Geradores em condomínios: por que investir nesses equipamentos?

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Eventos climáticos extremos, como as tempestades recentes em São Paulo, deixaram um rastro de condomínios no escuro por dias. No entanto, para empreendimentos como o Portal Marajoara, na Zona Sul, a realidade foi diferente. Graças aos geradores, mesmo após 72 horas de interrupção no fornecimento da concessionária, a rotina de 1.500 habitantes foi preservada em seus pontos essenciais.

Segundo o síndico profissional Leandro Noronha, o investimento em geradores compensa pelo binômio inegociável: segurança e conforto.

O Gerador como Sistema Vital (Muito Além da Luz)

Muitos moradores acreditam que o gerador serve apenas para não ficar no escuro, mas sua função é técnica e vital para a saúde do edifício:

  • Elevadores: Garante a mobilidade, especialmente necessária para idosos e pessoas com deficiência.
  • Bombas de Recalque: Sem energia, as bombas não levam água para os reservatórios superiores. Ou seja: sem gerador, o prédio fica sem luz e sem água.
  • Segurança Eletrônica: Mantém portões, câmeras e sistemas de interfonia ativos, evitando a vulnerabilidade do condomínio durante o apagão.
  • Iluminação de Emergência: Evita acidentes em escadarias e áreas comuns.

Manutenção e Vistorias: O Seguro do Equipamento

Ter o equipamento não basta; é preciso que ele funcione no momento da crise. O caso do Portal Marajoara traz um alerta: durante o uso intenso, componentes podem falhar, como ocorreu com a queima da bomba de um dos equipamentos.

Checklist de Manutenção Essencial:

  • Teste de Carga Semanal: Ligar o gerador periodicamente para garantir que a bateria e o motor estão operantes.
  • Nível de Diesel: Monitorar o tanque e ter fornecedores de prontidão para reabastecimento em casos de apagões prolongados.
  • Limpeza de Bicos e Filtros: Essencial para evitar que o motor “engasgue” após meses de inatividade.

Efeito Colateral Positivo: Integração da Comunidade

Um ponto interessante relatado por Leandro Noronha foi o papel social do gerador. Ao oferecer pontos de energia nas áreas comuns para carregamento de celulares e preservação de alimentos perecíveis em geladeiras coletivas, o condomínio promoveu a integração dos moradores. Ambientes iluminados tornaram-se pontos de encontro e confraternização, transformando a crise em um momento de solidariedade.

Análise de Investimento: Vale a Pena?

Embora exija um investimento inicial considerável em equipamentos e adequações elétricas, o custo-benefício deve ser medido por:

  1. Valorização Patrimonial: Prédios com gerador total ou parcial têm maior liquidez no mercado imobiliário.
  2. Mitigação de Riscos: Evita processos judiciais por falta de acessibilidade (elevadores parados) ou danos em equipamentos de segurança.
  3. Conforto: A preservação da rotina mínima do morador.

Conclusão: Planejamento é a Chave

O apagão de outubro serviu como um divisor de águas. Condomínios sem geradores enfrentaram crises sanitárias e de segurança, enquanto os preparados conseguiram manter a dignidade e a ordem. Para o síndico moderno, o gerador deixou de ser um “extra” para se tornar uma prioridade no orçamento de melhorias.

Matéria publicada na edição 308 fevereiro 2025 da Revista Direcional Condomínios

Autor

  • Jornalista Isabel Ribeiro

    Jornalista apaixonada desde sempre por revistas, por gente, pelas boas histórias, e, nos últimos anos, seduzida pelo instigante universo condominial.