Qual a melhor solução de impermeabilização para os condomínios?

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As obras de impermeabilização requerem atenção especial de síndicos, zeladores e gerentes prediais. Há soluções e materiais apropriados para cada caso e, mesmo que estejam bem prescritos, a má execução dos serviços pode comprometer o resultado final. Um dos erros mais comuns, e aparentemente simples, está na falha do caimento dos pisos em direção aos ralos, o que costuma provocar poças, vazamentos e novas infiltrações.

Empreendimento em geral custoso e trabalhoso, a impermeabilização é tratada através de norma específica da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a NBR 9575/2003. Esta define conceitos e um grande escopo de informações que devem embasar o desenvolvimento de um bom projeto. Entre os condomínios, o tema ainda suscita muitas dúvidas, como as apresentadas pela síndica Rosana de Moraes, dos Edifícios Flávia e Fernanda (na Aclimação, região central de São Paulo): “Há uma manta ideal para cada tipo de impermeabilização (como em floreiras e lajes)? Em que situações utilizar a injeção de gel nas fissuras? Qual a melhor época para a execução dos trabalhos?”

Segundo a engenheira civil Rejane Saute Berezovsky, ex-diretora do Ibape (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo), “existem vários sistemas de impermeabilização e, dentro de cada sistema, um produto específico”. O leigo (síndico, zelador ou mesmo condômino) costuma perceber que há problemas com a impermeabilização de seu prédio quando visualiza infiltração nas coberturas, no teto do subsolo ou nos pilares e paredes, em geral atribuindo sua origem a falhas na laje ou superfície. Mas também “o rompimento da impermeabilização das juntas de dilatação é causa de infiltração, além de cortinas de concreto”, aponta Rejane. Desta forma, segundo ela, “o sistema a ser adotado dependerá das características construtivas do local”.

A seguir, a engenheira relaciona os sistemas de impermeabilizações existentes:

- Membranas flexíveis moldadas “in loco” (emulsões asfálticas, soluções asfálticas, emulsões acrílicas, asfalto oxidado, elastômeros em solução e outros);

- Mantas flexíveis pré-fabricadas (manta asfáltica, manta elastomérica, manta polimérica, dentre outras);

- Resina polimérica;

- Injeção de gel; e,

- Membranas rígidas moldadas “in loco” (argamassa rígida, cristalização, dentre outros).

Em relação às mantas, Rejane observa que elas se diferenciam em três grandes grupos de aplicação: a mais convencional é usada em lajes que receberão proteção mecânica, ou seja, revestimento; a antiraiz é indicada para todo tipo de jardineira; e a manta alumínio empregada em lajes de cobertura que não receberão revestimento e que não permitem o tráfego de pessoas. Todas deverão ter uma espessura própria, a ser dimensionada conforme a característica da intervenção. E a melhor época para executar as obras é o período pós-chuva, que em São Paulo recai entre os meses de abril e novembro.

Quanto à injeção, Rejane aponta que seu uso é “mais pontual, para áreas bem definidas”. A norma da ABNT a definiu como um sistema auxiliar ou concomitante à impermeabilização com base cimentícia. Para o engenheiro Jerônimo Cabral Pereira Fagundes Neto, pós-graduado em Avaliações e Perícias de Engenharia e Mestre em Habitação, os “sistemas de injeção constituem soluções mais indicadas para restabelecimento de fissuras ou trincas secas ou com infiltração, para recomposição da estanqueidade (propriedade que impede a penetração ou passagem de fluídos) ou reconstituição do ‘monolitismo’ e capacidade de suporte das estruturas de concreto”. Ele as subdivide em “flexíveis” e “rígidas”, “produtos com características peculiares que conseguem penetrar em pequenas frestas (fissuras e trincas) e estabelecer o preenchimento das fendas ou vazios, favorecendo a estanqueidade e permitindo a recuperação da capacidade de carga, com segurança”. Entre os materiais mais empregados estão o cimentício (microcimento), o Epóxi, o poliuretano flexível e rígido (inadequado para fissura ativa).

Jerônimo considera, assim como a própria norma da ABNT, a injeção “um sistema de vedação”, “concebido para reparos localizados” e que “não se presta, em princípio, como solução definitiva para impermeabilização”. Mas, segundo ele, o gel acrílico chegou como uma nova tecnologia de impermeabilização, para ser “utilizado, em princípio, como elemento de selamento estrutural”. O material “pode ser aplicado contra o fluxo de água e forma uma película ou membrana impermeabilizante localizada, para recomposição de fissura passiva e ativa (ainda não estabilizada)”.

 

CUIDADOS NA EXECUÇÃO DOS SERVIÇOS

Outra dúvida comum entre os síndicos está diretamente ligada à qualidade do serviço contratado: "Como assegurar que a empresa mantenha a supervisão da obra, com orientação e profissional qualificado para a instalação das mantas e o posterior assentamento dos revestimentos?", questiona Rosana Moraes.

A síndica está insatisfeita com as obras de impermeabilização realizadas em seu condomínio entre os anos de 2009 e 2010 e ainda busca uma solução junto à empresa contratada. Entre outros, aponta que os responsáveis pelos trabalhos deixaram pontos de infiltração de um subsolo a outro, problemas no nivelamento da superfície (que formam depressões no piso), afundamento do solo e serviços mal executados em torno dos ralos e nas juntas de dilatação. Finalmente, reclama da falta de fiscalização e suporte da própria empresa aos seus operários durante a execução das obras.

A engenheira Rejane Berezovsky comenta que é “importante ter sempre o acompanhamento de um engenheiro civil, especialista no segmento, para que possa orientar o condomínio sobre o tipo de serviço a ser contratado e supervisionar o trabalho da empresa”. Rejane tem observado como erros mais recorrentes nas obras e sistemas, tanto por parte dos condomínios quanto das empresas, perfurações “quando da instalação de brinquedos infantis, antenas, gradis etc.; falta de manutenção do revestimento existente no piso; escolha inadequada do sistema a ser aplicado; falha no caimento dos pisos em direção aos ralos; e não aplicação de manta com tela galvanizada no rodapé, dentre outros”.

(Colaborou Luiza Oliva)

Matéria publicada na Edição 167 - abr/12 da Revista Direcional Condomínios.