Segunda, 25 Novembro 2013 00:00

Patologias em sistemas prediais - Impermeabilização

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No artigo anterior, abordamos as patologias mais comuns dos sistemas hidráulicos das edificações. Agora, chegou a vez de tratarmos de outro sério problema que aflige os síndicos, a impermeabilização.

As soluções em impermeabilização podem ser em manta asfáltica, primer's diversos etc., o que deve sempre ser visto e decidido pelos especialistas.
A garantia assegurada por lei a elas é a mesmo dos materiais entendidos como duráveis, de cinco anos, mas essas soluções costumam, em geral, se bem projetadas e executadas, durar muito mais.
As impermeabilizações podem ser definidas por: rígidas, flutuantes e aderentes. Tem também por injeção de resinas de poliuretano (mais usada em pontos) – mas, em essência, essas soluções não podem ser consideradas como impermeabilização, pois não garantem a estanqueidade da estrutura, já que elas agem somente de forma pontual.
As umidades normalmente incomodam as pessoas, seja pelo aspecto, pelo bolor e mofo ou pela umidade em si, deteriorando móveis. Os fungos e bolores, como os da foto abaixo, são o que mais afetam a saúde das pessoas.

Elas indicam problemas de infiltração e/ou de perda da impermeabilização, sendo que as patologias mais comuns nesse campo se apresentam nas:
• Fundações: através da ascensão capilar de água e minas ou lençol freático;
• Juntas de dilatação: pela infiltração de águas de lavagem ou chuvas;
• Lajes do térreo e cobertura: pela infiltração da chuva;
• Jardineiras: infiltração por danos mecânicos;
• Áreas molhadas: infiltração proveniente do andar de cima, da tabulação de esgoto (águas usadas);
• Caixas d'agua e de esgoto: através de contaminação.
No caso da imagem abaixo, pode ser observado exemplo de infiltração por defeito ou rompimento da manta.


Em outras palavras, é o sistema construtivo que protege a edificação contra as condições do meio em que está edificada, visando sempre três aspectos, que podem existir juntos ou isoladamente:

• durabilidade da edificação;
• conforto e saúde do usuário;
• proteção ao meio ambiente.

Analisando cada um dos aspectos, encontram-se várias razões para justificar a importância da impermeabilização, em cada um deles:

• A água é o principal elemento provocador da degradação das construções. Ela atua como o próprio agente agressivo, ou age como veículo condutor de outros agentes (ácidos, sais, álcalis etc.). Se for desejada, então, uma construção durável, deve-se avaliar toda e qualquer possibilidade de ataque pela água, e combatê-la radicalmente. Apesar de existir um juízo pré-formado de que impermeabilização é um item caro, e de desempenho questionável, por parte de muitos engenheiros e arquitetos, uma avaliação simples da relação custo-benefício invalida qualquer afirmativa desta natureza, já que os custos de reparação, não só da impermeabilização, mas também das estruturas e elementos construtivos atacados, chegam a mais de cinco vezes o custo inicial de uma impermeabilização. Quanto ao desempenho técnico de uma impermeabilização, com certeza pode ter seus problemas vinculados diretamente a um ou mais dos seguintes motivos:
• falta de projeto específico;
• falta de conhecimentos básicos do construtor;
• contratação baseada em preço apenas;
• Não utilização de material adequado;
• Não contratação de empresa de engenharia especializada.
Resolvidos estes problemas, não há como argumentar que obras de impermeabilização tenham baixo desempenho ou custo elevado.
A partir deste conceito, pode-se sair da visão de que impermeabilização seja "um piche sobre uma laje", para uma visão mais abrangente, de que a impermeabilização alcança as fundações, subsolos, fachadas, caixas d'agua, caixas de esgoto e coberturas de uma edificação. Ela possibilita, na verdade, maior aproveitamento das áreas e dos equipamentos de serviço e/ou lazer, cumprindo com seu verdadeiro papel de abrigo (shelter) da edificação. Veja-se, por exemplo, na foto abaixo, como a deterioração da armadura de uma laje cria um ambiente de insegurança e desvalorização patrimonial junto ao condômino.

Portanto, é preciso olhar de frente para as necessidades de manutenção e cuidado com a edificação, sem se deixar influenciar pelo senso comum, que nem sempre corresponde à verdade dos fatos.

Roberto Boscarriol Jr.

Graduado em Engenharia pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Formado em 1972, atua desde essa época na área da Construção Civil, tendo construído um milhão de metros quadrados nas áreas industriais, comerciais, escolares e residenciais, acumulando grande experiência na análise de propostas e gestão de obras. No espaço de sua coluna, o articulista irá abordar os vários aspectos da manutenção necessária nos prédios, com dicas, comentários e sugestões.

Mais informações: boscarriol@pbr.com.br