Fachadas com revestimento e vidro demandam mais cuidados dos síndicos

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Neste mês de julho, duas torres do Condomínio Side Park, localizado na região Noroeste de São Paulo, começaram a ser completamente “descascadas” para que a construtora aplique um novo revestimento cerâmico às fachadas. Este é o desfecho de uma luta que ocupa a síndica Dora Gouveia Lopes há pelo menos quatro anos, quando as peças de dois dos três prédios do empreendimento começaram a cair. Ainda dentro do prazo de garantia, na época em que as falhas começaram a se manifestar, a construtora fazia a reposição do material, mas não adiantava. Ele voltava a descolar e a levar junto mais peças. Pior, provocou infiltrações e danos em algumas unidades.

A explicação dos responsáveis pela obra é que os efeitos das intempéries (sol, calor, vento e chuvas) causaram os estragos, já que a terceira torre, situada em posição diferente no terreno, não apresenta problemas. O condomínio teve que contratar uma empresa de perícia em engenharia para compreender a situação. “Eles deram um laudo dizendo que iria cair tudo, porque a construtora assentou o material diretamente no bloco, sem fazer uma camada de emboço”, lembra a síndica Dora. [O emboço serve para corrigir irregularidades na superfície]

De posse do documento, a gestora conseguiu com que a construtora se comprometesse a refazer todo o trabalho, que continuará sem emboço, mas com nova garantia para mais cinco anos. Também os apartamentos atingidos pela infiltração serão recuperados. E apesar de toda trabalheira, Dora Gouveia acredita que ter um imóvel com revestimento cerâmico é algo que vale a pena, “esteticamente fica muito bonito”. Dora espera encerrar as dificuldades com a nova intervenção, apostando que, depois de concluídos os trabalhos, o condomínio fique somente com o encargo de fazer a manutenção adequada da fachada. Segundo ela, o manual de uso, operação e conservação das edificações estabelece um intervalo mínimo de três anos para que se realize a manutenção das juntas de dilatação.

O zelador Roney Peixoto, do Condomínio Maison Des Arts, situado no Alto da Lapa, zona Oeste de São Paulo, concorda que as fachadas com revestimentos diferenciados, como a cerâmica, “requerem uma vigilância maior”. A vantagem é estética, diz ele, que acaba de coordenar um trabalho de colagem de algumas peças do bonito edifício onde atua há dois anos. E já se prepara para contratar, em no máximo um ano, uma nova lavagem da superfície. A dica que Roney deixa aos colegas de trabalho e síndicos é que busquem empresas especializadas nesse tipo de acabamento quando houver necessidade de manutenção.

CONSERVAÇÃO

O engenheiro Roberto Boscarriol Jr., com experiência de quatro décadas na área da construção civil, observa que os “revestimentos em geral são usados como proteção das paredes externas e também como elementos de arquitetura”. Eles incluem pintura, texturas, tratamento com cristalização, massas raspadas, vidro, cerâmica etc. Neste caso, os descolamentos podem ser provocados, entre outros fatores, pela “falta de chapisco e/ou adesivo na massa de emboço, problemas com o material, e falta de junta de dilatação”.

O engenheiro vê vantagens e desvantagens no uso do acabamento cerâmico. “Se bem especificado para a função externa, ele apresenta uma durabilidade muito superior às pinturas. Mas uma de suas desvantagens se encontra na reposição futura, pois dificilmente se conseguirá o mesmo tipo e tonalidade”, avalia Boscarriol.

Quanto à manutenção periódica, “a lavagem, com ou sem hidrojateamento, é o método usual”. Mas é preciso cuidado com a técnica: “o hidrojateamento pode ser agressivo às superfícies (inclusive ao vidro), dependendo da química usada, e provocar queda do rejunte”. Já uma recuperação mais radical pode incluir a aplicação de um novo revestimento, substituindo o antigo. Roberto conta a experiência de um condomínio localizado em São Caetano do Sul, com pastilhas já gastas na fachada, que foram trocadas pela cerâmica. Antes, porém, os gestores realizaram testes de ‘arrancamento’, para se certificar que o trabalho não geraria muitos transtornos aos moradores, “porque a remoção tradicional é barulhenta”. A intervenção foi realizada, utilizando-se “uma massa de assentamento adequada”, ressalta Boscarriol.

GALERIA: FAÇA CERTO

O engenheiro Roberto Boscarriol Jr. fotografou dois casos que lhe chamaram atenção ao circular pelo bairro de Moema, na Zona Sul de São Paulo. Na primeira imagem, ele destaca que o tratamento da fachada de pastilhas do edifício desconsiderou que poderia haver um contraste entre o rejunte novo e o antigo. O resultado estético ficou a desejar. Na segunda imagem, ele indica que nos prédios revestidos com tijolos à vista, o tratamento ideal é a chamada pintura hidrofuga (que mantém a aparência de natural) ou a aplicação de verniz.

Matéria publicada na edição - 192 de jul/2014 da Revista Direcional Condomínios