Sexta, 04 Julho 2014 00:00

Presença das drogas nos condomínios: como orientar os pais sobre fases e sintomas de recaídas

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A mobilização contra um problema sério que atinge as famílias, mas que também afeta uma coletividade como os condomínios, precisa estar orientada por parâmetros sólidos, de maneira a subsidiar positivamente os responsáveis, por exemplo, nas ações para trabalhar a dependência química. Em sequência aos artigos que temos publicados sobre a questão, falaremos a seguir sobre as fases e sintomas de recaída.

Quando em recuperação, as pessoas que acabam em recaída apresentam quatro pontos em comum:

  • # Completaram um programa de reabilitação da adicção;
  • # Reconheceram que são pessoas em recuperação e que não podem usar álcool ou drogas com segurança;
  • # Estavam conscientes que precisavam participar do AA (Alcoólicos Anônimos) ou NA (Narcóticos Anônimos) e talvez de aconselhamento profissional.
  • # Voltaram a usar, apesar de seu compromisso de permanecerem sóbrios.

As fases e sintomas da recaída são:

1ª Fase – disfunção interna
SINAL: Não consegue funcionar normalmente.
SINTOMAS/ DIFICULDADES EM:
1 - Pensar com clareza;
2 - Lidar com os pensamentos e emoções;
3 - Lembrar coisas;
4 – Lidar com o estresse;
5 – Dormir;
6 - De coordenação motora, com riscos de acidentes;
7 – Vergonha, culpa e desespero.

 

2ª Fase – retorno da negação
SINAL: Incapaz de reconhecer e conversar honestamente com os outros sobre o que está pensando e sentindo.
SINTOMAS:
8- Apreensão sobre seu bem-estar;
9 - Negação da preocupação.

 

3ª Fase – impedimento e comportamento defensivo:
SINAL: Não quer pensar sobre o que lhe causa dor e desconforto. Evita tudo o que leve a olhar para si mesmo.
SINTOMAS:
10 - ACREDITA QUE "nunca mais vai beber";
11 - Preocupa-se com os outros em vez de si mesmo;
12 - Defensivo;
13 - Comportamento compulsivo;
14 - Comportamento impulsivo;
15 - Tendência à solidão.

 

4ª Fase – construindo a crise:
SINAL: aumentam os problemas causados pela negação, isolamento e negligência ao programa de recuperação.
SINTOMAS:
16 - Visão de túnel;
17 - Depressão secundária;
18 - Perda dos planos realistas de vida;
19 - Planos começam a fracassar.

 

5ª Fase – imobilização
SINAL: Incapaz de agir. Controlado pela vida em vez de controlar a vida.
SINTOMAS:
20 - Devaneios inúteis e ansiedade;
21 - Sentimento de que nada pode ser resolvido;
22 - Desejo imaturo de ser feliz.

 

6ª Fase – confusão e reação exagerada
SINAL: Perturbados, irritados.
SINTOMAS:
23 - Períodos de confusão;
24 - Irritação com os amigos;
25 - Irrita-se com facilidade;

 

7ª Fase: depressão
SINAL: Deprimido, sem condições de manter a rotina normal.
SINTOMAS:
26 - Hábitos irregulares de alimentação;
27 - Sem condições de agir;
28 - Hábitos irregulares de dormir;
29 - Perda progressiva da estrutura diária;
30 - Períodos de profunda depressão.

 

8ª Fase: perda de controle de comportamento
SINTOMAS:
31- Participação irregular no tratamento;
32 - Desenvolve uma atitude de "não me importo";
33 - Rejeição total de ajuda;
34 - Insatisfação com a vida;
35 - Sentimentos de impotência e desespero.

 

9ª Fase: reconhecimento da perda do controle
SINAL: Quebra a negação.
SINTOMAS:
36 - Autopiedade;
37 - Pensamento de beber socialmente;
38 - Mentiras conscientes;
39 - Perda completa de autoconfiança.

 

10ª Fase: redução de opções
SINAL: Preso na dor e na incapacidade de lidar com a vida.
SINTOMAS:
40 - Ressentimentos sem razão;
41 - Para com todo o tratamento e frequência aos grupos de AA;
42 - Vencido pela solidão, frustração, raiva e tensão;
43 - Perda de controle do comportamento.

 

11ª Fase: volta ao uso ou colapso físico ou emocional
SINAL: Está desesperado que começa a acreditar que o uso controlado é possível.
SINTOMAS:
44 - Começa a usar "controladamente";
45 - Vergonha e culpa: "Fiz algo errado. Sou uma pessoa defeituosa";
46 - Perda de controle;
47 - Problemas com a vida e com a saúde.

 

É certo que, ao se deparar com todas as orientações que temos deixado aqui, o síndico se depare com uma grande dúvida: como apresentar isso aos pais? Como iniciar com eles uma abordagem sobre um problema tão delicado e devastador, inicialmente fazendo com que reconheçam a própria existência da situação?
Nos próximos artigos, iremos abordar esse tema e, na sequência, o que representa a "codependência emocional" e seu impacto sobre a dependência química e o sucesso ou insucesso dos tratamentos.

São Paulo, 4 de julho de 2014

Nelson Luiz Raspes

Psicólogo com formação em Dependência Química pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É especializado em Capacitação em Dependência Química pela Universidade de Santa Catarina. Atuou durante quinze anos junto ao Centro de Tratamento Bezerra de Menezes.
Mais informações: nelsonpsico@hotmail.com