Advogada e síndica orgânica, Eloisa Fereli dedicou-se ao estudo de soluções em recarga de carros elétricos em condomínios até encontrar uma opção segura, funcional e visualmente organizada para apresentar ao corpo diretivo e aos condôminos do Terra Brasilis. O condomínio, localizado na Vila Sofia, zona sul de São Paulo, possui 44 apartamentos, cada um com quatro vagas de garagem, e algumas unidades já vinham apresentando essa demanda.
“Trabalhei duro, mas o objetivo não era obrigar ninguém a instalar pontos de recarga, porque não podemos intervir no direito de propriedade. Deixei claro que carro elétrico ou híbrido é um caminho sem volta. A tecnologia é fantástica, e investir em modernização valoriza o próprio imóvel”, comenta Eloisa.
Modernização dos condomínios e a chegada dos carros elétricos
Se por um lado uma pequena parcela dos condôminos não se entusiasmou com a inovação, por outro houve moradores interessados na comodidade. “Durante todo o processo de análise do projeto, tivemos momentos tensos com moradores querendo instalar pontos sem padronização. Isso foi impedido, já que estávamos tratando a questão de forma coletiva”, observa a síndica.
Estudo de carga e segurança: o primeiro passo
Segundo Eloisa, o condomínio optou por implantar um sistema de consumo individualizado de energia elétrica. O estudo de carga do prédio e toda a infraestrutura foram executados por empresa especializada no segmento elétrico, com CNAE compatível e emissão de ART assinada por engenheiro eletricista registrado no CREA.
A síndica também solicitou a elaboração de um manual descritivo, detalhando processos e materiais utilizados, para que futuras instalações sigam um padrão definido e em conformidade com normas regulamentadoras.
Padronização dos pontos de recarga e consumo individual
Síndica profissional e doutoranda em energia, Marisa Leonel acompanha de perto a evolução dos sistemas de recarga para levar modernização aos condomínios sob sua gestão, na Vila Andrade. “Os carros elétricos vieram para ficar. Condomínios que não acompanham as mudanças ficam para trás. Mas tudo precisa ser feito respeitando o perfil dos moradores e, principalmente, as normas de segurança”, ressalta.
Mesmo sem diretrizes oficiais do Corpo de Bombeiros, Marisa destaca que as execuções devem seguir normas técnicas de instalações elétricas e de recarga condutiva para veículos elétricos.
Valorização do imóvel e perfil dos moradores
Para Marisa, o estudo de carga é sempre o ponto de partida. “Em geral, a construtora deixa uma sobra de carga, mas só uma avaliação técnica confirma isso”, explica. Nos prédios sob sua gestão, optou-se pela instalação de pontos individuais.
Uma das vantagens do modelo adotado é a padronização de custos: o valor para levar a tomada até a vaga é o mesmo para todos, independentemente da distância do quadro de distribuição.
Tendência sem volta: recarga veicular como diferencial competitivo
Caso haja sorteio de vagas, a empresa responsável cobra um valor fixo para realocação do ponto de recarga. Para Marisa, soluções assim tornam o processo mais justo, organizado e escalável.
A implementação de pontos de recarga se consolida como diferencial competitivo, aliando sustentabilidade, modernização predial e valorização patrimonial.
Matéria publicada na edição 311 maio 2025 da Revista Direcional Condomínios
Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.