Sexta, 29 Março 2019 00:00

Inadimplência em condomínios de São Paulo interrompe ciclo de alta e sinaliza taxa menor em 2018

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Índice IPEMIC marcou 2,95% em dezembro de 2018, o mais baixo registrado neste mês desde o início da série histórica, em 2004.

Condomínios da cidade de São Paulo encerraram dezembro de 2018 com o menor índice de inadimplência no pagamento dos boletos condominiais já registrado para este mês desde 2004, o primeiro ano do levantamento da série histórica do Índice Periódico de Mora e Inadimplência Condominial (IPEMIC). Segundo a pesquisa, o índice de inadimplência foi de 2,95% no último mês do ano, ante o patamar de 3,60% apurado em igual período de 2017. Dezembro seguiu a tendência de queda do índice de novembro, que apontou taxa de 2,92%.

Os dados, que abrangem uma amostra de 2.676 condomínios da Capital, são medidos pela Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), a maior entidade representativa do segmento no Estado.

A AABIC esclarece que os índices de inadimplência costumam ser mais baixos nos últimos dois meses do ano, quando as pessoas aproveitam o pagamento do 13° e as gratificações para colocar as contas em dia. No entanto, avalia a entidade, é a primeira vez que o índice cai a patamar inferior a 3% desde o último trimestre de 2014 – quando a taxa variou 2,89% em outubro, 2,97% em novembro e 2,98% em dezembro.

A AABIC considera devedor inadimplente para cálculo do IPEMIC os proprietários e inquilinos que atrasam o pagamento da cota condominial por 90 dias após a data do vencimento. Ou seja, para ser considerado inadimplente no mês de dezembro, o morador não pagou os boletos do condomínio de outubro, novembro e dezembro de 2018.

Segundo José Roberto Graiche Júnior, presidente da AABIC, a variação do índice com tendência de alta coincide com o início da crise político econômica no Brasil, no segundo mandato do governo de Dilma Rousseff, em 2015. Naquele ano, a média do índice de inadimplência bateu 3,42% nos condomínios da capital paulista. Em 2016, a taxa média ficou em 3,26%, voltando a subir, para 3,44%, no ano seguinte. Já em 2018, precisamente a partir de junho, a taxa começou a oscilar para baixo, encerrando o ano com inadimplência média de 3,20% - o segundo menor índice anual da série histórica, atrás apenas de 2014, que cravou média de 3,05%.

"O IPEMIC é um termômetro de como a economia pode afetar a capacidade dos paulistanos de pagar os boletos condominiais. A crise política e econômica instalada no País nos últimos anos diminuiu a renda média, obrigando os brasileiros a reduzir custos. Muitas famílias mudaram hábitos de consumos e buscaram imóveis com custos condominiais menores", avalia Graiche Júnior.

Nesse contexto, diz o presidente da AABIC, o IPEMIC sinaliza que as pessoas estão adequando seus custos ao orçamento doméstico e à realidade econômica, evitando a inadimplência de cotas condominiais e outros gastos essenciais. "Com a perspectiva de retomada da economia, o índice deve manter tendência de queda em 2019. Além disso, nos últimos anos, os condomínios e as administradoras também fizeram esforço para cortar as despesas e renegociar contratos com prestadores de serviços, contribuindo para reduzir reajustes nas cobranças e atrasos no pagamento de boletos", conclui.

Índice de mora

O IPEMIC também apurou redução no encerramento do ano de 2018 do índice de mora, que mede os percentuais de boletos emitidos e não pagos dentro do próprio mês de vencimento. Em dezembro de 2018, o índice de mora foi 6,45%, ante 7,33% em igual período do ano anterior. O índice do último mês de 2018 também é o menor para o mês desde 2014, quando a taxa marcou 5,99%.

Assim como a inadimplência, o ciclo de alta do índice de mora também começou a perder força no segundo semestre de 2018, quando todos os meses registraram taxas abaixo de 7% -- já bem longe do percentual de 8,47% apurado em janeiro do mesmo ano. Com a inversão, 2018 encerrou o ano com índice médio de mora de 7,11%, contra 7,28% apontado em 2017. Em 2016, a taxa alcançou 6,64%, ante 6,69% em 2015 e 6.01% em 2014, menor patamar em toda a série histórica.