As novas instalações proporcionarão um custo menor de energia para todos”, acredita Solange dos Reis. Mas o principal benefício esperado é o fim das quedas frequentes da chave geral do edifício. “Isso ocorre em situações de sobrecarga, quando temos ligados simultaneamente dois aparelhos de elevado consumo”, explica. Também no interior dos apartamentos os disjuntores desarmam com frequência. A síndica comenta que as obras irão preparar cada unidade para atualizar depois suas instalações elétricas.

Outro condomínio com cerca de 30 anos que resolveu optar pelo sistema, envolvendo pedido de aumento de carga junto à Eletropaulo, barramento blindado e previsão de medição eletrônica, é o Edifício Santa Bárbara, do bairro da Saúde, zona Sul de São Paulo. A síndica Sueli Borsatti diz que foi notificada pela AES Eletropaulo a substituir o quadro dos relógios, tomado pelo cupim, e que por isso deu início a um projeto mais amplo, já que também ali as quedas dos disjuntores são comuns. O técnico Igor Flamarion avalia que intervenções deste porte demandam um ano de trabalho, além da autorização e de uma série de intervenções e acompanhamentos pela AES Eletropaulo.

Valdir Stokna, coordenador de atendimento técnico da Regional Leste- ABC da concessionária, confirma que um engenheiro especializado e contratado pelo condomínio precisa checar se o prédio oferece condições de receber a tecnologia, para em seguida desenvolver o projeto e submetê-lo à aprovação da AES Eletropaulo. Somente a análise técnica da concessionária confirmará a viabilidade ou não da mudança do sistema, diz. Ele afirma que o prazo máximo médio para a resposta é de 30 dias e que a transição da medição eletromecânica para a eletrônica embute custos com o projeto e a execução dele junto à concessionária.

Segundo Valdir Stokna, o grande benefício para os condomínios está no ganho com a segurança. “O leiturista não precisa entrar nos empreendimentos, ele poderá coletar os dados na rua ou a concessionária poderá obtê-los pela internet”, afirma. Igor Flammarion destaca, por sua vez, que todo o sistema gera “menor impacto ambiental por trazer um material não derivado do petróleo”, entre outras vantagens.

CONDIÇÕES GERAIS PARA A MUDANÇA DO SISTEMA

Fascículo publicado em 2010 pela AES Eletropaulo apresenta pré- -requisitos técnicos indispensáveis à conversão da medição convencional para a eletrônica, incluindo equipamentos e adaptações necessárias, especificações, e dimensionamentos de caixas, eletrodutos, cabos, do barramento blindado e até mesmo das plaquetas de identificação, entre muitos outros dispositivos.

“O interessado não deve iniciar a execução das instalações elétricas da entrada consumidora antes da liberação dos projetos elétricos pela AES Eletropaulo”, reitera trecho do “Fascículo de Medição Eletrônica Centralizada– 1º Edição – v. 01”, de 31/03/2010. O documento foi produzido pela Diretoria de Planejamento e Engenharia e Gerência de Engenharia (confira no endereço eletrônico http://www.aeseletropaulo.com.br

Matéria publicada na Edição 169 - jun/12 da Revista Direcional Condomínios.