O desafio da eletricidade segura nos condomínios 

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O ano ainda está no começo, e temos o desafio de cuidar das instalações elétricas dos condomínios para que possamos chegar ao final de 2026 sem acidentes. É importante recordar que, entre os principais riscos elétricos em condomínios, estão o choque elétrico e o incêndio gerado por sobrecarga e curto-circuito. Quanto ao choque elétrico, até mesmo uma tensão pouco acima de 12 Volts pode ser fatal, dependendo de onde ele for recebido — dentro de uma banheira ou piscina, por exemplo, pode causar uma fibrilação cardíaca. Em ambientes molhados, como áreas externas ou jardins, o limite máximo (tensão de segurança) é de 25 Volts e, em ambiente seco, 50 Volts. Em qualquer instalação comum, um choque elétrico de 115, 127 ou 220 Volts pode levar a óbito.  

Em condomínio, mesmo nas catracas de acesso, moradores ou visitantes podem se acidentar. Eventual falha no sistema pode “energizar” as partes metálicas do equipamento de segurança e, ao tocar nelas, a pessoa recebe a descarga elétrica. Porém, esse risco tende a ser minimizado com manutenção periódica e a instalação de dispositivos de proteção, incluindo o fio terra.  

É fato que o sistema de aterramento precisa ser corretamente dimensionado, não apenas na entrada da edificação, mas também no jardim, onde os condutores (fios) devem ser adequados e as conexões, efetivamente herméticas. Essas instalações devem ser protegidas pelo Interruptor Diferencial Residual (IDR), que desliga o circuito na ocorrência de uma fuga de corrente. Fios expostos devem ser protegidos, e locais com bombas de piscinas e quadros elétricos devem ficar trancados.  

Atenção às tomadas  

Quanto ao incêndio por sobrecarga e/ou curto-circuito, há um crescimento significativo de acidentes. A sobrecarga acontece em qualquer tomada em que se utilize um equipamento com potência maior do que a prevista. Vamos fazer um exercício: uma tomada de uso geral, que vem com furo mais fino, tem capacidade estimada em 10 Amperes. Se fizermos uma conta com a tensão de 127 Volts, teremos uma potência máxima em torno de 1.200 Watts. Para trabalharmos com segurança, vamos considerar 1.000 Watts. Se a tomada suporta 1.000 Watts e colocarmos mais do que isso, ultrapassaremos a capacidade dessa tomada. Quando isso ocorre, o circuito elétrico acaba aquecendo e pode iniciar um incêndio. É exatamente assim que acontece parte dos incêndios.  

Há também outras formas de potencial risco de incêndio, como o uso de benjamins, TEs e extensões. Ao utilizar uma extensão, é preciso ter em mente que não se aumenta a capacidade da tomada, mas apenas o número de pontos disponíveis. Se forem ligados três equipamentos de 500 Watts cada, a capacidade será ultrapassada, o aquecimento ocorrerá e o risco de incêndio será real.  

Outra recomendação é nunca usar adaptadores para transformar plugues mais grossos em finos. Se o equipamento vem de fábrica com plugue mais grosso, é porque possui potência elevada. Ao utilizar adaptadores, além de aquecer a instalação elétrica, o próprio adaptador, que não tem norma, pode dar início a um incêndio. Vale verificar atentamente o que está sendo utilizado no salão de festas, na academia e nas áreas de lazer do condomínio.  

Para finalizar, uma recomendação especial: cuidado com os componentes de instalação elétrica a serem adquiridos pelo condomínio. Infelizmente, no Brasil temos uma “epidemia” de fios e cabos de má qualidade, com menos cobre, que suportam menos potência e aquecem muito mais do que um cabo adequado. Portanto, se o cabo for de marca desconhecida e mais barato, desconfie.     

“Veículos elétricos já são realidade e exigem atenção nos condomínios. Antes de instalar carregadores, avalie a disponibilidade de energia, transformadores e ramais, analise a qualidade da energia e contrate um profissional para garantir segurança.” 

(Walter Gonçalves Junior, diretor técnico comercial, Kapplan Energy)  


“Manutenção preventiva das instalações elétricas não é custo, é proteção do patrimônio e das pessoas. Inspeções periódicas, reapertos e atualização conforme as normas vigentes reduzem o aquecimento e as falhas nas instalações, tornando o condomínio mais seguro e eficiente.” 

(Rodrigo Henriques, diretor técnico, Henriques Marques Engenharia) 


“Estamos vivendo um momento de alta intensidade de descargas atmosféricas; portanto, é importante manter o sistema de para-raios adequado à norma vigente NBR 5419 da ABNT.”

(Nilson Achiles Merlini, engenheiro eletricista, Merlini Engenharia)  


Matéria publicada na edição 319 fevereiro 2026 da Revista Direcional Condomínios

Autor

  • Edson Martinho

    Engenheiro eletricista, fundador e atual diretor-executivo da Abracopel.