Impermeabilização - Injeção

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NOVO SISTEMA PARA VELHOS PROBLEMAS

No Edifício Anália Garden, localizado no valorizado Jardim Anália Franco, zona Leste de São Paulo, os condôminos conviveram durante muito tempo com uma infiltração na cortina de concreto no primeiro e segundo subsolos. A umidade danificou os depósitos e deixou as paredes da garagem escuras e com mofo. “Sou síndica há quatro anos e o problema já existia. Chegava a verter água em alguns locais”, lembra a síndica Camila Messias. Após promover uma inspeção predial, o engenheiro contatado acabou indicando o sistema de injeção para sanar o problema, conta. Camila reconhece que o procedimento é novo e causa dúvidas. “Mas tenho como norma só contratar um serviço depois de muita pesquisa”, destaca.

E acrescenta: “Conheço também a impermeabilização convencional, pois tínhamos infiltração na casa de máquinas e fizemos com esse sistema a caixa d´água e a laje superior de cobertura. Estou extremamente satisfeita com os dois sistemas, tanto o tradicional como a injeção.” Hoje, alguns meses após a conclusão da obra na garagem, Camila comemora o resultado positivo e vê o subsolo livre da umidade.

Em outro condomínio, o Maison Adriana, construído há 40 anos no bairro do Ibirapuera, a injeção também foi uma boa solução para os vazamentos. As infiltrações na laje do subsolo vinham do extenso jardim térreo e complicavam a vida dos moradores. O conselheiro João Luiz Faria de Menezes lembra que o sistema ainda era pouco usual quando foi contratado. “Mas peguei boas referências da empresa e soube que já faziam esse tipo de reparo em grandes instalações, como represas e metrô. Além disso, a obra foi infinitamente mais barata que a impermeabilização tradicional, que destruiria nosso jardim”, compara. João Luiz comenta que a obra foi ainda muito mais rápida e limpa do que a impermeabilização do térreo com manta asfáltica, e que o resultado até hoje, cerca de seis anos depois, é satisfatório.

As infiltrações em garagens, como as dos condomínios de Camila e João Luiz, costumam tirar o sossego dos administradores, mas vale ressaltar que sempre é preciso consultoria especializada para escolher a melhor solução. Roberto Kochen, engenheiro geotécnico e diretor de infraestrutura do Instituto de Engenharia de São Paulo, aponta que cada caso deve ser bem estudado por um especialista: “A injeção é uma medida corretiva só utilizada em alguns casos.” Kochen comenta que são empregados diversos materiais nas injeções: calda de cimento, microcimento, resina acrílica ou poliuretano, por exemplo. “São materiais diferentes, indicados para diversas aplicações.”

Há situações em que a reconstrução da manta é essencial e as aplicações com injeção podem complementar o tratamento. O engenheiro perito Richard Robert Springer, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, vinculado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (IPT/USP), define a impermeabilização com injeções como um tratamento pontual, que sela o local aplicado, o qual pode ser “um canalículo, fissura ou junta fria de concretagem de estruturas”. “Conforme a NBR 9575/ 2010, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), é um serviço auxiliar de impermeabilização, precedente ou concomitantemente empregado com um sistema de base cimentícea”, reforça o engenheiro, que é Coordenador da Comissão de Estudos Gerais de Impermeabilização da ABNT.

Matéria publicada na Edição 154 de fevereiro 2011 da Revista Direcional Condomínios.