Fachada: Revestimento

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A fachada de um prédio “entrega” a idade da construção, ou pode até disfarçar o tempo da edificação. Assim como uma maquiagem, os cuidados dispensados à fachada curam imperfeições e dão ao edifício um bom aspecto, interferindo até mesmo na valorização do empreendimento. Mas é recomendável estabelecer um programa de manutenção adequado para as fachadas, sejam elas pintadas ou revestidas, sempre consultando um especialista para nortear os procedimentos utilizados. “Através de inspeções periódicas, um engenheiro pode definir se é indicada pintura com uma ou duas demãos, se há trincas ou fissuras a serem reparadas ou se o problema está no substrato utilizado na obra, que recebeu cimento ou areia demais, por exemplo. Enfim, pode identificar problemas construtivos”, pontua o engenheiro civil Tito Lívio Ferreira Gomide, ex-presidente do Ibape em São Paulo (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia).

Nos prédios revestidos com pastilhas ou materiais cerâmicos, são comuns os problemas de aderência. Conforme Tito Lívio, perito em engenharia diagnóstica, os testes usuais de percussão alcançam uma margem de erro de 50%. “O teste é aplicado percutindo a fachada. Quando se ouve um som cavo, é sinal de que há problemas de aderência naquela área. Porém, pastilhas de porcelana, revestimentos cerâmicos e tijolos baianos utilizados na construção enganam o resultado. Na verdade, o som cavo não é uma anomalia, apenas um sintoma. Deve-se localizar a causa”, afirma. O engenheiro completa que é possível maior credibilidade realizando testes de arrancamento: “Este é um teste normatizado e mensurável. São retiradas amostras do revestimento e medida a resistência de aderência à fachada”.

Além de reposição e reparos nos revestimentos, a lavagem periódica é outro procedimento essencial. A periodicidade depende muito da localização do prédio. No litoral, por exemplo, elas devem ser mais frequentes. “A lavagem retira a fuligem, que é corrosiva e estraga o próprio revestimento e os rejuntes”, explica Tito Lívio, completando que também prédios revestidos com texturas devem ser lavados.

O engenheiro Jerônimo Cabral Pereira Fagundes Neto, especialista em perícias prediais e membro do Ibape, recomenda que a lavagem seja executada em prédios com pastilhas já a partir de um ano da construção. No terceiro ano, ele indica uma segunda lavagem com a revisão dos rejuntamentos e calafetação das janelas e juntas de dilatação. “A recuperação de pontos localizados com incidência de desplacamentos deve ser realizada sempre que o problema se apresentar”, constata o especialista.

Nas fachadas revestidas com tijolos aparentes, a poluição, com a deposição de fuligem, a umidade e a incidência de fungos e mofo são fatores de degradação. “Essas fachadas devem receber uma pintura de proteção, silicone anualmente ou verniz a cada dois anos”, orienta Jerônimo. Fachadas de concreto também merecem cuidados, especialmente se já houver ferragens expostas. Segundo o engenheiro, algumas soluções constituem descaracterização da fachada, além de não resolverem o problema estrutural. É o caso da pintura sobre o concreto ou sobre pastilhas ou cerâmica, visando um menor custo de manutenção.

Matéria publicada na Edição 157 de maio 2011 da Revista Direcional Condomínios.