Segunda, 10 Outubro 2016 00:00

Oriente-se sobre o consumo de drogas entre adolescentes e jovens

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POR ONDE COMEÇA O VÍCIO

“Muitos pais não têm percebido o que consomem seus filhos. E o início da dependência química é cada vez mais precoce, hoje entre 11 e 12 anos. O álcool é uma droga psicotrópica e funciona como porta de entrada para o consumo das demais. Entre os jovens e adolescentes adictos (dependentes químicos), há registros de consumo de álcool gel, de álcool de produtos de limpeza, de álcool puro diluído em um pouco de água etc.”

PIORA DO QUADRO

“Novas substâncias e/ou novas formas de consumo transformaram a experiência do uso de drogas mais devastadora e insana. Exemplos: pingar bebida alcoólica ou LSD diretamente nos olhos ou ferimentos para contato mais imediato com a corrente sanguínea. A Polícia Federal identificou 59 novos tipos de drogas ilícitas (psicoativas) nos últimos três anos, muitas sintéticas, que propõem imitar o efeito alucinógeno do LSD, mas para os quais não se conhece os efeitos concretos sobre a saúde física e mental. Outras formas de se buscar o ‘barato’ são utilizadas hoje, como aspirar pasta de dente, pó de suco e até Coca-Cola pelo nariz, prática que afeta a saúde. Ou, ainda, acender cigarro com esmeril, fumar cotonete, aprender como se prepara cachimbo de crack, e, a que considero uma das mais graves, utilizar metanfetamina. Na forma de cristal, ela pode ser fumada. Metanfetamina na forma de pó é geralmente cheirada, mas pode ser misturada em água e injetada, entre outros.”

CAUSAS POSSÍVEIS

“O fenômeno do aumento do consumo de drogas entre os jovens e adolescentes é acompanhado de outros vícios, como da internet, e também da maior incidência de doenças emocionais, como depressão e ansiedade. Algumas dessas ocorrências podem ou não estar correlacionadas em uma pessoa, mas, em geral, há uma causa comum: o distanciamento das relações parentais (pais e familiares), com a perda de empatia e dos laços de afetividade. O excesso de atividades sociais e escolares, além do consumismo, acabam utilizados para substituir a educação pelos valores e a transmissão de referências (o que é fundamental para lhes dar um norte), o que somente se dá por meio do convívio e orientação contínua.”

CONSEQUÊNCIAS PARA O CONDOMÍNIO

“Do ponto de vista prático, no condomínio ou na casa do adicto podem ser registrados casos ligados à sua dependência, como furtos (de bicicletas, rádios dos carros, carteiras, celulares etc.), depredações e até agressões físicas. Nos furtos, subtrai-se os objetos para trocá-los por droga ou dinheiro; já os demais casos são gerados pelo desequilíbrio comportamental.”

PREVENÇÃO

“Os pais devem sempre acompanhar o desenvolvimento dos filhos, conhecer seus amigos, os locais que frequentam, estimular a prática esportiva ou atividades lúdicas (hobbies), conhecer sua personalidade, angústias e orientá-los de forma construtiva. Devem procurar auxílio especializado quando necessário, assim como os síndicos e demais gestores condominiais. Esses precisam se orientar sobre as abordagens mais indicadas para cada tipo de situação. A dependência química é uma doença incurável, porém tratável e preventiva. Prevenir não é banir a possibilidade do uso de drogas, mas, sim, considerar uma série de fatores para favorecer que o indivíduo tenha condições de fazer escolhas saudáveis.

Ilustrações: Coronado

Matéria publicada na edição - 217 - out/16 da Revista Direcional Condomínios


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Nelson Luiz Raspes

Psicólogo com formação em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É especializado em Capacitação em Dependência Química pela Universidade de Santa Catarina. Atuou durante quinze anos junto ao Centro de Tratamento Bezerra de Menezes.
Mais informações: nelsonpsico@hotmail.com