Internet e redes sociais digitais

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Na era da comunicação 2.0, diversas empresas utilizam serviços online para facilitar e agilizar processos. Todavia, “a maioria dos síndicos e condôminos ainda pega o telefone para fazer solicitações ao seu gerente de atendimento, quando poderiam ter o acesso direto às informações pelo site da administradora”, comenta Omar Anauate, diretor de condomínios da Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo).

Para ele, o uso e os costumes do mercado ainda impedem interação mais fácil e resolução mais rápida de problemas que poderiam ser resolvidos com agilidade de qualquer lugar onde o síndico estivesse, por meio da internet. “Poucos têm conhecimento de que a tendência é o livro de reclamações e outras formas tradicionais de contatos serem substituídas por plataformas de redes sociais digitais”, completa o diretor.

Cátia Lassalvia, consultora de comunicação digital para empresas e o Terceiro Setor, acredita que o uso das redes sociais ainda assusta a maior parte dos condomínios, pois a exposição do usuário é muito maior do que em qualquer outro meio. Ela comenta: “se o prédio onde você mora tem aquela pessoa que é o criador de tensões, o fofoqueiro, a rede social pode amplificar o bate-boca; ou seja, as pessoas não mudam sua natureza real porque estão nas redes”.

Mas Cátia acrescenta que é possível haver um convívio harmônico nas redes. A consultora sugere que “antes de a rede ser implantada, que se crie e divulgue um guia de boas práticas, o qual pode ser escrito coletivamente pelos condôminos”. Rodrigo Fortunato, consultor de condomínios em uma administradora, gerencia dez comunidades de condomínios no Orkut e mais três no Facebook e destaca a segurança como o fator que mais pesa na decisão de estar ou não na internet. “Muitos dos nossos clientes têm receio quanto às informações divulgadas na web e discutem o tema até em assembleias”, afirma. Ele diz que a implicância vem da possibilidade de o vizinho ter acesso a informações pessoais, tanto dos moradores como do próprio funcionamento do condomínio. E recomenda: “não devemos nunca expor decisões das assembleias, como, por exemplo, uma aprovação de uso de controle remoto no portão, que dispare um alarme quando houver assalto”.

Segundo Omar Anauate, a expansão desses canais de comunicação gera expectativa de que tudo deve ser digitalizado, no entanto, é preciso um pouco de cautela. “As administradoras que oferecem serviços digitais os utilizam como diferencial de mercado, mas ainda falta informação para atestar a usabilidade desses recursos”, conclui o diretor da Aabic.


Matéria publicada na Edição 164 - dez/jan12 da Revista Direcional Condomínios.