Individualização da água nos condomínios: acompanhar as contas contribui para o sucesso do programa

Escrito por 

Desde 2008 a individualização do consumo de água já é realidade para os 64 apartamentos do Condomínio Edifício Santa Elisa e Santa Marcelina, localizado na Vila São Francisco, zona Oeste da capital paulista. As unidades tiveram hidrômetros instalados nas cinco colunas de água (são seis nos apartamentos de cobertura). “Hoje, quase cinco anos após a implantação do sistema, nossa conta é 30% inferior”, salienta o síndico Noêmio Guedes Martins.

A leitura é realizada por radiofrequência, pela empresa que instalou o sistema, na área comum do condomínio, no mesmo dia em que a Sabesp procede a leitura. É cobrada dos apartamentos uma taxa de leitura por hidrômetro. A empresa terceirizada envia para cada unidade uma conta do seu consumo. “Há um relatório detalhado, e a partir dele o morador sabe quanto gastou por ramal. Pelo sistema também é fácil localizar vazamentos”, comenta o síndico.

Condomínios como o do síndico Noêmio representam a evolução da individualização de água no Brasil, inclusive para prédios antigos, não preparados para receber a instalação. Há cerca de 10 anos, o padrão era criar uma tubulação nova que corria pela fachada do prédio, unificando as prumadas existentes. Os problemas eram inúmeros, como dificuldade para localizar vazamentos e pontos com baixa pressão ou velocidade muito alta de chegada da água. “As novas tecnologias para medição facilitaram muito o processo. Hoje a medição pode ser remota e temos equipamentos que informam pontos de vazamentos”, afirma Eduardo Lacerda, diretor no Brasil de uma multinacional alemã especializada em serviços de medição individualizada.

Para Gilmar Altamirano, diretor presidente da organização não governamental Universidade da Água, depois da instalação tem início a fase mais aguardada pelos moradores: o recebimento da conta individual de água. Gilmar explica que para gerar um extrato são necessárias duas leituras feitas pela concessionária: a diferença entre o valor da segunda leitura e o da primeira fecha o período. A partir daí são utilizadas algumas formas para o cálculo do valor a ser pago por cada apartamento. Uma delas é dividir o valor da conta da concessionária pela soma do volume total consumido pelos apartamentos, “criando um valor médio por metro cúbico de água, depois multiplicando esse valor pelo consumo de cada unidade”, diz Gilmar. “Neste método, os maiores ‘gastões’ são beneficiados, uma vez que o valor a ser pago não está diretamente ligado ao volume consumido”, explica.

É comum os moradores questionarem os valores imputados à sua unidade. O ideal é que a empresa responsável pela medição disponibilize via internet os dados dos medidores dos apartamentos. Eduardo Lacerda recomenda que os moradores assumam sua parcela de responsabilidade no sistema, “conferindo os números anotados em seus medidores por semana”. Uma dica simples é fazer o teste da garrafa de refrigerante: escolhendo um ponto de água, encha uma embalagem descartável de dois litros. Depois, confira se o medidor “andou” dois litros. “É um teste simples e que dá mais segurança ao morador.”

Matéria publicada na Edição 166 - mar/12 da Revista Direcional Condomínios.