À luz da economia: condomínios reduzem custos com energia

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Energia por assinatura, mercado livre e painéis fotovoltaicos são alternativas adotadas por condomínios para reduzir os gastos com eletricidade   

O condomínio Monterey, no Tatuapé, possui uma torre com 68 unidades e área comum relativamente pequena, que inclui casa do zelador, playground, piscina adulta e infantil e quadra. Não parecia ser um candidato natural à instalação de placas solares, até porque parte do topo está ocupada por uma antena de celular. Mas nada demoveu a síndica orgânica, Izildinha Aparecida Botelho Ariosi, e a subsíndica, Regina Célia Marques, de pesquisarem meses a fio e encontrarem um modo de o condomínio gerar sua própria energia. “A solução a que chegamos foi cobrir a quadra e o playground com painéis solares”, afirma Izildinha, acrescentando que coberturas com módulos fotovoltaicos – que não ficam ‘grudadinhos’ uns aos outros – não aumentam o potencial construtivo, portanto não interferem na base de cálculo do IPTU.   

Izildinha e Regina atuam juntas há seis anos e relatam que um dos cuidados na escolha da empresa que implantaria o sistema de geração solar referiu-se à segurança. Durante a etapa de cotação, noticiários deram conta de que o telhado com placas solares de uma igreja havia desabado, fato que contribuiu para uma seleção mais minuciosa. “Toda a nossa infraestrutura para receber os módulos foi muito bem planejada e calculada por engenheiros, e nem poderia ser diferente: é uma área onde as crianças brincam”, destacam. A novidade incentivou a reforma da quadra e do playground e, hoje, os pequenos se divertem protegidos do sol em um espaço revitalizado.   

O retorno financeiro veio rápido porque o condomínio não precisou recorrer a financiamento. O investimento em energia gerada por radiação solar foi de R$ 200 mil, valor arrecadado ao longo dos anos com o aluguel do topo do prédio. Antes da transição, o Monterey pagava cerca de R$ 3.000 na conta de luz; hoje, paga R$ 400 e usufrui melhor da eletricidade. “Queríamos um aquecedor elétrico na piscina, mas não o tínhamos para não aumentar o consumo de energia. Hoje, temos, e a piscina passou a ser frequentada. E a iluminação dos refletores, que agora ficam ligados a noite inteira, traz mais segurança ao condomínio e ao entorno”, resume Izildinha.   

Welenson Castro é síndico profissional; a maior parte dos condomínios de sua carteira está localizada em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Recorrendo a financiamentos bancários voltados a ações sustentáveis, implantou energia fotovoltaica em três edificações. Avalia que o valor das parcelas se equiparou ao que o condomínio pagava mensalmente na conta de luz. “Ainda não temos a plena redução da despesa porque se paga o financiamento por alguns anos, mas já não precisamos mais arcar com as bandeiras tarifárias, que oscilam conforme o nível dos reservatórios, nem com os reajustes atrelados à inflação”, comenta.   

O síndico diz que a energia gerada é suficiente para as áreas comuns, exceto no Reserva Mayor, um empreendimento com quatro torres, 500 apartamentos e 16 elevadores. “Elevadores são o grande vilão do consumo. Lá, gastávamos R$ 20 mil com luz, e o novo sistema gera o equivalente a R$ 16 mil; então, ainda pagamos mensalmente R$ 4 mil para a Enel”, relata Welenson, que recomenda a quem for orçar energia fotovoltaica buscar empresas sólidas, capazes de atender o condomínio por cerca de 25 anos, prazo médio da garantia de desempenho.   

Outras soluções energéticas   

No Parque Ventura, outro grande condomínio de Guarulhos, a escolha recaiu sobre o mercado livre de energia, modelo que responde por 43% de toda a eletricidade consumida no país, segundo o Ministério de Minas e Energia. O cliente final continua recebendo energia fisicamente da distribuidora, mas comprada de outro fornecedor. O mercado livre negocia, a preços competitivos, energia de fontes renováveis (eólica, solar, hídrica e biomassa). Esse recurso ainda não está disponível para consumidores conectados em baixa tensão. Por ora, podem migrar da energia cativa (Enel, CPFL, entre outras distribuidoras) para o mercado livre apenas os condomínios classificados como consumidores do Grupo A (média e alta tensão).   

“Conseguimos fazer a migração, há um ano, porque o Parque Ventura recebe mais de uma classe de energia. Firmamos um contrato de cinco anos com uma das empresas líderes do segmento, sem necessidade de investimento inicial, e obtivemos uma redução de 28% nas despesas. Pagamos hoje R$ 21 mil, ante os R$ 30 mil que pagávamos”, ilustra Welenson. “As alternativas ao sistema convencional existem. Quanto mais postergarmos o estudo dessas possibilidades, menos estaremos olhando para os condomínios”, sentencia.   

Condomínios que miram economia e sustentabilidade, mas não estão aptos ao mercado livre nem possuem espaço para instalar painéis solares contam com outra alternativa: energia por assinatura, gerada em usinas fotovoltaicas. “O cliente ‘aluga’ a energia gerada, que é injetada na rede da distribuidora e chega até ele em formato de créditos na fatura”, sintetiza Alexandre Silva, sócio e diretor financeiro da NewSun Energy Group, empresa brasileira que fornece energia limpa por assinatura. Segundo ele, trata-se de uma opção que faz mais sentido para condomínios com alta demanda elétrica, que recebem contas de luz a partir de R$ 4 mil. “O percentual de economia varia conforme regiões do país. Na capital paulista, fica entre 10% e 20%”, acrescenta.   

A adesão ao sistema por assinatura não requer adequações técnicas nem investimento por parte do condomínio, e o trâmite burocrático fica a cargo da empresa contratada e da distribuidora de energia. Outra vantagem é a previsibilidade financeira, pois o valor calculado é fixo, com base no consumo dos últimos 12 meses. Se o condomínio consumir menos energia em determinado mês, a diferença fica armazenada em forma de crédito; se ultrapassar, paga pelo excedente à concessionária.   

Esse modelo chamou a atenção do síndico profissional Celso Della Torre Lemes, que acaba de contratar o serviço de uma empresa de energia por assinatura para o condomínio Residenziale Varietá, na Vila Olímpia. ‘Haverá redução de R$ 5 mil para R$ 3.800 na conta e, a partir do segundo ano, a economia será mais expressiva, pois o reajuste se dará pelo IPCA, que é inferior à inflação energética. Além disso, será aplicado sobre um valor fixo, no qual não houve incidência de bandeiras tarifárias, um benefício indireto’, conclui o síndico, que planeja implantar a modalidade em mais condomínios.        

Matéria publicada na edição 321 abril 2026 da Revista Direcional Condomínios

Autor

  • Jornalista Isabel Ribeiro

    Jornalista apaixonada desde sempre por revistas, por gente, pelas boas histórias, e, nos últimos anos, seduzida pelo instigante universo condominial.